onde não queres nada nada falta

COMICS + INFORMATION DESIGN by Austin Kleo on FlickrTenho aqui um bocado de percepções e alguns termos: Internet, inclusão digital, transformação social, information literacy, desenvolvimento, produção, política pública, ciência e tecnologia, tecnociência, organização, sociedade… É tanta coisa que quando busco explicitar os porquês dos meus fazeres atuais sinto dificuldade em começar. Já faz algum tempo que venho tendo vontade de pegar os pedaços de histórias que estou registrando por aí e compor  um corpo, na esperança de que isto vá me mostrar algo. É a esperança do #reacesso.

São muitas dúvidas e uma certeza: trabalhar na idéia de melhoria para algumas realidades. Sistemas, metodologias, práticas, práxis em torno de construção conjunta de oportunidades e desenvolvimento local. Resta escolher ou ser escolhido por alguma destas realidades.   Penso no que vivi e no que gostaria de viver ainda, em como e porque tive e tenho acessos e oportunidades. A Internet tem um papel importante nisto. O que é afinal esta coisa que tenho com a Internet? O que pode partir disto e com isto para o trabalho com as pessoas, as comunidades?

Na Internet tem informação de todo o tipo disponível, mas não só isso,  possibilidades de expressão, de produção, de articulação. É uma coisa sócio-técnica meio que mágica ainda, mística,  ao mesmo tempo que opera numa racionalidade comercial, do consumo, motor e produto da sociedade do consumo. No ciberespaço é muito fácil dispersar,  ficar perdido, desviar de um objetivo inicial, consumir consciente e inconscientemente. O ciberespaço é multitransdimensional psicodélico.

Outro dia tuitei para a @kali_lin sobre o volume que ela compartilha no Google Reader. Tem dias que ela solta mais de 40 itens em sequência, coisas muito legais de todo o tipo: imagens, posts enormes e curtos, vídeos etc. Mas simplesmente não consigo acompanhar. Não posso. Fico pensando se eu olhasse, lê-se, ouvisse um por um dos itens,   quanto tempo esta navegação me consumiria diariamente? Em meio ao conjunto das outras coisas para ver é comum não dar nem para olhar rapidamente por cima e selecionar algumas coisas. Acabo olhando só uns três ou quatro itens e ignorando o restante. Porque este processo,  considerando a dinâmica do hypertexto e a possibilidade de saber mais sobre qualquer coisa a apenas uma googlada de distância, parece que vai te enredando nas diferentes dimensões e entre elas, vai alterando percepções e consciência. Essência do ciberespaço?

overload dasilvaorgHoje já não me incomoda mais deixar coisas sem ver, não tanto quanto incomodava quando começei a interagir e pesquisar com blogs. Atualmente o sentimento é de definir coisas no meio do caos (na falta de uma palavra melhor), ainda que a preocupação com a informação se mantenha, principalmente na questão da interação, o handshake diário e o como lidar com as caixas-pretas.

Joaquim Izidro, que é uma super pessoa, músico, camarada,  me falou recentemente, não pela primeira vez, em uma dificuldade com a quantidade de informação. Era um espécie de feedback que ele estava me dando sobre algumas coisas que lhe mostrei, como o site do Orquestra Organismo ou o post do Brazileiro sobre sua residência lá no Alafin Oyo. Me parece, mas ainda tenho muito que conversar com Izidro sobre isto, que por algum tipo natural de seleção,  em função dos focos dele provavelmente, a coisa aparenta tão carregada ao ponto dele não saber como lidar com ela, a informação,  e então ter que deixar pra lá.

Mas fevereiro está apenas começando. Esta semana quero finalmente assistir algumas coisas que já estão há meses nos planos,   talvez instalar um Debian no desktop e brincar um pouquinho, certamente estudar mais o Latour, tentar ler o resto do The Internet o Things e passar o exemplar impresso que ganhei do @efeefe pra frente. Ah,  e na expectativa do  #karmaval, até o próximo “elemento” #mutsaz.

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[update] quase instantâneo

ao terminar de escrever e publicar fui ler os outros post #mutsaz, olha só o que eu encontrei

Por sorte me contive a tempo e não entrei no google pra descobrir o lugar onde se consertam máquinas de escrever. Por puro medo. Tive receio de achar outras coisas legais sobre esses objetos antigos e me perder nas descobertas, quando ainda tinha um projeto por terminar.

Sobre a comunicação: como funciona essa capacidade humana de se fazer entender, mesmo quando as palavras não são adequadas ou explícitas?… Sobre a relação das pessoas com os objetos e máquinas: que estranho papel exercem em nossas vidas?…. Sobre os pontos de conexão entre pessoas e a formação das redes: seriam aqueles invisíveis para tornar estas inevitáveis desde os primórdios da humanidade?… Sobre os caminhos tortuosos que escolhemos em nossas vidas para chegar ao que nos é bem próximo… Tati Prado

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narts em Ação

batistaviroumáquinaEstou relendo o Ciência em Ação do Latour e com a cabeça, dentre outras coisas, numa conversa com algumas pessoas bacanas sobre um projeto na interface  ShikoMetaReciclagem.  A estória tá sendo contada numa TAZ: narts.

O que uma coisa tem a ver com a outra?

É que essa minha tentativa de compreensão da perspectiva do Latour (a de estudar os fatos antes que se tornem fatos, caixas-pretas) não cansa de me parecer poder ser “o que há para fazer” em qualquer coisa de “produção”. Ou seja, quando temos uma “produto final” não vemos ali toda uma interação prévia, as discordâncias, os descaminhos em decisões etc. Então, o que podemos aprender / apreender tentando perceber diferentes nuances neste percurso da construção do fato, do produto?

E se eu considerar que não há diferença entre como se produz uma política pública de um lado e uma peça de arte do outro?

No começo do ano passado me apareceram sinais de fumaça para  direcionar a pesquisa para a interface arte-tecnologia. Teve até sugestão da minha orientadora para um financiamento de projeto. Mas  depois de alguma reflexão sobre o assunto eu descartei. Não me sentia minimamente preparado para começar uma conversa sobre arte. Era uma coisa que assustava (ainda assusta). Quando penso na questão da linguagem e da comunicação, sei não. Confuso e assustador mesmo.

Orquestra OrganismoO outro lado da moeda é como ao longo do ano fui vendo, ouvindo, sentindo na Rede (o que é essa rede é outra questão, mas por enquanto vamos simplificar com o nome de MetaReciclagem) a presença e a força de algumas Coisas-Arte. Isto está nas pessoas, eu sei, mas as “organizações” ajudam… ( Peraí, eu ia dizer que que ajudam a simplificar mas fiquei em dúvida entre simplificar e complicar e enquanto fui escrevendo já pensei em “visualizar”. Mas nenhuma dessas palavras me parece resolver o apego a organizações.) O que eu chamo de Coisas-Arte se refere principalmente à Orquestra Organismo e Descentro (organizações?!).  Mas não vou falar das pessoas agora, deixo para outros posts.

A questão do “em ação” está então em destaque para mim. Ver como é isso nesse trabalho por exemplo, é possível? Com que nível de envolvimento? O que de fato eu estaria acompanhando em ação? Não dá pra ter a mínima idéia do que  #narts  vai dar, ou até mesmo se vai dar em alguma coisa. Mas acho que isso se relaciona de alguma forma com #reacesso? A metáfora do fechar das caixas-pretas serve para arte? Préeeeeeeemmmmm (som de campanhinha de erro). A pergunta tá feita errada, já sei.  Para isso, vou recorrer a outra obra  do Latour, o Políticas da Natureza.

Queremos somente dizer que as outras culturas, posto que elas, justamente, não viveram jamais da natureza, conservaram para nós as instituições conceituais, os reflexos, as rotinas, de que teremos necessidade, nós os Ocidentais, para nos desintoxicar da idéia de natureza.  (LATOUR, 2004, p.82)

Ora, as outras culturas não misturavam, em nada, a ordem social e a ordem natural: elas ignoravam a distinção. Ignorar uma dicotomia, isto não é confundir, de todo, os dois conjuntos em um só – menos ainda “ultrapassá-la”. ( LATOUR, 2004, p. 84)

E então posso voltar à questão.  E se eu considerar que não há diferença entre como se produz uma política pública de um lado e uma peça de arte do outro?

O #reacesso,  com todo respeito ao legado do Dpádua, que mais  me preocupa neste momento é com as coisas do cara chamado Shiko. Preocupa não tratar utilitariamente a relação. Preocupa não fazer disso apenas uma máquina de produzir interesses.  Sei que ainda não sei o que significa ser Sujeito, ser Ser, essas coisas da filosofia. O mais certo é que eu nunca saiba. Pra que saber? O que penso é numa imagem destas palavras que sintonize sentimentos em Shiko nos sentimentos que tenho de tudo isso. Sigamos.

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Resistência em ser Organização

Em 2008 a Fernanda Scur fez a gentileza de dialogar comigo e a lista metareciclagem sobre meu projeto que estava nascendo e o dela que já estava se encaminhando. Coloquei as propostas daquela época em duas páginas de wiki lá no site: PesquisaOrlando e PesquisaFernanda.  No mínimo vai servir para pensar na evolução da coisa.

A seguir, trago um trecho interessante da conversa, onde comentando as pretensões da Fernanda  falo da natureza das organizações e de uma característica que passei a entender como fundamental na MetaReciclagem em relação a isto.

Fernanda Scur : Esse meu interesse surgiu durante o meu trabalho de mestrado feito na  Tanzania, onde lidei com as instituicoes de desenvolvimento alemãs, e suas  metodologias de implantacãoo de projetos de desenvolvimento super “top-down”,  onde o que conta em primeiro lugar são os interesses dos doadores, de tais  instituicões, e bem por último, no sentido burocrático da coisa mesmo, a comunidade – digo isso porque as pessoas envolvidas eram pessoas boas – mas  o SISTEMA é tal, que é dificil ocorrer uma mudanca – dai a questão: como  mexer no sistema??

Orlando: Tenho uma “quase certeza” (porque é bom ter dúvidas) de que quando há “organizações” por traz das coisas tudo vira top-down. Porque esta é a natureza da organização como forma de poder. Tem muita prática travestida de “participativa” “bottom-up” por aí, porque há a necessidade de adaptar o discurso. Mas, a “Organização” é uma agressão à subjetividade, uma violência. Essa é outra viagem que eu vou tentar delinear os caminhos também.

Acho que o mais interessante aqui do MetaReciclagem é uma aparente resistência do grupo em ser “Organização”.

Mexer no sistema?!! Acho que a gente está mexendo toda hora. Agora, querer que o sistema reflita nossos ideais de funcionamento. Aí, nem sei se isso é interessante.

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Tava escrevendo isso ontem e de repente achei que tinha a ver com o #mutsaz. Sigamos.


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