Representação e Natureza MetaReciclagem
Posted by dasilvaorg in ontologia on 09/03/2010
Acho que a minha própria experiência MetaReciclagem já é algo que soma mais uma resposta nos breves questionamentos do Hernani. Breves porque quem já viu questionários, formulários de pesquisa acadêmica por aí, sabe que o povo perde a noção. Vou acrescentar minhas respostas, com o máximo de detalhes que conseguir, mas, por enquanto, ainda estou pensando aqui: por que não há um volume de respondentes perto do nível que meu imaginário projeta? O que me dá essa referência de que há muito, muito mais pessoas que podem vir aqui e responder? Sempre fico matutando sobre isso com a lista também, ou com os #mutsaz. Quem responde e quem não responde a determinadas conversas. Por que? Esse foi o pensamento principal por trás do meu post: Representar e Ser MetaReciclagem, Rede.
Ligo Hernani, Felipe e Dalton (tem mais gente, claro, como o Felipe me lembrou no seu reply, Glauco Paiva. Sim, o Glauco também me parece um nome importante no contexto Origens Metareciclagem / Weblab, mas talvez por alguns detalhes de interações on e off-line me fixei em três. É como se aqui, à distância, conforme eu fosse lendo, vendo, ouvindo interagindo com as coisas MetaReciclagem, os nomes Felipe, Dalton e Hernani estivessem mais acentuados na minha tag cloud, entende?). Aponto para a Weblab porque o contexto “Inclusão Digital” é minha preocupação central desde que comecei as interações em rede. E neste ponto a tag cloud está mais acentuada para a Weblab. Assim, acho que acabo diferenciando as noções de “representação” e “natureza” MetaReciclagem.
A “natureza” MetaReciclagem não é alcançável, mas as “representações” MetaReciclagem podem ser contextualizadas. O que quer dizer que são sempre provisórias e incompletas. Por exemplo, se essa fosse uma pesquisa do Ricardo Ruiz, eu apontaria para outro “agrupamento”, provavelmente veria uma outra força de associações e também provavelmente com outras pessoas e não-pessoas associadas (Ainda que o Felipe me pareça presença constante). É complicado de explicar, mas, pelo tanto que eu escrevo por aí e aqui das minhas percepções, o que não pode ser dito é que eu não estou me esforçando.
Para fechar em quatro parágrafos, e não perder o foco do trabalho do Hernani, quero falar de algumas percepções de “representações” MetaReciclagem e como elas criam, para mim, a expectativa de conversas nesta ação. Umas das “representações” mais fortes para mim é Bailux, que bom que pude estar por lá agora em setembro (e espero voltar). Quando o Régis respondeu ali naqueles questionamentos do hdhd, e ainda mais da forma como ele respondeu, marcou para mim uma noção de pertencimento, de “tamo junto”, que é de certa forma o que eu gostaria de ver de muito mais gente. Como eu disse no meu post, independente das posições políticas e ideológicas de cada um. Depois teve o Hudson respondendo. Hudson é força discursiva online MetaReciclagem. Tem muito, muito valor nesse sentido. Enfim, as emoções e expectativas sempre estão aí. Alguém conhece o Ian Lawrence? Saudações metarecicleiras!
teu caso não é de ver pra crer
Posted by dasilvaorg in essências on 16/02/2010
Ao final do ano passado quando Izidro me presenteou com o DVD de Até onde a vista alcança tive na hora uma sensação assim, difícil de descrever, mas, como tentativa, posso dizer que senti que veria coisas que teriam profunda relação com minha existência, com minha identidade.
Joaquim, já tendo me ouvido falar de alguma coisa sobre a região onde nasci, parece que chegou a dizer na época que achava que existiria alí alguma identificação. Demorei para assistir, não queria ver como passatempo. Tenho essa coisa, às vezes demoro um tempão para assistir algo que sinto que preciso olhar com muito mais que olhos de passatempo. Eu já tinha até escutado as músicas dos extras, mas assistir ao documentário inteiro, só semana passada, como realização de um dos quereres declarados no finalzinho do post anterior (outro querer realizado, aqui ).
A questão da arte “filme” não tenho como avaliar. As imagens , o cadenciamento, tudo me agrada. Mas aí há uma coisa nas imagens que realmente está dentro de mim. Prefiro não tentar explicar agora, mas sei que tem muito a ver com meu pai e este lado da família.
A música fez mais sentido ainda agora. Gosto muito da sensibilidade de Joaquim. E a parceria dele com Publius parece que é certeira, harmônica. E falando em harmônicas, adoro a coisa das harmônicas em “Horizonte”. Acho que alí é o começo da música horizontes. Não estou certo. Em “até onde a vista alcança” a interpretação de Joaquim” e música encaixam perfeitamente nas imagens. Dá gosto de ver. Meu filho ficou até repetindo o refrão aqui em casa, de tanto que eu ouvi – vendo.
Das tantas coisas que esse filme resgata em mim marco aqui uma preocupação que veio com a comunidade. Como ficou essa relação? Apenas contar uma estória com eles? O pessoal que fez tinha alguma outra intenção? Alguém se envolveu mais com os problemas da comunidade?
Aí Izidro me responde que Felipe, o diretor do curta, teve muito envolvimento com a questão quilombola, que buscou uma atuação em outras frentes do problema, de forma ativa. Que talvez hoje não esteja mais envolvido mas à época a entrega era total. Bem, depois achei uma entrevista do Felipe Calheiros que meio que também reforça esse discurso. Como Felipe e Joaquim são parceiros acho que a gente vai acabar se encontrando lá por Recife qualquer hora dessas e aí botar conversas pra frente. Fico feliz em estar colocando este post no ar.
onde não queres nada nada falta
Posted by dasilvaorg in ontologia on 02/02/2010
Tenho aqui um bocado de percepções e alguns termos: Internet, inclusão digital, transformação social, information literacy, desenvolvimento, produção, política pública, ciência e tecnologia, tecnociência, organização, sociedade… É tanta coisa que quando busco explicitar os porquês dos meus fazeres atuais sinto dificuldade em começar. Já faz algum tempo que venho tendo vontade de pegar os pedaços de histórias que estou registrando por aí e compor um corpo, na esperança de que isto vá me mostrar algo. É a esperança do #reacesso.
São muitas dúvidas e uma certeza: trabalhar na idéia de melhoria para algumas realidades. Sistemas, metodologias, práticas, práxis em torno de construção conjunta de oportunidades e desenvolvimento local. Resta escolher ou ser escolhido por alguma destas realidades. Penso no que vivi e no que gostaria de viver ainda, em como e porque tive e tenho acessos e oportunidades. A Internet tem um papel importante nisto. O que é afinal esta coisa que tenho com a Internet? O que pode partir disto e com isto para o trabalho com as pessoas, as comunidades?
Na Internet tem informação de todo o tipo disponível, mas não só isso, possibilidades de expressão, de produção, de articulação. É uma coisa sócio-técnica meio que mágica ainda, mística, ao mesmo tempo que opera numa racionalidade comercial, do consumo, motor e produto da sociedade do consumo. No ciberespaço é muito fácil dispersar, ficar perdido, desviar de um objetivo inicial, consumir consciente e inconscientemente. O ciberespaço é multitransdimensional psicodélico.
Outro dia tuitei para a @kali_lin sobre o volume que ela compartilha no Google Reader. Tem dias que ela solta mais de 40 itens em sequência, coisas muito legais de todo o tipo: imagens, posts enormes e curtos, vídeos etc. Mas simplesmente não consigo acompanhar. Não posso. Fico pensando se eu olhasse, lê-se, ouvisse um por um dos itens, quanto tempo esta navegação me consumiria diariamente? Em meio ao conjunto das outras coisas para ver é comum não dar nem para olhar rapidamente por cima e selecionar algumas coisas. Acabo olhando só uns três ou quatro itens e ignorando o restante. Porque este processo, considerando a dinâmica do hypertexto e a possibilidade de saber mais sobre qualquer coisa a apenas uma googlada de distância, parece que vai te enredando nas diferentes dimensões e entre elas, vai alterando percepções e consciência. Essência do ciberespaço?
Hoje já não me incomoda mais deixar coisas sem ver, não tanto quanto incomodava quando começei a interagir e pesquisar com blogs. Atualmente o sentimento é de definir coisas no meio do caos (na falta de uma palavra melhor), ainda que a preocupação com a informação se mantenha, principalmente na questão da interação, o handshake diário e o como lidar com as caixas-pretas.
Joaquim Izidro, que é uma super pessoa, músico, camarada, me falou recentemente, não pela primeira vez, em uma dificuldade com a quantidade de informação. Era um espécie de feedback que ele estava me dando sobre algumas coisas que lhe mostrei, como o site do Orquestra Organismo ou o post do Brazileiro sobre sua residência lá no Alafin Oyo. Me parece, mas ainda tenho muito que conversar com Izidro sobre isto, que por algum tipo natural de seleção, em função dos focos dele provavelmente, a coisa aparenta tão carregada ao ponto dele não saber como lidar com ela, a informação, e então ter que deixar pra lá.
Mas fevereiro está apenas começando. Esta semana quero finalmente assistir algumas coisas que já estão há meses nos planos, talvez instalar um Debian no desktop e brincar um pouquinho, certamente estudar mais o Latour, tentar ler o resto do The Internet o Things e passar o exemplar impresso que ganhei do @efeefe pra frente. Ah, e na expectativa do #karmaval, até o próximo “elemento” #mutsaz.
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[update] quase instantâneo
ao terminar de escrever e publicar fui ler os outros post #mutsaz, olha só o que eu encontrei
Por sorte me contive a tempo e não entrei no google pra descobrir o lugar onde se consertam máquinas de escrever. Por puro medo. Tive receio de achar outras coisas legais sobre esses objetos antigos e me perder nas descobertas, quando ainda tinha um projeto por terminar.
Sobre a comunicação: como funciona essa capacidade humana de se fazer entender, mesmo quando as palavras não são adequadas ou explícitas?… Sobre a relação das pessoas com os objetos e máquinas: que estranho papel exercem em nossas vidas?…. Sobre os pontos de conexão entre pessoas e a formação das redes: seriam aqueles invisíveis para tornar estas inevitáveis desde os primórdios da humanidade?… Sobre os caminhos tortuosos que escolhemos em nossas vidas para chegar ao que nos é bem próximo… Tati Prado
@dpadua -remember the code
Posted by dasilvaorg in pessoas on 21/11/2009
Estivemos juntos fisicamente apenas em dois momentos, os dois encontrões MetaReciclagem. Mas isto não afere a intensidade da convivênvia.
No aeroporto de BH, dia 10 de setembro a caminho de Arraial, ele me disse que estava para escrever um manifesto “Remember The Code”. O que isto significava, não entrei numas de entrevista na hora. Estava era feliz de estar tomando uma cerveja com uma pessoa por quem não sei como explicar mas eu tinha muito carinho.
Seus planos para o futuro naqueles dias eram “uma cama”, porque vinha de um período de muito stress e poucas noites dormidas.
Dia 14 de outubro nos falamos no Gtalk e ele me disse do câncer. Fiquei chocado, mas ele estava esperançoso.
Há uma ligação, um elo que não sei como explicar que se estabeleceu. No post abaixo, o link sobre blue note é para o blog dele. Foi lá, naquele post que ele me trouxe o reencontro com um eu que sempre esteve aqui. No mesmo dia eu vislumbrei isto na minha história com a MetaReciclagem.
Seguimos.
Siga na LUZ, inspiração, mito, artesão de redes. A gente se vê.
O dia que li Blue Note
Posted by dasilvaorg in essências on 15/11/2009
Quatorze de outubro de dois mil e nove, madrugada. Acabei de ler Blue Note . E aí vejo que as coisas sempre estiveram lá (Insight para as estórias com MetaReciclagem).
Há modos e modos de lidar com os mitos. Alguns, como eu, entram numa racionalidade “mais careta”. Mas estamos falando do mesmo personagem, construído de diferentes maneiras. Biu chama de Lau e eu de Lauro Noboru Akagui.
Interessante me ver de alguma forma naquela estória.
Favela Gambiarra
Posted by dasilvaorg in essências on 18/10/2009
Vi nesta semana que o efeefe soltou um texto que ele e hdhd haviam produzido sobre gambiarra. Mas não li. Tem mais coisas falando por aí de gambiarras, mas também não li.
Partilho aqui uma espontaneidade que acabei de escrever em um doc que a Maira gentilmente está partilhando comigo.
Sofrimento pra alguns é ser feliz, pra quem nunca teve nada um sonho é tudo que sempre quis (O Rappa).
Mas o sonho também é sofrimento. Queremos falar de sofrimento? O que é sofrimento?
Sofrimento “autoetnografado”.
O Rappa tem a ver com a incrustração de pertencimentos. A favela, o Rio de Janeiro. É sofrimento criativo, criador.
A gambiarra aí é biogambiarra, autogambiarra no sentido da adaptação tecnológica do sujeito. A favela é tecnologia, o sujeito é tecnologia e a favela recompõe a tecnologia sujeito que recompõe a tecnologia favela também por meio do sofrimento.
Quando um menino deixa de sair de casa porque tem medo de outro menino isto é preocupante. Mas aí há o domínio / não domínio da tecnologia favela/ tecnologia sujeito como afirmação da subjetividade.
Claro que a favela pode ser vista por diversos olhares, assim como a violência, assim como tudo. Mas, este olhar quase “autoetnográfico” já é a própria gambiarra falando, sem porta-voz, a gambiarra se expressa por si, se mostra e não se mostra. O que sabe e o que não sabe. Mas a gambiarra fala, ainda que o entendimento não seja nem para ela mesma e as interpretações estejam sempre condicionadas a estruturas de autoridades e saberes. Por isso não se deve achar que é possível interpretar a gambiarra falante. Talvez seja mais proveitoso apenas interagir e neste processo, como no handshake do modem, chegar a uma conexão. O que é esta conexão? Quem pode se dar a arrogância de dizer saber?
As gambiarras falantes simplesmente estão.















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