Educação, Transporte e Meio Ambiente

Biclicleta do Programa “Pedala Paraíba” vista próxima ao Restaurante do Mirante,  no Açude de São Gonçalo – Sousa, PB.

Achei a bicicleta legal,  principalmente  por conta do local em que a encontrei, mas também pelas cores da bandeira da Paraíba que foram bem combinadas e  ficaram bonitas na magrela.

Infelizmente  por falta de tempo não posso fazer qualquer avaliação sobre o programa cujo enfoque  é na falta de transporte, principalmente da zona rural, para o deslocamento de estudantes até as escolas.

No mais acho tem tudo a ver com a CIGAC que se aproxima.

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Produtos, Ações, Redes

Acordo numa véspera de vésperas dessas datas que muitos esperam que mude tudo em nossas vidas, mas que na verdade se tornaram apenas mais daqueles mecanismos da nossa sociedade de consumo. Termo velho aliás esse, sociedade de consumo. Será que ainda é só isso? Posso até dizer que tá ficando cada vez mais difícil de analisar o que ocorre ao nosso redor, principalmente pra esses indivíduos assim como eu que ainda ficam analisando. E não é só a questão do pesquisador não, como poderiam dizer alguns: ahhhh … é a tua pesquisa, né? Não tem nada a ver com a minha pesquisa e tem tudo a ver, porque eu já não venho separando as coisas tem um bom tempo. Aliás, comecei a pesquisa buscando justamente isso, que minha vida, as aspirações, as atuações, as amizades e o querer um mundo menos sacana fossem o fundamental de um processo que para muitos é apenas um processo técnico. Não é meu caso. E aqui, falar desse acordar é trazer a espontaneidade das conversas, com afinidades e percepções que vamos assimilando nas pessoas que nos dizem coisas mais no fundo, que nos falam com um nítido olhar para a além das superficialidades de todas essas dinâmicas de “redes”.

Foi respondendo ao e-mail de uma dessas pessoas hoje, logo após acordar, que senti a necessidade de falar dessa questão dos produtos, das ações e das redes. Inicialmente dos produtos, porque a conversa girava em torno disso, de como essa conversa da cultura digital, das redes na cultura digital, de como os mecanismos pegam um monte de experiências e pessoas como produtos que capitalizam, movimentam, monetizam e constroem as realidades interessantes para diferentes instâncias: empresários, governos, indivíduos e tudo isso misturado, porque no meio do tumulto da produção não dá pra distinguir.

É um processo de produção muito específico esse das redes da cultura digital mas ao mesmo tempo não foge aos princípios básicos daquela lógica da produção-consumo com a qual estamos acostumados nos produtos ditos “tradicionais”. Não vou me estender aqui nas análises das especificidades ou diferenças desses processos, porque é uma ação que merece pesquisa, método e tempo. Mas não poderia deixar de registrar isso, porque parece que não é algo facilmente perceptível por algumas das pessoas envolvidas. O que preocupa, porque as pessoas e suas ações nesse cenário são, quando não o próprio produto, componentes fundamentais dos produtos. O que minha possível futura amiga diz é que uma vez que já se está na feira fica difícil de se perceber como produto nesse processo. Não sei. Tenho difficuldade de ver as pessoas envolvidas nesses processos, especificamente as que me trouxeram o insight inicial dos produtos na feira da cultura digital, como alienadas nesse ponto, como não conscientes, como se isso fosse algo muito difícil de compreender.

Quanto às ações e redes, são a parte mais legal e ao mesmo tempo mais intrigante de falar por aqui, dentro de uma lógica e prática que já venho exercitando tem um tempo. O que acontece quando alguém com quem me relaciono quase que exclusivamente pela Internet me chama a atenção para algo e me faz ter vontade de escrever para o online é buscar imediatamente o link para citar essa pessoa. Só que nesse processo, no resgate dos links, acabo relendo coisas que essas pessoas escreveram e isso vai gerando sentimentos, percepções, novos insights que alguma medida estão associados até à noção de reacesso que gerou este espaço de escrita aqui. Pois bem, no caso de hoje o que reencontrei foi uma análise muito inspirada e sutil de questões entre consumo e redes sociais que me transportaram imediatamente para o nosso contexto de ações e redes. Lendo eu tive o impulso inicial de dizer: “mas não é assim apenas nas redes sociais online, nossas redes analógicas são essencialmente isso também”. Será?

Não vou linkar o conteúdo. Algo me diz hoje que não é para ser linkado. Também não me pergunte o porquê, não saberei responder. Quer dizer, até penso que sei, mas também sei que tem muito mais que escapa (termo que ouvi muito da minha companheira nos últimos anos) a esse saber. O reacesso da noção com redes e ações é uma daquelas serendipidades desses dias das vésperas, não esquecendo claro que, do “real” que haja nisso tudo, essas redes precisam ser consideradas como apenas uma das redes do processo das redes nas práxis metafins. Questão teóricometodológica de abertura de visão e de possibilidades.

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Práxis MetaAfins: Fechando/Abrindo Ciclos

Entre 2 e 4 de dezembro agora (2011), como mostram os posts anteriores,  estive no Rio de Janeiro participando do Festival Internacional Cultura Digital.Br,  uma ida  viabilizada pela proposta aprovada da Desconferência MetaRec. A dinâmica do festival foi muito própria do que me parece ser o fluxo de tentativas de estabilizar as coisas que estão circulando principalmente na megatag #artetecnologiapolítica. Definir qualquer coisa alí era demarcação de posição. Tristemente, em muito do que vi e não vi, posições com pouco de coletividade, com tons individualistas nas disputas por espaços de ação.

A festa talvez tenha sido o traço da nossa brasilidade mais interessante por lá, lembrando uma coisa que Felipe Fonseca já andou falando por aí. Boas festas, institucionais ou não. Já os contrastes, os contrapontos, as alteridades, pelo menos do que eu vi/percebi, estão em significações que requerem muito mais assimilação do  que a superficialidade daquilo tudo permite. No final das contas, a nossa cultura digital ali talvez tenha sido apenas mais das manifestações das nossas redes analógicas (comparação que alguém também andou fazendo por lá). A fronteira do digital, e isto cada vez passa a fazer mais sentido, nunca existiu.

Na [Des]conferência Tecendo Redes mais ou menos 25 pessoas pegaram mo microfone para se apresentar, num estranho ritual que, como foi comentado posteriormente, para alguns já parece não fazer mais sentido. Viviane Nonato fez falta, e isso foi outra estranheza dessas expectativas que construímos em torno de tudo. Alguns mais que outros, claro.

Perdido na tentativa de assimilação de todas as imagens, agências, cochichos, sorrisos, inquietações, indiferenças que me circulavam consegui anotar pouco além do nomes dos que se apresentaram. Mas a experiência foi única, aprendizado, como sempre tem sido com a MetaReciclagem. Já no finzinho da conversa em roda me dividi entre prestar atenção em quem falava e olhar ao redor para os outros movimentos, para o vai e vem de alguns de nós na roda, até que eu mesmo não resisti e levantei para falar com alguém que estava por perto enquanto o microfone continuava passando e… de repente, já estávamos na festa de encerramento. Ciclo fechado, ciclos abertos.

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FICD.Br, Começando

O festival neste primeiro dia se mostrou como uma grande festa, marcada caracteristicamente pelo cocktail de abertura. Talvez por ter se iniciado com o nome de Fórum da Cultura Digital, e de certa forma isto ainda estar como uma marca forte na minha cabeça, a expectativa de festa a qual eu deveria ter associado imediatamente a festival(claro) não é  a motivação maior da minha presença aqui. Não dá pra acompanhar tudo, claro, como sempre. Mas dos recortes, do meu trânsito, no feeling, o que me provoca questionamentos inicialmente é a questão da consciência.

As marcas discursivas de hoje nos espaços que se abriram com os microfones são apenas detalhes. A azaração “política” é o mote. Mas que “política” e essa? Para a MetaReciclagem, com toda a minha licença construtiva do movimento, o que se avizinha parece interessante. Principalmente porque a política que vejo agora é muito mais a do afeto, da construção das alternativas.

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MetaReciclagem Tecendo Redes: Chegada

Acabei de chegar para a Desconferência MetaRec no Festival Internacional Cultura Digital no Rio de Janeiro.
Estamos nos acomodando na Lapa, subida pra Santa Tereza e logo mais vamos nos deslocar para o MAM, sede do evento. Da rede metarec encontrei logo de cara com a Lelex e depois com  Sília Moan, Meiry Coelho e Marcelo Braz.
Tem mais uma galera pra chegar hoje à tarde. O que vai ser desse encontro ainda nem dá para imaginar. Na cabeça agora, sem olhar os objetivos que colocamos no projeto, lembro que vamos falar sobre o Encontrão Tropical a ser realizado em maio de 2012 em Ubatuba.
Vim com uma coisa na cabeça em relação a isto. E acontecimentos ação d recentes, com passagens, grana, outras coisas reforçaram meu pensamento.
Trata-se justamente das estratégias de custeio dos deslocamentos, como construir isso sem depender de edital, de ministério?
Vamo que vamo e segue o barco.

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MutGamb: O que une/separa?

O que nos une? A pergunta foi feita para o “coletivo editorial mutgamb” logo após o debate no lançamento do livro do efeefe em Ubatuba, onde estamos em reunião para definir rumos, afinar propostas, idealizar orçamentos etc. Tão pertinente quanto esta pergunta uma outra poderia ter sido colocada logo em seguida por um de nós, o que pode nos separar? E isso importa?

Essa ação /conversa que estamos tendo por aqui é algo que tem um padrão, um vínculo ordenado. Mas isto não é algo objetivo, evidente, claro. Ou melhor, há clarezas sim, mas não aquelas possíveis de serem delimitadas apenas em discurso. Porque é a ação que acompanha o discurso que dá sentido a todas as propostas aqui discutidas e que faz com que estas propostas se tornem reais. O que cada um de nós vai fazer com a tag “mutgamb” logo em seguida a este encontro pode fortalecer o que nos mantém juntos ou não. Mas, que importância tem para cada um de nós “estar juntos”?

Das coisas que me vem à cabeça agora, pensando nessa questão do estar juntos e de sua importância , algo que surge é a consideração de que não somos inicialmente um agrupamento espontâneo. O mutgamb é uma intervenção planejada na rede de comunicação e informação da MetaReciclagem, ou melhor dizendo, é algo inicialmente estruturado para agir em torno da rede relacionamentos, comunicação e informação da MetaReciclagem e potencializar, articular, dar visibilidade à MetaReciclagem que queremos. Uma estratégia de permanente demarcação, legitimação, fortalecimento dos ideais e práticas que se associam à MetaRec formando um comum de entendimentos, de desejos, de vontade de construir coisas juntos. Um comum que se coloca como um ponto de passagem interessante para as articulações com a rede , enquanto rede, da rede. Para que juntos acolhamos o novo, o diferente, o “outro” que será o “mesmo”. Ou, como não pode deixar de ser, o “mesmo” que será o “outro”. Mas nada fixo, nada definitivo, sempre fruto das associações com o comum.

Mas ter sido algo planejado não quer dizer que o agrupamento que hoje somos, de pessoas, concepções, técnicas e qualquer outro elemento que queira ser destacado, não pode vir a gerar (ou já tenha gerado, esteja gerando) várias ligações espontâneas. Algumas destas ligações podem até manter o nome de “mutgamb”, ou os ideais em torno do que foi inicialmente planejado. Mas outras ações, práticas, conceitos também emergem. E essa emergência talvez seja o mais legal disso tudo. A separação de alguns elementos com o passar do tempo é algo inevitável. Talvez o que fique, o que mantenha a união, possa ser pensado justamente como a diferença, a distinção, ou a consciência de alguns destes fatores que constituem esse comum em permanente construção.

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Novas Formas de Organizar, Redes e Administração

Uma das minhas principais  preocupações como administrador, e como profissional que atua na formação de administradores, é com a natureza do conhecimento trabalhado em nossa área. Ou melhor, com a pertinência e adequação deste conhecimento para práxis. Principalmente em processos que ensejam possíveis novas formas de organizar e que levam à necessidade de novas formas de compreender.

A formação dos administradores está essencialmente atrelada à gestão empresarial, ou, como já falei em outras ocasiões, à tecnologia de gestão empresarial. As práticas, os conceitos, a ideologia, as construções discursivas, tudo está profundamente enraizado no pensamento de desenvolver empresas, que pode ser resumido à criação e manutenção de vantagens competitivas.  E assim todos os possíveis significados e práxis da administração acabam sendo reduzidos a esta perspectiva.

A redução da administração à perspectiva empresarial preocupa por dois motivos. Primeiro porque há realidades de gestão  em que não faz o mínimo sentido operar nesta lógica. Segundo porque a própria lógica da gestão empresarial parece estar se desgastando, perdendo o fôlego, conforme as pessoas despertam a cada dia para noções como a de comércio justo, economia solidária, autogestão e auto organização.

Neste post me concentro no primeiro motivo, o de que em certas realidades não faz sentido operar com o conhecimento da gestão empresarial. E neste caso a realidade para a qual direciono meu olhar é a das redes auto organizadas. Contexto que propaga-se como novo, com lógicas e características distintas das concepções tradicionais de organização.

Como atuante da rede Meta Reciclagem sempre trabalhei com a ideia de que o  conhecimento da administração, preso na camisa de força da perspectiva empresarial, não dá conta dos processos disso que se convencionou chamar de rede auto organizada.  Simplesmente porque para isso teríamos que de alguma forma relacionar a MetaReciclagem com uma percepção organizacional que entende a organização como uma entidade, como um macro-ator, como um sistema de fronteiras definidas que opera trocas com um ambiente. Vendo desta forma estaríamos sempre lidando com problemas que se apresentariam em função das limitações do objeto “organização”, das características da organização, das contingências que moldam a estrutura e o desempenho de uma organização.

Mas  o  próprio conceito de organização enquanto sistema já não anda muito bem na atualidade. Segundo a pesquisadora polonesa  Barbara Czarniawska nos dias atuais é fácil perceber que a noção de organização vinculada à teoria de sistemas sofre de uma certa inconsistência. O ambiente não pode ser tido como um tipo de conjunto de problemas pré-existentes dentro dos quais uma organização ou um organismo está inserida. As fronteiras, por exemplo, só podem ser vistas quando pensa-se a “organização” de forma estática.  E mesmo no universo empresarial,  nos casos de  fusões, aquisições, outsourcing, insourcing etc, a idéia de fronteiras se torna frágil.

Para sair da armadilha da organização sistema, entidade,  é preciso compreender a organização como um processo contínuo, em permanente construção, sempre incompleto e sendo recriado diariamente. Concepção que forma a base de pensamentos processuais nos estudos organizacionais. Assim, estimulado por algumas discussões que vinham ocorrendo nas últimas semanas na lista metareciclagem, organizei e enviei para a lista  uma proposição em torno das distinções entre conceito, rede e lista no caso MetaReciclagem .

Meu e-mail para a lista resultou em algumas interlocuções interessantes, dentre elas:  a associação da minha percepção de “repetições” à “repetição” na filosofia de Deleuze;  a visualização do “novas iterações” no lugar da “repetição”;  a demarcação do que é um conceito;   a proposição de que estou falando de “prática articulatória e mais alguns questionamentos e colocações que dá para conferir direto lá na thread.

No texto enviado para a lista, e que retomo aqui com alguns ajustes, parto da afirmação feita pelo Adriano Belisário de que o conceito de MetaReciclagem anda muito bem e o que precisamos é fortalecer a rede.  E sigo dizendo que entendo a ideia da distinção entre conceito e rede como uma possibilidade interpretativa e  que de certa maneira concordo com essa possibilidade. Por outro lado,  com base em meu treinamento recente tento não fazer distinção entre rede e conceito, uma vez que o conceito ( e mais adequado seria dizer os conceitos) compõe as redes.

Ao invés de ver a rede como “uma rede”, “a rede”, talvez seja mais interessante ver que MetaReciclagem circula e forma muitas redes, sempre instáveis, sempre incompletas, sempre em formação. A cada associação em que é evocado um conceito/compreensão/ideia de metareciclagem estão se juntando ali redes para a formação de uma outra re de, insisto, todas instáveis e em mutação contínua.

Nossa proposta de desconferência para o FICD.Br mostra  muito claramente essa circulação do conceito. As duas pessoas que aceitaram o desafio de começar a escrever a proposta jamais debateram na lista o conceito de metareciclagem, mesmo assim algum conceito/compreensão/ideia circulante foi convocada para estabilizar uma rede para a desconferência. Esta é apenas uma das redes das diversas redes metareciclagem estabilizadas temporariamente em algum momento para dar conta da interlocução com institucionalidades e com os próprios agentes de formação da rede: conceitos, técnicas, objetos,gente. Tudo agindo, performando uma rede repetidamente, consequentemente lhe dando existência.

A rede existe na repetição da performance de seu componentes, que por outro la do são redes também, estabilizadas em função de uma performance que compõe o desempenho de outras redes. Então os conceitos e as redes metareciclagem nesta perspectiva não podem ser vistos como indo bem separadamente um do outro. Se “o conceito” (que são muitos conceitos) vai bem, o conceito em si é rede e compõe redes, que por extensão vão/estão bem.

E pegando carona na não distinção entre conceito e rede procuro não distinguir também rede de lista. Porque, da mesma forma que os conceitos, as listas compõem as redes. Se aceitarmos o argumento de que as redes são compostas pela associação entre outras redes, a lista MetaReciclagem é a cada mensagem, que pode ser vista como uma rede, uma nova rede. Esta rede que é a lista MetaReciclagem, para a rede digital resumida às rotinas de arquivo e organização de dados dura o tempo da próxima mensagem chegar.

Já para outras associações, extrapolando rotinas e processos eletrônicos, podemos também procurar conexões com a lista metareciclagem. Redes de redes compondo redes. E aí cabe uma pergunta interessante. Como esta percepção se conecta com as “outras redes” do cenário contemporâneo que estão aí sendo colocadas como “novas formas de organizaç ão”?

Uma primeira compreensão possível é a de que a mesma noção de repetição, instabilidade, mutação contínua talvez seja pertinente, com elementos-processos semelhantes mas certamente com  outros completamente diferentes.  Só que aqui se apresenta mais uma vez a limitação do conhecimento da administração essencialmente atrelado à prática empresarial. É ferramenta sem qualquer utilidade neste universo. Nós os administradores ainda precisamos avançar muito nas formas de compreensão do universo da organização distintos do universo empresarial.   As conexões entre as práticas, as redes e o conhecimento da administração  estão ainda muito frouxamente articuladas no nosso espaço de formação.  Essa discussão simplesmente não chegou ainda, não se colocou como horizonte, não  está sendo construída  como realidade de operação do administrador. Logo,  estamos naquele contexto: se você não vê então isto não existe.  Viu?

Nas próximas semanas estarei participando do encontro do MutGamb em Ubatuba-SP e logo em seguida da [Des]conferência.MetaRec>Tecendo Redes no FICD.Br no Rio de Janeiro. Espero ali estar em criações, recriações, repetições de conexões, práticas articulatórias que nos ajudem a avançar neste sentido da práxis da administração no contexto dos processos de organização como os da MetaReciclagem, o que eu muito carinhosamente  chamo de Práxis MetaAfins.

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Para os Administradores do Século XXI

A regulamentação da profissão de administrador no Brasil data 9 de setembro de 1965, por isso a comemoração do dia do administrador. Em minha limitada visão há pelo menos dois pontos de destaque no cenário de regulamentação da profissão e  estabelecimento da área de ensino no Brasil  que se mostram muito interessantes para investigações /discussões da ação de administrar no século XXI. Olhando para trás, para cima, para baixo e para frente ao mesmo tempo.

O primeiro ponto é a presença do termo “técnico” no início das formulações legais da profissão. A profissão foi inicialmente regulamentada como “Técnico em Administração”. Apenas vinte anos depois, 1985, consegue-se a mudança para “Administrador”. Mudança que, segundo o CRA-SP, foi fruto de uma luta de 10 anos.  Uma das  questões que me vem imediatamente quando penso naquela realidade é a de quais eram as denotações e conotações que o termo “técnico” assumia no Brasil na segunda metade do século XX. Mais especificamente, quais eram as compreensões deste “técnico” na disputa que envolveu a mudança de “Técnicos de Administração” para “Administradores”? Se houve luta, quais as motivações dos diferentes lados na disputa? Taí uma investigação histórica que pode ser bem interessante.  Mas quisermos  deixar para trás o passado (como se isto fosse possível) e pensar apenas no futuro ( que está muito mais para presente) podemos pegar um termo similar, derivado mas diferente, que talvez ajude: “tecnólogo“. Já pensou?

O segundo ponto que destaco no cenário brasileiro de estabelecimento do “administrador” é nossa tutoria estadunidense, materializada principalmente no convênio da FGV com a USAID e a Universidade de Michigam. Historinha bacana que você pode conferir, dentre outro lugares, no site do CFA. Depois de assimilar a simbiose entre o  domínio estadunidense, as grandes corporações da segunda metade do século XX e a profissão do administrador, olhe para a situação dos E.U.A hoje, para o histórico de atuação corporativo principalmente pós II G.G. e para a situação do desenvolvimento ao nosso redor e me diga: Como seria se fosse hoje? Ainda criaríamos uma profissão essencialmente atrelada à visão estadunidense e corporativa do mundo?

Comecei  a entender o que chamo hoje de  ”vinculação ideológica dominante na Administração”  depois que tomei contato com a crítica de  Aktouf  ao pensamento porteriano. Isto foi logo no início do meu mestrado e apenas alguns meses depois de ter defendido uma monografia de graduação essencialmente porteriana. Irônico, se não fosse triste. O choque daquele encontro foi certamente o que definiu este meu direcionamento, esta  minha inclinação ideológica que a partir de então só passou a ser reforçada nas buscas  (e encontros)  das minhas interpretações  do fazer acadêmico práxis.

Na práxis dos movimentos, dos fluxos,  das actor-networks que acompanho atualmente  vejo necessidades de administração completamente inadequadas para  pensar /fazer orientadas pelo viés dominante. Ao mesmo tempo infelizmente estas realidades  me parecem impregnadas (principalmente de forma inconsciente acredito eu )  por aqueles significados da administração. E claro, estão também inevitavelmente imbricadas em fluxos onde a vinculação dominante é  a ordem da casa.

A redução de todos os possíveis significados e práxis da Administração à vinculação dominante é algo que se opera muito facilmente em nosso meio,  com poucos questionamentos . Um exemplo bem simples de como isto se dá é o da prática discursiva da “empresa social”, ou “negócio social” etc. Noções que  estão no cerne do que propõem iniciativas como as de  Paul Polak ou do Next Billion.  Para mim este tipo de solução nos desvia da busca por soluções mais apropriadas para cada coisa distinta. Principalmente porque impõe para outros aspectos da vida o padrão cultural da solução “negócios”, da lógica empresarial, de práticas que se por um lado alavancaram certo tipo de crescimento e desenvolvimento, por outro também produziram muito do estado de degradação das atuais sociedades.

Ficam aqui então o meu dois centavos de contribuição para as comemorações nesta data. Enfatizando, de acordo com os dois pontos destacados, primeiro a atenção para importância de uma compreensão mais aprofundada da nossa relação com a técnica, com a tecnologia. Como esta relação se dá? Como fazemos o que fazemos junto com a técnica? O que a técnica faz conosco? Segundo,  relembrando a vinculação ideológica dominante em nossa área, será que realmente é necessário mantermos uma formação ideológica tradicional (leia-se aquela vinculada ao interesses dos E.U.A – ou outros “líderes” mundiais –  e das grandes empresas )  para apenas a partir das pós-graduações abrirmos espaços para as desconstruções? Enfim, que Administradores queremos para o século XXI?

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Filosofia, Antropologia, Sociologia e Administração

Os bacharelados em Administração com os quais tive contato  seguem uma lógica de ofertar disciplinas como Filosofia, Sociologia e Antropologia logo no começo do curso. Disciplinas que cada uma delas, é preciso destacar,  além de ter que cumprir a proeza de dar conta de um mega resumo de toda uma área do conhecimento, deveria trazer à tona relações entre a área em foco e a Administração. Aliás, no caso da minha graduação (e já ouvi falar por aí que em muitos casos) a segunda parte, ou seja, a abordagem da relação destas áreas do conhecimento com a Administração,  simplesmente inexistiu.

O que motivou este post  foi o twitt da flaviansn sobre ser melhor cursar filosofia e sociologia a partir do 5º período do seu curso. Pra mim este é o tipo de conversa que não dá pra ficar só no twitter. Porque tem aí um emaranhado de coisas a serem destrinchadas.

Nem vou buscar agora os históricos  (não dá, a pesquisa pra essas coisas e os achados levam a tantos caminhos que acho que o post não sairia em menos que 5 ou 7 dias) mas tenho aqui uma construção mental  que me diz que esse lance das disciplinas de ciências sociais e/ou humanidades no início do curso deve ter a ver com  uma linha de  pensamento que segue mais ou menos  a noção de que é possível preparar os estudantes , dar-lhes uma base , para compreensões mais adequadas das disciplinas posteriores específicas do foco de formação, no caso a Administração.

Se esta minha construção mental existe ou não é coisa a ser investigada. Se esta  existência for “real” o questionamento fica em torno dos porquês, de onde etc. Por que acredita-se que este tipo de abordagem embasa o estudante? De onde vem essa crença afinal? Existe contraponto a esta suposta crença?

Bem, como estou no fluxo de economia de pesquisas que me tiram do foco  para algumas coisas às quais preciso me ater mais ultimamente, não vou encarar esta investigação agora. Por outro lado não poderia deixar de emitir aqui uma opinião, que tem como fundamento  exclusivamente minha experiência pessoal, portanto precisa ser , e muito, ponderada.

Para mim filosofia, sociologia e antropologia deveriam ser lecionadas não apenas no  começo nem meio do curso, mas durante o  curso inteiro. É uma proposição extremamente complexa, entendo eu, mas será que valeria à pena ser pensada.

Aquí entro  numa proposição que é na verdade um questionamento sobre a pertinência da formatação das nossas graduações atuais em administração. Faz sentido pensar ainda em áreas funcionais? “Ensinar” Marketing, Gestão de Pessoas, Gestão da Produção, Sistemas de Informação etc. Isto faz sentido ainda? Ou será que os clamores sobre as limitações da fragmentação e especialização do conhecimento, como em Capra e Morin, ou a negação do projeto  moderno,  como em Latour, nos permitem querer começar a pensar em outros caminhos?

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Organização, Projeto ou Design?

Design é um termo que me parecia bem outra realidade, nada a ver comigo, até que martelou, martelou, martelou, martelou na minha cabeça e me fez lembrar de coisas  que já me incomodavam faz um tempo mas  eu nunca tinha  parado para falar sobre. O mote para esta conversa é uma tradução de um título de livro que,  desde que tomei contato com, me incomodou. “Organizações: Teoria e Projetos” definitivamente é algo completamente diferente de “Organization Theory and Design“.

by David Armano

De cara, mesmo sem avaliar os pequenos detalhes de tradução do conteúdo (uma empreitada que nem sei se é válida*), podemos ver  um víes e uma distorção que nos aproximam de algo e  nos afastam de outro algo.

O víes nos aproxima de um fluxo, uma tendência, um “paradigma” dominante, enquanto que a distorção nos afasta, ou até elimina, completamente de possibilidades de compreensão bem mais plurais e ricas,  em favor de uma muito mais restrita e tecnicista  compreensão do organizar.  Vou tentar aqui então fazer um resumo da percepçao desta aproximação e afastamento simultâneos.

Primeiro o viés, que  se apresenta quando o termo “Organization Theory” é traduzido para “Organizações: Teoria”. A colocação do termo “organization” no plural e estes dois pontos desnecessários logo após,   enfatizam o viés, a postura ontológica que a teoria de organização abraçou criando seu objeto, as organizações, enquanto entidades com fronteiras delimitadas e uma relação com o “ambiente”.  Esta é uma estória interessante, se pensarmos que organização é em primeiro lugar um verbo. Quando tranformamos organização num substantivo tudo  muda, tudo assume outra conotação. E, segundo algumas pessoinhas interessantes que ando lendo, uma conotação bem mais limitada e restrita.

Segundo, e podemos dizer o principal  motivo deste post, quando traduzem “design” para “projeto” me parece que  eliminam uma boa possibilidade de expansão conceitual. Ora, se o autor estivesse pensando simplesmente em projeto porque utilizaria o termo “design” ao invés de “project“? Quando Daft fala em “organization design” está claramente indo além de projeto. Seu foco é no desenvolvimento e construção dos aspectos internos da organização, nitidamente orientado pelo que aprendemos a chamar de paradigma funcionalista e pelas premissas contingenciais.  Quais nuances, percepções e entendimentos podemos tirar deste uso do termo de design? Que outros  ”design” podemos pensar,  em organização, para além deste quadro de referência?

Questões  amplas que se tivessem que ser trabalhadas “cientificamente” precisariam de uma delimitação muito mais específicica, focada, afunilada na lógica do trabalho acadêmico em teoria de organização, claro. Mas isto aqui é apenas um post de registro de inquietação, percebe?  Seguimos com nossos projetos. Ops, peraí, ou seria com nossos designs?

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* A dúvida na validade de um tipo de avaliação como esta se dá pelo fato de que a hegemonia da teoria de organização funcionalista é tão forte, destacada, estabelecida como verdade, que investigar quaisquer de sua proposições se torna um circular em torno de conceitos e compreensões totalmente destacadas do “mundo da vida”. Tem horas que não dá pra aturar. Só isso.

zemanta

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Administração, Organização, Organizing e Web 2.0

As iniciativas em torno do conhecimento da Administração na Web 2.0 (ciente de todas as críticas que o termo merece)  estão por aí. É o que se vê no excelente trabalho do @roneileonel com o blog Administração e Organização ,  que encontrei por acaso procurando por livros do Simon.

No blog Administração e Organização a gente  encontra toda uma preocupação em disponibilizar/orientar/aprender informação acadêmica relevante e responsável sobre Administração. De forma sistematizada e organizada,  nas formas que a tal da Web 2.0 supostamente  nos permite produzir/consumir,  mas também para além das determinaçõs do projeto da tecnologia. Ou como tenho gostado de sempre retentarentender na filosofia submidialogia:  ”a arte de re:volver o logos do conhecimento pelas práticas e desorientar as práticas pela imersão no sub-conhecimento”. E assim estamos contruindo a Administração, a  Organização e  o Organizing.

Minha inquietação  com a relação entre a Internet e a construção/translação de uma “nova” concepção da Administração é de sempre. Fica sempre martelando por aqui a visão de que essa expansão da interação pode ajudar a reconstruir esta nossa prática/ciência/ação/ideologia.  Soltei algumas falas ingênuas sobre o assunto em 2008, mas nunca parei para organizar nada especificamente voltado para o conhecimento em Administração na Internet. Apenas uma iniciativa tímida e visualizada para ser colaborativa com o QualisADM.

Nos últimos 6 meses me afastei de quase tudo da intensidade da Internet. Estado em que manterei por mais algum tempo para dar conta das prioridades. Mas tudo está interligado, não é mesmo? E as coisas surgem, independente das nossas procuras,  visões,  vontades.

No final do ano passado dei uma ajustada no texto de 2008 para publicar no mutsaz Janx, mas recentemente comecei a pensar que o caminho precisa ser outro, que esta concepção ingênua precisa sair de um post de blog e virar ação também na própria academia, para ter a academia soprando junto.

Os questionamentos da administração, da nossa formação, dos nossos cursos, como em Nicolini (2003) ou da  práxis, como em Misoczky e Amantino-de-Andrade (2005), parecem ser incipientes. Mas acho que é preciso acreditar que as coisas mudam, lentamente mas mudam.

Referências

CZARNIAWSKA, Barbara. A theory of organizing. Cheltenham, UK; Northampton, USA: Edward Elgar, 2008.

LATOUR, Bruno. What’s organizing? A meditation on the bust of Emilio Bootme in praise of Jim Taylor. Palestra ministrada na Universidade de Montreal em 21 de maio de 2008. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=TZkJg1HsvRs>. Acesso em: 16 jan. 2010.

MISOCZKY, Maria Ceci; AMANTINO-DE-ANDRADE, Jackeline. Tréplica: quem tem medo do fazer acadêmico enquanto práxis?. Rev. adm. contemp.,  Curitiba,  v. 9,  n. 1, Mar.  2005 .

NICOLINI, Alexandre. Qual será o futuro dasfábricas de administradores?. Rev. adm. empres.,  São Paulo,  v. 43,  n. 2, Jun.  2003 .

SUBMIDIALOGIA: A arte de re:volver o logos do conhecimento pelas práticas e desorientar as práticas pela imersão no sub-conhecimento. Diponível em: <http://submidialogia.descentro.org/>. Acesso em: 28 ago. 2010.

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mitoreciclagem com água

Em meio a tantas incertezas talvez sempre exista o medo de algumas certezas. Clichê? Não sei. O que sei é que alguém que admiro e que fala ao meu coração retomou mais um elemento, mais um componente, ou talvez:  O elemento, O componente, nas reconstruções contemporâneas dos existires aos quais me vinculo. Daniel Duende strikes again. Não preciso falar muito sobre isto por enquanto, o mito fala por si.

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Digital em Ação

De início, linguagem e comunicação

12-channel DVR

Imagem by public.resource.org via Flickr

Conversar numa mesma língua não quer dizer partilhar significados. Ainda muito no “senso comum”, e me sinto completamente à vontade para dizer isto aqui porque é justamente do disfarce de compreensão “científica” que quero me distanciar, entendo que como compreendemos um discurso, expressões em contextos, falas, textos, narrativas, se insere em construções teóricas de certo milhar de anos (ocidentais) de tradições de pensamento e, mais recentemente, em algo que não deve ser tão complicado achar por aí com o nome de “virada lingüística” ou algo similar. Portanto, colocar-se no direito de falar sobre linguagem / comunicação “cientificamente”, ou, melhor dizendo, de um certo lugar “acadêmico”, deveria ter implícita toda esta bagagem. Isto, ficando apenas no campo que já vi em alguns lugares ser nomeado de “filosofia da linguagem”, sem tocar na lingüística ou na psicanálise por exemplo.
Portanto cabe marcar desde o começo que aqui faço apenas registros textuais, tentativas de estabelecimentos de simbologia para conexões entre significações. O que isto quer dizer? Bem, essa significação é o mistério dos coletivos aquilo que não está na racionalidade de uma semântica ou dicionário. Estamos fazendo isto juntos, não posso falar o que é sozinho, separar minha parte, sua parte, não vale à pena. Simplesmente elimina todo e qualquer sentido desta argumentação. O fazer da racionalidade moderna tem sentido ainda? Então, ainda que nas limitações de um texto, não é essa a proposta.
O que se segue então é algo que nunca sabemos o que é. Quando precisamos fechar um registro para aparição em púbico, damos então a cara de “fechamento” que a ação requer e seguimos. Uma compreensão interminável. Seja com o termo “inclusão digital” seja com outros que queiram falar dos mesmos sentimos, percepções, realidades, práticas que observamos.

continua….

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Resgate de um rascunho metarecicleirx http://rede.metareciclagem.org/wiki/InclusaoDigitalOrlando

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O que é Actor-Network Theory

*Actor network theory (ANT) é uma família de abordagens para a análise social que se apoia em seis pressupostos centrais. Primeiro, trata instituições, práticas e atores como materialmente heterogêneos, compostos não só de pessoas mas também de tecnologias e outros materiais. Segundo, assume que os elementos que constroem as práticas são relacionais, alcançam sua forma e atributos somente na interação com outros elementos. Nada é intrinsecamente fixo ou tem realidade fora da trama de interações. Terceiro, assume que a rede de relações e práticas heterogêneas é um processo. Se as estruturas, instituições ou as realidades não são continuamente representadas então elas desaparecem. Quarto, assume portanto que as realidades e estruturas são incertas, em princípio, se não na prática. Quinto, isto implica que o mundo poderia ser diferente, uma sugestão que abre interessantes possibilidades políticas. E sexto, explora como ao invés de porque realidades são geradas e mantidas. Isto porque até mesmo as causas sociais mais óbvias são efeitos relacionais e, portanto, elas mesmas sujeitas a mudança.

Figura da folha antes do sumário no livro Reassembling The Social (Bruno Latour)

A ANT  desenvolveu-se inicialmente nos anos 1980 em Paris, com o trabalho de autores como Michel Callon, Bruno Latour (Ciência em Ação,  1987) e John Law (Organizing Modernity, 1994). Ela cresceu (e cresce) através de estudos empíricos das tecnologias, práticas das ciências, organizações, mercados, serviços de saúde, práticas espaciais e do mundo natural. De fato não é possível apreciar a ANT sem a exploração de tais estudos de caso. Filosoficamente a ANT deve muito a Michel Serres (1930-5) e é geralmente pós-estruturalista em inspiração. Partilha então com os escritos de Michel Foucault uma preocupação empírica com padrões material-semióticos de relações, embora os padrões que distingua sejam menores em escopo do que aqueles identificados por Foucault.

A abordagem é controversa. Primeiro, uma vez que é não humanista, analiticamente não privilegia nem as pessoas nem o social, o que a diferencia de muito da sociologia em língua inglesa. Segundo, uma vez que oferece relatos de como, em vez de porque instituições tomam forma, é por vezes acusada de fraqueza explicativa. Terceiro, críticos de abordagem política sugeriram que ela é insensível ao “trabalho invisível” de agentes de baixo status. Quarto, tem sido acusada em algumas de suas versões anteriores de um viés para a centralização, ordenação ou mesmo gerencialismo. E quinto, feministas têm observado que a ANT tem mostrado pouca sensibilidade para a corporificação (ver corpo). Se estas queixas são atualmente justificadas é um questão para debate. Na verdade, a ANT e provavelmente melhor vista como um jogo de ferramentas e um conjunto de sensibilidades metodológicas do que como uma única teoria. Recentemente tem havido bastante intercâmbio entre a ANT e as teorias material-semiótica feminista (Donna J. Haraway) e pós-coloniais, e há o trabalho “after-ANT” mais recente que é muito mais sensível à política de dominação, à corporificação, ao “othering”, e à possível multiplicidade e falta de coerência das relações. Uma questão fundamental permanece política. Aqueles escritores “pós-ANT”, como Annemarie Mol (The Body Multiple, 2002) e Helen Verran, argumentam que as relações são não coerentes e produzem versões sobrepostos porém diferentes da realidade, então há espaço para uma política “ôntica” ou “ontológica”sobre o que pode e deve ser tornado real. Isto significa que as realidades preferíveis e alternativas podem ser desempenhadas numa existência ou tornadas mais fortes: a realidade não é destino.

* LAW, JOHN.Actor network theory. In: TURNER, Brian S.(ed.)The Cambridge Dictionary of Sociology. Cambridge: Cambridge University Press, 2006. p. 4-5. * Correções e adaptações minhas a patir da tradução do Google Translator.

A seguir o texto original. Qualquer comentário sobre adequação de termos e sentidos será muito bem vindo!!!!!!!!!!!

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Actor network theory (ANT) is a family of approaches to social analysis that rests on six core assumptions. First, it treats institutions, practices, and actors as materially heterogeneous, composed not only of people but also of technologies and other materials. Second, it assumes that the elements making up practices are relational, achieving their shape and attributes only in interaction with other elements. Nothing is intrinsically fixed or has reality outside the web of interactions. Third, it assumes that the network of heterogeneous relations and practices is a process. If structures, institutions, or realities are not continuously enacted then they disappear. Fourth, it therefore assumes that realities and structures are precarious in principle, if not in practice. Fifth, this implies that the world might be different, a suggestion that opens up interesting political possibilities. And sixth, it explores how rather than why realities are generated and maintained. This is because even the most obvious social causes are relational effects and therefore themselves subject to change.

ANT developed initially in the 1980s in Paris with the work of such authors as Michel Callon, Bruno Latour (Science in Action, 1987), and John Law (Organizing Modernity, 1994). It grew (and grows) through empirical studies of technologies, science practices, organizations, markets, health care, spatial practices, and the natural world. Indeed it is not possible to appreciate ANT without exploring such case studies. Philosophically, it owes much to Michel Serres (1930–5) and is generally poststructuralist in inspiration. It thus shares with the writing of Michel Foucault an empirical concern with material–semiotic patterns of relations, though the patterns that it discerns are smaller in scope than those identified by Foucault.

The approach is controversial. First, since it is non-humanist it analytically privileges neither people nor the social, which sets it apart from much English-language sociology. Second, since it offers accounts of how rather than why institutions take shape, it is sometimes accused of explanatory weakness. Third, political critics have suggested that it is insensitive to the “invisible work” of low-status actors. Fourth, it has been accused in some of its earlier versions of a bias towards centering, ordering, or even managerialism. And fifth, feminists have observed that it has shown little sensitivity to embodiment (see body). Whether these complaints are now justified is a matter for debate. Indeed, ANT is probably better seen as a toolkit and a set of methodological sensibilities rather than as a single theory. Recently there has been much interchange between ANT, feminist material-semiotics (Donna J. Haraway) and postcolonial theory, and there is newer “after-ANT” work that is much more sensitive to the politics of domination, to embodiment, to “othering,” and to the possible multiplicity and non-coherence of relations. A key issue remains politics. Such “after-ANT” writers as Annemarie Mol (The Body Multiple, 2002) and Helen Verran argue that relations are non-coherent and enact overlapping but different versions of reality, so there is space for “ontics,” or an “ontological politics” about what can and should be made real. This means that alternative and preferable realities might be enacted into being or made stronger: reality is not destiny.

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A Rede MetaReciclagem Como Um Ator

A noção inicial era de que as coisas eram feitas de uma maneira bastante espontânea, sem muito planejamento, sem muita formalidade. Mas o que teria  possibilitado construir a crença nesta espontaneidade? As construções textuais em torno da metareciclagem? Ingenuidade? Desejo? Importa nomear?

Agora, à primeira vista, sem verificar os textos que de alguma forma orientaram esta visão, busco resgatar um percurso metareciclagem, de como eu cheguei no site, na lista de discussão, até participar de dois encontros presenciais ( uma semana em janeiro de 2009 na Campus Party em São Paulo e quatro dias e em setembro de 2009 no Bailux Party em Arraial da Ajuda – Bahia)  com algumas pessoas que se autodenominam “metarecicleiros”  e que sempre tenho vontade de grafar  como “metarecicleirxs” para arriscar usar noções simbólicas da práxis.   Além disso, o fato de de que  o que começou como uma pesquisa para se encontrar na práxis continua, atualmente principalmente no mutgamb, me parece requerer apresentar uma auto imagem da minha participação nos processos. Questão de clareza e honestidade para comigo e com os  diversos parceiros.

Comecei em 2008 uma pesquisa, até então ainda informal e bancada com recursos próprios, que tinha como objetivo compreender possibilidades de uso da Internet para o que à época foi chamado de “ação social”.  Os  blogs representavam para mim naquele momento a forma de interação online mais proveitosa para divulgar ideias, estabelecer contato e chegar a novos pensamentos e ações. Eu acreditava que existia um poder nas mídias sociais e neste contexto criei o “netnografando”.

O pouco que eu entendia por  netnografia me  parecia ser o método mais adequado para a investigação na Internet. Desde o começo o que busquei  uma possibilidade de aliar o desenvolvimento de uma pesquisa de doutorado a práticas no contexto Internet e “ação social”. Depois de um tempo vi  que a netnografia, na forma como eu a compreendo,  é incompatível com uma investigação bacana das coisas que venho observando. Simplesmente porque “netnografia”,  na linha do que Kozinets (2002; 2006) propõe,  é numa versão lúdica do pensar só mais um instrumento do imaginário que produz imaginário, ou numa versão mais seca e um tanto dura um passo-a-passo de como dar conta do “conhecimento” de seu “aborígene digital” preferido. O “nome” netnografia em si não quer dizer nada. É usado para se referir a pesquisas de orientação etnográfica na Internet de um modo geral, faz menção ao step-by-step do Kozinets, mas  não problematiza a própria etnografia, suas crenças e pretensões, seus mitos.Por isso se torna pretensão no mínimo ingênua ou “esperta” (no pior dos sentidos).

O mito do antropólogo que vai ao campo e constrói uma descrição cultural (MALINOWSKI, 1932) migra para o “campo Internet”, como se fosse cultura,  mas se esquece pelo menos que trata-se ao mesmo tempo de um artefato cultural,  como  Hine (2000) efetivamente se dedica a mostrar em seu trabalho, chegando a propor inclusive a não distinção entre espaço online e offline como um dos recursos metodológicos necessários  para uma investigação que leve em conta estes dois aspectos simultâneos da Internet, ou  seja, cultura e artefato cultural.

Hine (2000) com  sua etnografia do e no virtual (virtual ethnography) traz uma orientação que mais se aproxima do que eu vejo hoje que  gostaria de alcançar,  que é uma abordagem de investigação com uma proposta antropológica de campo, mas sem  ilusão de que é possível transportar método de “realidade” para “realidades”. Nesse sentido os questionamentos já começam com as propostas de uma  antropologia das ciências (LATOUR, 2000).

Mas, voltando para a questão do fazer  metareciclagem. Lembro que foi um pouco chocante quando finalmente numa discussão sobre o site da rede, no Bailux Party ,  interpretei que existia ali uma alta dose de “planejamento formal”. E mesmo que as pessoas não vejam com esses meus óculos, claro, não quer dizer que isto não exista.  Ainda fico me perguntando até hoje porque o choque. Será que eu vinha querendo fugir de um mundo que está aí, uma discursividade que está aí estabelecida, estabelecendo, em estabelecimento, e sendo apropriada diariamente por todos nós?

As racionalidades da gestão estão atuando no nosso dia-a-dia como agentes nas definições de todos os processos. Tudo é de alguma forma administração e administrado. E as ações trazem as cargas do que já no sentido genérico, percepção geral, foi assimilado da administração, ainda que este nome, na forma do que teoricamente costuma se definir,  não esteja sendo usado ou conscientemente pensado. Mais ou menos isso.

O que vejo  para a administração é que podemos trabalhar em outra sintonia. Entendendo que  isto talvez seja uma impossibilidade prática para a certos setores da  iniciativa privada como operam atualmente. Mas,  ao mesmo tempo, isto é uma necessidade moral paras outros processos de gestão, principalmente aqueles associados às questões públicas.

A questão do público, entretanto, seguindo a orientação que estou assimilando da Actor-Network Theory – ANT, não deveria ser assumida como um macro-ator, um coletivo já estabilizado,  um ser artificial no mesmo sentido que o são Estado e outras instituições ditas sociais. Por que não? Porque desconsideram-se os artificios que criam os atores sociais, as entidades estabelecidas, passa-se a buscar as ações e disputas que ocorrem para este estabelecimento. E para reforçar esta perspectiva uma outra se apresenta que me parece ainda mais coerente. Qual seja, a de que se deve ver logo as  apropriações e usos dessas racionalidades tradicionais da administração em práticas que se propõem inovadoras do nosso tempo, para aí talvez ver o que sobra de inovador nestas gestões. Mas o que eu gostaria mesmo de ver ou de construir nesse processo? Linhas gerais de orientação para os que vem depois? Orientação para fazer o que?

Uma coisa que me parece importante definir de início é o que eu chamo de “a metareciclagem”. A metareciclagem para mim não é apenas uma rede auto organizada nos moldes que se auto apresenta. É rede no sentido que tem o verbo enredar, mas esse enredamento não é  apenas e principalmente de pessoas, há muitos outros elementos socio-ténicos, entidades em disputa, nesse fazer constante de metareciclagem. Metareciclagem é num instante um computador que foi montado de peças que iriam para o lixo, no outro segundo é a metodologia que permite a produção deste computador, para  logo em seguida ser  a filosofia que orienta a reflexão sobre a produção deste computador e uma série de assuntos que gravitam ao seu redor. Ao mesmo tempo dizer isto é muito limitado, é quase a mesma coisa de querer apreender algo com uma netnografia.

Por fim, quero fechar dizendo que até o parágrafo anterior este texto era apenas um rascunho que estava aqui no wordpress esperando para ser complementado,  editado e publicado. Neste momento que estou justamente reconstruindo um percurso,  para tentar definir algo do que pode ser minha pesquisa (acadêmica) e como ela se relaciona com a práxis,  vim buscar auxílio nos blogs. Não está fácil, tem várias coisas na cabeça ao mesmo tempo. Uma das coisas que ando pensando é que,  se eu quiser tentar ver se manifestarem actantes ( noção da semiótica traduzida pela ANT) e como se produzem macro-atores, a rede metareciclagem é apenas um dos macro-atores. Mas, a questão é ver como se produzem macro-atores? Pra quê?  Tenho certeza que os  indícios do que quero / posso fazer de forma a manter a proposta com a qual comecei tudo isso, que é a de não fazer um trabalho apenas acadêmico, estão por aqui e ali nas coisas que tenho escritas e nas que ainda estão por escrever. Há, há, há, dá até pra rir depois dessa frase. Por isso paro por aqui e volto ao meu exercício de tradução.

Referências

CALLON, Michel.; LATOUR, Bruno. Unscrewing the Big Leviathan: How Actors Macro-structure Reality and How Sociologist Help Them to Do So. In: KNORR-CETINA, K.; CICOUREL, A. (eds.).  Advances in Social Theory and Methodology. Boston: Routledge and Keagan Paul, 1981. p. 277-303.

CZARNIAWSKA, Barbara. A theory of organizing. Cheltenham, UK;  Northampton, USA: Edward Elgar, 2008.

DA MATTA, Roberto. Relativizando: uma introdução à antropologia social. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1981.

ESCOBAR, Arturo. Whose Knowlege, Whose Nature? Biodiversity Conservation and Social Movements Political Ecology.  Journal of Political Ecology. 1999.

ESCOBAR, Arturo. Gender, place and networks: a political ecology of cyberculture. In: SCHECH, S.; HAGGIS, J. (eds.). Development: a cultural studies reader. Oxford: Blackwell, 2002.

ESCOBAR, Arturo. Welcome to Cyberia: Notes on the Anthropology of Cyberculture. Welcome to cyberia: Notes on the anthropology of cyberculture, Current Anthropology, v. 35, n. 3, p. 211-231, 1994.

HARAWAY, Donna. Manifesto ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX, In: SILVA, T. T. (org.). Antropologia do ciborgue. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

HINE, Christine. Virtual Ethnography. London: Sage, 2000.

KOZINETS, Robert V. The Field behind the Screen: Using Netnography for Marketing Research in Online Communities. Journal of Marketing Research, v. 39, n. 1, p. 61-72, feb. 2002.

KOZINETS, Robert V. Netnography 2.0 In: BELK, Russell W. (Ed.). Handbook of qualitative research methods in marketing. Northampton, MA: Edward Elgar, 2006.

LATOUR, Bruno.; WOOLGAR, Steve. A vida de laboratório: a produção dos fatos científicos. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1997.

LATOUR, Bruno. A esperança de Pandora:  ensaios sobre a realidade dos estudos científicos. Bauru, SP:  EDUSC, 2001.

LATOUR, Bruno. Ciência em ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora. São Paulo: UNESP, 2000.

LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. São Paulo: Ed. 34, 1994.

LATOUR, Bruno. Reassembling the Social: An Introduction to Actor-Network Theory. Oxford, New York: Oxford Universty Press, 2005.

LATOUR, Bruno. What’s organizing? A meditation on the bust of Emilio Bootme in praise of Jim Taylor. Palestra ministrada na Universidade de Montreal em 21 de maio de 2008. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=TZkJg1HsvRs>. Acesso em: 16 jan. 2010

MALINOWSKI, Bronislaw. Argonauts of the Western Pacific: an account of native enterprise and adventure in the archipelagoes of Melanesian New Guinea. 2nd impression. London: George Routledge & Sons, 1932.

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Uma reflexão com o sertão: tecnologias, água e invernos

Agora no finalzinho de agosto saí de Cabedelo [1] com destino a Sousa [2] para uma tarefa um tanto quanto estressante, porém extremamente necessária. Prefiro não falar sobre ela mas sim sobre o objetivo paralelo,  que foi produzir este texto para o #mutsaz inverno [3].

Eu sabia que uma vez estando em Sousa,  na pior das hipóteses, teria uma tarde livre para dar uma volta pela cidade, ver coisas, conversar com as pessoas e assimilar um pouco desse sertão que não conheço em nada além da literatura e de um imaginário popular. A idéia era aproveitar esse tempo para refletir um pouco sobre “local” e tecnologia. Consciente porém de que “local” é sempre construção.

Não li nada sobre Sousa antes da viagem. Sabia da existência do Vale dos Dinossauros [4], mas não era meu foco. Passei por lá rapidamente apenas para atender a um  desejo do meu filho e fiquei um pouco triste com o descaso que vi.   Sabia também que havia uma descoberta recente de petróleo na região, mas não tive tempo de investigar o assunto.

São sete horas de viagem de ônibus para Sousa. Levei coisas para ler e para ouvir, mas sempre acabo curtindo muito a paisagem. O dia estava da cor que eu mais gosto, cinza, nublado, bonito demais pra começar viagem rodoviária. Mas ao tentar fotografar este momento o que me veio imediatamente à cabeça foi o imenso poder daquele  mar verde ao meu lado. Essencialmente cana-de-açúcar [5], até onde a vista  alcança.

Muitas horas depois, já na região do Sertão,  duas coisas me chamaram a atenção. Primeiro a paisagem, deslumbrante,  bela, de uma beleza distinta da que estou acostumado no  litoral. Fiquei imaginando como interagir com aquelas paisagens, que tipo de descobertas e aprendizados estariam por ali para com tempo,  não apenas uma tarde mas alguns anos,  serem vivenciados lenta e proveitosamente? A paisagem parecia me dizer: “aqui há possibilidades e aprendizados que você jamais imaginou. Conhecimentos e práticas cujos significados não lhe são minimamente apreensíveis no momento”.

Cheguei em Sousa já era noite e apenas dormi para comparecer ao meu compromisso na manhã do dia seguinte. À tarde, logo depois do almoço, comecei minha caminhada, acompanhado por um bom camarada que conheci pela manhã, o Léo. Alguns minutos à pé pelas ruas da cidade e chegamos no local que atiçou de imediato meu imaginário tecnológico, a estação ferroviária de Sousa. Pensei logo: “Será que ainda há movimento de trens por aqui? De que tipo? De onde para onde?”

Fomos recebidos na estação pelo Sr. Valdemar,  que conversou bastante conosco sobre a situação atual do transporte ferroviário na região, e o Sr. Manoel Nóbrega, funcionário antigo que ainda pegou na década de 80 do século passado o terminal funcionando para o embarque e desembarque de passageiros. Coisa que não ocorre mais atualmente. Por que  será que o transporte ferroviário de passageiros foi desativado na região? Fiquei muito curioso para entender os motivos que levaram a isto, mesmo antecipadamente imaginando que tudo não passa de articulação política dos interesses corporativos. Não é difícil ver o cenário. Ainda assim, nada posso afirmar. Pesquisando sobre a história e as perspectivas da ferrovia no sertão encontrei o blog Estações Ferroviárias da Paraíba [6] com muito material para começar uma investigação sobre o assunto. Fiquei só pensando em fazer a viagem,  João Pessoa – Sousa, de trem. Será que há justificativa plausível para a desativação desse tipo de transporte neste caso específico? Porque a tecnologia não serve mais?  Segundo o Sr. Manoel os trens de passageiros que passavam por ali eram os que faziam o percurso Fortaleza – Recife e também Mossoró / RN.  O Blog Estações Ferroviárias da Paraíba apresenta mais alguns detalhes [7].

Minha reflexão tecnológica não parou na questão do transporte ferroviário. Aliás, nem começou aí. Ainda na estrada uma imagem havia me chamado a atenção. Vi pela primeira vez uma cisterna de aproveitamento de água da chuva [7]. E aí o pensamento foi a mil. Essas cisternas foram o primeiro exemplo que eu ouvi de “tecnologia social”. Rapidamente lembrei que eu já vinha pensando em me dedicar um pouco mais em vislumbrar possibilidades  em torno dos WaterLabs [9]. E então essa imagem e possibilidades não me saíram mais da cabeça durante estes dias que estive em Sousa.

Falar de água no sertão pode parecer meio cliché, mas, será?   Antes de dizer qualquer coisa sobre água e tecnologia preciso de algumas investigações, mas, de qualquer forma, só o vislumbrar de uma possibilidade já me anima bastante. É que nessa estória de doutorado e as conversas em rede, talvez, por questão das restrições e limitações do trabalho acadêmico, eu esteja próximo a ter que escolher algum tipo de projeto para o centro das atenções. Estabelecer um projeto para poder seguir os atores e vê-los e descrever suas manifestações. Etnografia, essencialmente com as premissas da Actor-Network Theory.

Além das ferrovias e da água outras questões tecnológicas surgiram na minha rápida interação com Sousa. Encontrei com um armazém que não é tão diferente das coisas que ainda posso encontrar na feira de Cabedelo. Mas, alguns dos itens me chamaram a atenção. As celas, os artefatos de sola, as esporas, coisas de montaria, todos ali me transportando para uma viagem no tempo.  Eu não imaginava que ainda se usavam esporas atualmente. Fiquei surpreso. Tão surpreso quanto encantando com as cores e utensílios do local, uma mistura das tradições com a contemporaneidade. Reflexão tecnológica pura! Celeiro de #MetaReciclagem. Agora fico no aguardo do retorno ao sertão em alguns meses. As expectativas prometem, e o tempo parece que vai ser bem maior.

Quanto ao inverno, aqui no litoral era comum eu ver minha vó e alguns mais velhos se referindo a inverno como “período de chuvas, sem que isto tivesse qualquer relação com período que é denominado de inverno aqui no Brasil. Parece que no sertão não é diferente [10]. Foi a primeira coisa que pensei quando em Sousa me falaram que as chuvas importantes são as do final do ano e comecinho do outro, quando elas acontecem (o que não é sempre) temos uma outra paisagem, um outro sertão, por conta de um inverno em pleno verão.

[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Cabedelo

[2] http://pt.wikipedia.org/wiki/Sousa_%28Para%C3%ADba%29

[3] http://mutgamb.org/mutsaz/Chamada-MutSaz-Inverno-2010

[4] http://www.valedosdinossauros.com.br/

[5] http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=1482

[6] http://estacoesferroviariaspb.blogspot.com/

[7] http://estacoesferroviariaspb.blogspot.com/2009/09/estacao-de-sousa.html

[8] http://www.rts.org.br/noticias/destaque-1/cisternas-podem-ajudar-a-atingir-sete-odm

[9] http://wiki.bricolabs.net/index.php/WaterLabs

[10] http://serravermelha.blog.terra.com.br/2010/04/30/o-sertanejo-e-a-caatinga/

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construindo o local: começando

Uma das coisas que de vez em quando me faz sentir mal é minha “desconexão” com o local. Moro num lugar maravilhoso, belo e cheio de coisas e estórias que não conheço, não exploro, não vivencio. Sempre quis me dedicar mais a uma interação com o local.  Fico sempre pensando  que deve ter um cara ali na esquina super afim de trocar ideias e tocar pra frente coisas em torno das que tenho afinidades, como o software livre, a discussão de tecnologia, Internet etc.

Cabedelo e arredores tem muita coisa pra interagir e certamente gente afinada com um monte de ideias que já estão circulando por aí  e outras ideias e práticas que não tenho a mínima noção que existem.  Por isso, vou aproveitar que  retomei essa semana minhas curtas caminhadas pela praia e tentar sempre trazer alguma coisa do local para cá. Não sei até quando vou poder estar em Cabedelo, mas espero que essa “construção do local”, seja  aqui ou ali,  possa sempre fazer cada dia mais sentido.

Nesses dias uma das coisas que esteveevidente por aqui é que o mar brincou de mostrar sua força. As especulações resgataram até uma dinamitação de arrecifes na época da pesca da baleia, que seria a  suposta causa dos avanços atuais do mar.

O trechinho que percorri na praia ontem e anteontem tava cheio de tocos, galhos e algum lixo, que preocupa, mas ainda não conseguiu tirar a energia do local. Encontrei também, não pela primeira vez, alguns ossos de tartaruga. Inclusive um crânio bem maior que  um que já havia encontrado.  Intermares é região de desova da tartaruga pente.

Até o próximo “construindo o local”.  PAZ!

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#expciber

11:11pm via identica

Já tem uns dias que venho percebendo (vou começar com esse termo) um relacionamento bem diferente entre eu e a #cibercultura. #excb

11:12pm via identica

Aliás, a própria noção de #cibercultura entrou em crise pra mim. #excb

11:13pm via identica

Acho que tudo começou com uma necessidade de frear o ritmo, diminuir a intensidade, lidar com o volume internético de forma diferente. #excb

11:21pm via identica

Reduzir os feeds, coisas assim. Nem dá pra definir direito quais foram as ações. #excb

11:23pm via identica

Tem um mundo de cobranças offline que simplesmente enterra certas horas as experiências online. #excb

11:25pm via identica

Agora, repentinamente resolvo mudar a tag. Porque #excb parece não me dizer nada do que eu queria dizer. Mudo para #expciber

11:27pm via identica

Tem horas que viajo que não fui só eu que migrei pra uma outra “realidade”. Fico vendo a lista #metarec completamente diferente. #expciber

11:28pm via identica

Vejo a lista #metarec completamente vazia, sem sentido, apática. #expciber

11:30pm via identica

Ahh… deixa eu registrar logo que tanto #excb quanto #expciber se referem à mesma coisa: experiência cibercultura.

11:34pm via identica

Não sei o que me vez pensar que #excb representava bem o que eu queria dizer quando deveria ser no mínimo #excc #expciber

11:37pm via identica

Mas quando vi que #excb não tava legal, tinha um descompasso, e pensei que o coerente seria #excc, daí o CC me incomodou. #expciber

11:38pm via identica

ha, ha, ha… CC mencionado aqui e nesses dias atuais pode ser logo significado com o que eu realmente pensei: Creative Commons #expciber

11:41pm via identica

Mas minhas idade e circunstâncias culturais sempre remetem CC a outra instância também. Aquela do mau cheiro. hehe #expciber

11:42pm via identica

Bem, mas parando com essa baboseira CC isso CC aquilo, porque esta #expciber afinal?

11:45pm via identica

É a percepção das vivências #Internet. Dos envolvimentos aqui. Esse tudo que é intenso, #demasiado, nas manhãs. #expciber #metarec

11:46pm via identica

Esse tudo que adquire outro ritmo nas tardes. #expciber #metarec

11:47pm via identica

E esse tudo que parece mostrar já uma noite, por conta do escuro que vemos no horizonte. #expciber #metarec #demasiado

11:50pm via identica

“Luz, quero luz, sei que além das cortinas são palcos azuis” #expciber #metarec #demasiado

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contralaboratórios

No final de junho agora recente o @samadeu citou a noção do Bruno Latour de que todo laboratório é um contralaboratório. Ainda que eu não tenha entendido o sentido pretendido pelo Sérgio, a menção me fez lembrar que eu estava pensando em algo assim no contexto das conversas RedeLabs.   Daí resolvi primeiro tentar sintetizar aqui uma noção de contralaboratórios para depois, se fosse o caso, pensar nessa relação. Era uma coisa pra ter saído logo na primeira semana de julho, mas… Enfim, está aqui agora.

Laboratórios são importantes locais de trabalho para cientistas e produtores de tecnologia, são os espaços onde se dá vida a fatos e artefatos. Dá pra pensar no contexto das produções de laboratórios associadas a muitas das coisas com as quais convivemos diariamente.  Na microinformática, por exemplo,  a Apple tem seu Ipad (totalmente fechado totalmente proprietário) que pode ser visto como uma produção de laboratório, no sentido de que é fruto de Pesquisa e Desenvolvimento.

Laboratórios são contralaboratórios no sentido de que o que produzem está sempre,  de alguma forma, ao mesmo tempo,   contestando propostas de outros laboratórios. Simplificando, na indústria da microinformática  aqueles que acreditam e apostam no LIVRE (genericamente qualquer iniciativa afinada com a filosofia do software livre) seriam contralaboratórios dos que apostam no proprietário e assim por diante.

Pensar em contralaboratórios desta forma dá uma visão clara, boa pra perceber o cerne da questão, mas que tem um problema: o mundo já não se divide mais no bem e no mal e nos 10 mais elegantes. Provavelmente nunca se dividiu. Estamos todos ligados de alguma forma e é sempre muito complicado fazer distinções. E para complicar um pouquinho mais podemos ainda raciocinar naquela filosofia de HQ,  em que os bandidos se originam de alguma forma a partir do herói e vice-versa.

Laboratórios e contralaboratórios não são empreendimentos de posição, postura, moral, práticas,  óbvias e neutras. Laboratórios geralmente estão performando seus próprios contralaboratórios, que estão performando também seus próprios contralaboratórios em espiral infinito.

A antropologia das ciências propõe que nenhum fato ou artefato pode  ter sua existência creditada à sua “natureza” ou superioridade frente a outros. O que ocorre na verdade  é que  são as associações entre as entidades que tornam vencedor esta ou aquela entidade. Se passarmos a pensar nas associações entre humanos e não-humanos  vamos  ver que  nos laboratórios não discutimos um bom número de “realidades”. Lidamos com  vários fatos e artefatos,   que participam do processo de construção de outros fatos e artefatos,  como entidades fechadas, definidas, de função determinada.  Não questionamos quais as associações que a fizeram se estabelecer como vitoriosa.  As entidades chegam a um ponto de estabilização tão amplamente aceito que parece não fazer mais sentido questioná-las.

Fatos, objetos, artefatos, que não questionamos mais tornam-se  caixas pretas no processo de produção nos laboratórios.  Recebem entradas e produzem saídas, mas ninguém sabe exatamente o que acontece no entre,  os procedimentos  do entre não mais discutidos, o importante é o que ela faz. E no caso da Ciência o não questionar desse fazer é um ponto importante do processo. Alcançar esse não questionar é fechar mais uma  caixa-preta.

Referências

LATOUR, Bruno. Ciência em ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora. São Paulo:  UNESP, 2000.

LATOUR, Bruno. Esperança de Pandora. Bauru, SP: EDUSC, 2001.

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#ficeu

Entre  8 de janeiro e 20 de maio deste ano experimentei uma forma de escrever ficcionalmente no twitter. Foi uma curtição, uma maneira de expor e não expor ao mesmo tempo. Inicialmente imaginei um viajante  no tempo, vindo de um futuro próximo para os dias atuais (é, eu sei, não é muito original, mas…). Um futuro onde  a integração homem / computadores é uma realidade indivisível, uma única entidade de partes não distinguíveis, não perceptíveis. Um ser orgânico com propriedades de processamento e ligações periféricas de um computador.

——————#ficeu———————————–

no meu tempo não sabemos mais o que é dormir, não existem pausas para descanso, descanso é uma permanente da ação #ficeu

quando olho para máquina separada de mim penso em coisas que nunca penso no meu tempo. Ter sono, cansaço,  acentua esse pensar #ficeu

olhos queimando, cansaço. Não lembro de nada parecido com isso. Aliás, não lembro de nada parecido com o peso deste corpo. #ficeu

essa ideía de opções, de escolha, de pensar no que fazer é algo que repentinamente me veio como fabulosa #ficeu

dores e pensar no que fazer, tão estranho, incômodo e desagradável #ficeu

em horas que até parece que vai ficar tudo bem, que as coisas podem seguir assim. Mas dá um cansaço de repente, um desânimo #ficeu

@FurtaaCor este é um corpo vindo do futuro apresentando percepções e sensações do hoje. #ficeu in reply to FurtaaCor

fazer, refazer, observar, ver, testar, pensar, observar, ver, fazer diferente, fazer, cansar #ficeu

essa questão da comida é outra coisa muito estranha #ficeu

Levantar, sair do micro. Diferente. A não integração às vezes parece boa, outras ruim. Este não é o ponto, bem ou mal. #ficeu

a música precisa desses artefatos engraçados. Fones de ouvidos. hehe #ficeu

surpresas interessantes. Sempre. #ficeu

estados, sentidos. Existe tudo que é perceptível. #ficeu

paro pra pensar, procuro algo que não sei ainda o que é. #ficeu

dor #ficeu

sei lá, mais perto de uma coisa que chamam de humano. Percebendo o que é isso #humano #ficeu

distinguir não-humanos como tal #ficeu

incompletudes, sentimentos, esperanças, mas pra quê? Bom talvez fosse ter o botão de desliga e nunca mais liga. #ficeu

dor de cabeça #ficeu

agua, passagens, procuras #ficeu

apenas precisando registrar para cumprir objetivo #ficeu

sorrisos não são mais coisas a serem assimiladas digitalmente, como todas as outras coisas… #ficeu

sentidos #ficeu

como fazer quando não queremos contrariar, magoar? #ficeu

suor, café, suor, cerveja #ficeu

imagens, reações, noções e para não ficar em três: dor #ficeu

re tra ção, risos, noite #ficeu

então não há certeza do certo ou errado #ficeu

nos entremeios das percepções muito não tem correspondente nos coletivos #ficeu

confusões de sentimentos pelos doutrinamentos de constituição dos sujeitos #ficeu

comer, beber, ter medo de engordar. hihi Que engraçado! Uhhh??!! Graça?!!! O que é mesmo isso? #searching #ficeu

Dizer as percepções e se preocupar ao mesmo tempo em não magoar, não preocupar #ficeu

hábitos nos envelhecem, envelhecemos com eles #ficeu

gente, mulher, imagem, óculos, cigarro #ficeu

dor mais uma vez. Atrapalha pensar. Ainda estranho pensar sobre pensar e dor, sempre. #ficeu

três gatos mortos, vejo sangue, tudo leva à reflexão neste tempo #ficeu

de repente, não saber, buscar uma alternativa, ver o tempo passando #ficeu

às vezes tenho a sensação de que voltaria ao meu tempo desenvolvendo algum dispositivo, mas isto requer dispositivos criadores #ficeu

cronos, philos, prefixos, linguagem #ficeu

sistematização por conta de consciência e restrições desse conceito de indivíduo, humano deste tempo #ficeu

fios, copos, suportes diversos, nada cansa de me surpreender neste tempo #ficeu

porque simplesmente fico num esforço de comparação de busca de alternativas de regresso #ficeu

Descubro a palavra “saudosismo” e as conexões que ela estabelece. #ficeu

De repente essa coisa. Ao pensar que imagino as conexões,  elas se restabelecem em tempos não mensuráveis. Incrível é a palavra. #ficeu

Exatamente. Se é que posso usar essa palavra. Confuso com a linguagem. Exatamente, Imaginário. #ficeu

mais um dia, cada vez mais distante do amanhã #ficeu

às vezes consigo conectar algumas coisas que parecem fazer sentido naquele momento, mas apenas naquele momento #ficeu

parar, desligar #ficeu

saindo de um compartimento de gente e indo pra espaço mais aberto, mas ainda indexando #ficeu

calor, vontades, explicações, contextos, fita adesiva?! como foi parar aqui? #ficeu

nossa!! quando os controles não tem uma automatização rotineira tanta coisa dá errada #ficeu

ai! #ficeu

tenho livros ao redor, monitores à frente… Os artefatos desse tempo me remetem a questionamentos #ficeu

os artefatos, que saco! #ficeu

- corre! corre!
- Tô correndo!
- Então tá tão rápido que ficou parado. #ficeu

me preparando pras interações fora do workbox e pensando em coisas di…. hum, é divertidas o termo. #ficeu

residual, em movimentação #ficeu

os sentimentos, ou melhor, as sensações. As mesmas, mas diferentes. Tempo, situação. #ficeu

quando me vejo incompleto correndo nesses becos #ficeu

então, olha! Heim?! Olha!!! Tá, mas vou tentar ver também. #ficeu

aqui, alí. Parando umas coisas para ficar em outras. Não deve, diz algo interno. Difícil de assimilar. #ficeu

tudo do mesmo agora #ficeu

coragem, huh?! #ficeu

ahh, coragem. Tudo bem. Bem?! #ficeu

menos um ou mais um. Ainda não sei precisar #ficeu

voltando ao passo 2 que é paralelo #ficeu

coisas, coisas, coisas, coisas. Quatro é um “bom” número. #ficeu

os ventos esporádicos na porta do escritório e o céu cinza que olhei momentos atrás #ficeu

Desconcentrando com uma novidade e voltando ao ritmo máquina. #ficeu

Questões “emocionais” (as aspas são porque ainda não me sinto seguro com palavras relativas a sentimentos) e me atenho à Web. #ficeu

erro…. erro… indisrenfrysfhifih erro… TO MUCH TIME SPENT errro… shut down #ficeu

Pontuo relevâncias e volto ao estado máquina utilitarista. #ficeu

Não resisto, diferentes canais me cooptam. Tento apenas uma rápida reação e depois voltar à minha própria ação. #ficeu

Mais um. Outro. Outro. GET OUT!!!!!!! #ficeu

Temos tempo, alguns dizem. Não consigo nem uma compilação satisfatória de “tempo”, entretanto. #ficeu

Tem as procuras e as esperas. Aparências e nada mais. #ficeu

cor de laranja #ficeu

Quereres, egoismo. Escolhas, condicionamentos. #ficeu

agora parece que o tempo parou para algumas coisas, mas só para algumas coisas #ficeu

Resistir é outra palavra interessante. Aliás, interessante também é uma palavra. #ficeu

Estranho sempre lançar a palavra e ficar procurando o sentido, que também é uma palavra. #ficeu

re-vi-ra-vol-ta, palavra #ficeu

Dimensões e compassos, entendimentos enviesados. Realidade criada, sempre. #ficeu

vi em algum lugar, de um tempo remoto: “tudo, ao mesmo tempo, de uma só vez, agora” #ficeu

Retomando as anotações. Este estado transitório apresenta situações de caos. Palavra – caos. #ficeu

O interessante – palavra = interessante – é voltar ao ponto depois das percepções – palavra = percepção. #ficeu

fiiiiishró fieieieieieieiei #ficeu

shiprat shiiiiiprat shiiiiiiprrat ship chip chiprat chiiiiiiiprat chip xip ship chip #lingua #ficeu

eita, mergulhei tanto #ficeu

trilhas, resgate das trilhas, esperando fechar provisoriamente um processo – palavra: processo. #ficeu

momentos de decisão e/ou ação, sempre. decisão = palavra #ficeu

As coisas caminham de uma forma completamente descontrolada. “Engraçada” essa percepção da #linguagem que enfatizo nas #palavras #ficeu

Preciso não “enlouquecer”. Hehe, muito engraçado! Arrumar uma forma de usar as palavras sem ficar refletindo nas palavras. #ficeu

Parece agora que as questões das diferenças/semelhanças entre o tempo que eu chamava de meu e este estão desaparecendo. Será? #ficeu

unhhh, idéias, #mutsaz #ficeu – Engraçadíssimo. Graça. Filologia? (volte ao raciocínio anterior e não se empolgue diz uma voz interior)

O cotidiano presente vai apagando alguma coisa de um cotidiano passado. Registros. #formas #ficeu Paro por aqui.

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redelabs: ações, linguagem e comunicação

Assisti recentemente o vídeGreeg Alphabet Blocks by quercus design on Flickro de uma palestra do Latour para um departamento de comunicação e que  em dado momento ele é  questionado por uma possível não atenção para as questões da comunicação.  Daí que de muito bom humor ele se vira para “o termo” e afirma que sim, não deu muita importância ao termo comunicação, mas que tratou do assunto usando alguns outros termos, como Redes por exemplo.

Em meio a toda essa movimentação  do Felipe ( aqui, aquiaqui, aqui,  e em mais lugares por aí) com a empreitada dos “sem nome labs” (copyleft Tati Prado), não resisti em registrar a  ligação com uma outra conversa que para mim tá muito forte na inter-relação quando der para enfocar a práxis das metodologias. Claro que agora tudo me parece  num corre muito grande e com coisas mais, digamos, urgentes e objetivas para definir. Mas que as questões estão imbricadas umas nas outras estão.  Vamos lá!

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menos estrangeiro no lugar que no momento

Nossas ações na Internet tem alguns resultados percebidos imediatamente, pontualmente,  e muitos não.  O que estamos fazendo com estas tecnologias e neste lugar é um processo cujo melhor termo que minhas limitações encontram agora é “complexo”, no sentido de conjunto de ações, de diversidade, de múltiplas possibilidades aparentando um todo, uma unidade.1022720488_0a1b779fc8

Ao mesmo tempo o que as tecnologias fazem conosco vai no mesmo raciocínio. Tecnologia enquanto cultura e artefato cultural (HINE, 2000), homem enquanto ser político e ciborgue (HARAWAY, 2000). Por isso não podemos assumir certezas unilaterais. Ainda que essa “complexidade” precise ser melhor entendida e certamente superada, pensar em dualismos e em certezas é morte vivificada em aparências. Para “ondes” olhar, ouvir, cheirar, sentir, degustar e, e, e, e….(DELEUZE; GUATTARI, 1995)?

Referências

DELEUZE, G. GUATTARI, F.. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia vol.1, Rio de Janeiro: Editora 34, 1995.

HARAWAY, D. Manifesto ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX, In: SILVA, T. T. (org.). Antropologia do ciborgue. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

HINE, Christine. Virtual Ethnography. London: Sage, 2000.

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o site brincadeira

Hoje (terça 6 de abril)  fuçando coisas para escrever sobre MetaReciclagem cheguei a mais uma área do site que me lembro de ter visitado rapidamente em algum momento e depois esquecido ( #reacesso ). Bookmarquei. Gosto quando chego nestas páginas de index em algum site. Não sei porque, mas me dá uma impressão de que estou vendo tudo que há alibrincadeira de "pegar" em cima de uma árvore by Robvini on Flickr, diferente de quando tenho as coisas organizadas de outra forma. Poderia pensar em justificativas e escrever um post só sobre isto, mas não é o caso.

O caso é que desde que ouvi o hdhd dizer no Encontrão Intergalático que o site era uma merda eu me pergunto: por que? E tenho uns sentimentos, umas coisas estranhas, meio mistura de preocupação com medo, sei lá.  Depois, quando vi o pessoal discutindo as estratégias da infralógica no Encontrão Transdimensional eu também fiquei com uma sensação parecida. Aí fiquei perturbando, enchendo o saco do pessoal. Foi mal!

Recentemente li algo da Tati Prado sobre uma diferença entre  jogo e brincadeira (Passei um e-mail pra ela me lembrar onde tava,  sacomé… muita coisa e pouco tempo pra procurar agora. Ela não respondeu, deve estar em compromissos de trabalho). Aí fiquei pensando que uma idéia que eu tinha do site, como um jogo, podia ser melhor contextualizada, talvez, como brincadeira. Acho que o medo que eu tenho é que acabe a brincadeira.

Sigamos.

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já é 31

Estamos todos ligados. Tá ligado? Máquinas que os imaginários cooptam.

O som da minha fonte relembra,  #reacesso.

Em estado xamânico os amigos retornam, #reacesso.

Ainda que possa  não parecer para uns legítimo.

Se resume a um estado, mas o que é o estado? Inquietação metafísica.

Na hora do sono… branco… desvínculo. Ligado

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rede, releasing

redeA conversa sobre Redes é uma das minhas grandes aventuras. Começa de um jeito, toma contornos indefinidos, vive outras maneiras. Pessoas e visões ao alcance de um twitt.

Tô “releasing” esse post,  que tava amarrado aqui nos rascunhos esperando por uma compreensão que quando vier vai provavelmente me fazer lamentar não ter “releasado” antes essa conversa. Então, em tempo talvez.

Meu rascunho começa com o link para  MetaReciclagem é Rede?. Não vou reler agora e tentar entender as minúcias. #reacesso.

Outro link: efeefe – Redes #reacesso. E aí mais um link: do substantivo para o verbo #reacesso.

Então, surge o texto:

É de lascar esse negócio de você achar que já sabe onde vai dar a conversa da teoria antes de ter dado uma mergulhada  bem segura nela. Ainda bem que eu voltei atrás na estória de dizer que o efeefe tava pensando na linha da ANT. Desejos conscientes?

Então que esta semana, fica soando vez em quando ma minha cabeça “metareciclagem é uma palavra” aí imediatamente penso que, que óbvio isso, dizer isso não significa absolutamente nada, mas porque isso está insistentemente retornando à minha cabeça?

Então lembro logo daquela cena do Matrix III “love is just a word, what matters is the connections de word implies”. E como tem por aí milhões de coisas escritas sobre Matrix e filosofia. Fico pensando se uma googlada não vai me levar à famosa virada linguística. Dá quase para apostar que alguem vai citar Wittgenstein …. Arrisco

Link: I don’t think so. Or do I.

Link: Like a splinter in your mind: the philosophy behind the Matrix trilogy …Por Matt Lawrence.

E mais um link: MetaUtopia: Videiro.

Tá “releasado”!

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cidastemasjarbertos

cidastemasjarbertos2Hoje o compoanheiro Bicarato, que também responde pela sensibilidade do  Alfarrábio, resgatou em mim lembranças de um dos melhores contextos que vivi em 2009. Segue um textinho, que tirei do cidastemasjarbertos e é mais ou menos explicativo. Mas se não rolar de entender é só perguntar:

Cida Nogueira e um grupo de 7 estudantes: Ana Beatriz; Fernanda Ferrari; João Ricard; João Villacorta; Joaquim Izidro; Orlando da Silva; Renata Rosa, se empenharam em vivenciar no segundo semestre de 2009 uma série de encontros semanais em torno do imaginário de Sistemas Simbólicos.
Estes momentos, que institucionalmente estavam no contexto de uma disciplina do PPGA/UFPE, não cabem em registros lineares, ou mesmo multimidiáticos, ou qualquer que seja o suporte demonstrável para quem lê estas linhas mas não esteve lá.
De Jarbas pode ser dito que sua presença entre nós não cabe em palavras e nem materialidades, porque estão no complexo de seu viver com Cida, que foi em algumas dimensões generosamente partilhado.
O registro aqui é uma forma de, a partir de um fechamento de ciclo e abertura de inumeráveis outros, a partir da dinâmica que idealizamos com O Livro dos Seres Imaginários como nosso operador cognitivo, mesmo no inominável da aprendizagem e vivência daqueles momentos, deixarmos guardadas algumas falas e imagens produzidas para/em dia muito especial com Cida e Jarbas.

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XX5 em 2019: Saúde Pública

marcha da morteSeu XX5, um velhinho de 70 anos, aposentado com um SM, de repente necessita de cuidados médicos especializados e se dirige a um suposto centro de atendimento público para o caso.

Neste ano o sistema de saúde pública já está tão caótico e desmantelado que seu XX5 é apenas um número, na verdade mais um ativador das micro-receitas que só fazem sentido num sistema de produtividade.

O médico “atendende” 300 velhinhos ao mesmo tempo, “olha-os” um a um sequencialmente em uma sala minúscula e registra “twitts” de diagnósticos em seu “diagcaptor”. São mais ou menos 5 segundos para cada velhinho e mais 5 para cada twit. Enquanto isso pelo menos mais 3000 velhinhos estão do lado de fora, num corredor apertadíssmo e mal iluminado, esperando para entrar…. Corta.

Já é mais ou menos a décima vez no mês que seu XX5 e seu clone acompanhante vão ao serviço de saúde. O clone ciborgue tem uma uma sensação de que algo está errado, mas, o que eles podem fazer? Essa é a única alternativa que têem.

Mas os sensores ciborgues do clone acompanhante captam o método. Esses velhinhos passam por alí o máximo de vezes legalmente possíveis em um determinado período, para que cada passagem gere uma nova parcela de receita. Aliás, o sistema todo é orientado para isto, o que os velhinhos estão fazendo lá e que está registrado em seus protocolos está cheio de desencontros. Mas isso não importa. Corta

Alguns meses depois….

XX5 clone está em uma lista do cibermundo tentando colaborativamente chegar a um meio de lidar com o sistema. Desmascarar injustiças, divulgar opções etc Mas isto tem que ser feito com muita cautela. Porque nesse tempo, os preconceitos e privilégios estão ainda mais presentes nas relações sociais. Ainda que tudo agite para todos os lados a bandeira da liberdade….

continua….

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Originalmente publicado em 06/08/2009, como comentário a uma discussão sobre Ideologia X Grana no site MetaReciclagem: http://ow.ly/1pmOW

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Representação e Natureza MetaReciclagem

logo_metareciclagemAcho que a minha própria experiência  MetaReciclagem já é algo que soma mais uma resposta nos breves questionamentos do Hernani.  Breves porque quem já viu questionários, formulários de pesquisa acadêmica por aí,  sabe que o povo perde a noção. Vou acrescentar minhas respostas, com o máximo de detalhes que conseguir, mas, por enquanto, ainda estou pensando aqui: por que não há um volume de respondentes perto do nível que meu imaginário projeta?  O que me dá essa referência de que há muito, muito  mais pessoas que podem vir aqui e responder? Sempre fico matutando sobre isso com a lista também,  ou com os #mutsaz. Quem responde e quem não responde a determinadas conversas. Por que? Esse foi o pensamento principal por trás do meu post: Representar e Ser MetaReciclagem, Rede.

Ligo Hernani, Felipe e Dalton (tem mais gente, claro, como o Felipe me lembrou no seu reply,  Glauco Paiva. Sim, o  Glauco também me parece um nome importante no contexto Origens Metareciclagem / Weblab, mas talvez por alguns detalhes de interações on e off-line me fixei em três. É como se aqui, à distância, conforme eu fosse lendo, vendo, ouvindo interagindo com as coisas MetaReciclagem, os nomes Felipe, Dalton e Hernani estivessem mais acentuados na minha tag cloud, entende?).  Aponto para a Weblab porque o contexto “Inclusão Digital” é minha preocupação central desde que comecei as interações em rede. E neste ponto a tag cloud está mais acentuada para a Weblab. Assim, acho que acabo diferenciando as noções de  “representação” e “natureza” MetaReciclagem.

A “natureza” MetaReciclagem não é alcançável, mas as “representações” MetaReciclagem podem ser contextualizadas. O que quer dizer que são sempre provisórias e incompletas.  Por exemplo, se essa fosse uma pesquisa do Ricardo Ruiz,  eu apontaria para outro “agrupamento”,  provavelmente veria uma outra força de associações e também  provavelmente com outras pessoas e não-pessoas associadas (Ainda que o Felipe me pareça presença constante). É complicado de explicar, mas, pelo tanto que eu escrevo por aí e aqui das minhas percepções, o que não pode ser dito é que eu não estou me esforçando.

Para fechar em quatro parágrafos,  e não perder o foco do trabalho do Hernani, quero falar de algumas percepções de “representações” MetaReciclagem  e como elas criam, para mim, a expectativa de conversas nesta ação. Umas das “representações” mais fortes para mim é Bailux, que bom que pude estar por lá agora em setembro (e espero voltar). Quando o Régis respondeu ali naqueles questionamentos do hdhd, e ainda mais da forma como ele respondeu, marcou para mim uma noção de pertencimento, de “tamo junto”, que é de certa forma o que eu gostaria de ver de muito mais gente. Como eu disse no meu post, independente das posições políticas e ideológicas de cada um. Depois teve o Hudson respondendo. Hudson é força discursiva online MetaReciclagem. Tem muito, muito valor nesse sentido. Enfim, as emoções e expectativas sempre estão aí. Alguém conhece o Ian Lawrence? Saudações metarecicleiras!

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Patricia Fisch

pi

Ando sempre lembrando dessa figurinha que não tenho notícias desde 17/12/2009.

Convivi com  a Patricia Fisch, Pi como me disse que preferia ser chamada  por uma semana durante a Campus Party 2009. Uma figurinha falante, receptiva, com muito mais de conteúdo em sua existência do que seria possível colocar em palavras apenas em alguns contatos de uma semana. Me encantou com seu discurso do Software Livre, da vivência de sua família com o SL, dentre outras conversas nas madrugadas adentro. Depois continuamos falando na Web e trocando idéias.  Lembro de achar o máximo o orgulho dela em ser  “nerd”.

A última vez que falei com a Pi online foi 17/12/2009. De lá pra cá nada.

Dia 1/fev/2010 mandei um e-mail direto para ela e com cópia para lista MetaReciclagem. Nada.

Já tuitei por aí junto com o  @danielduende pra @pi_fisch dar um sinal. Nada.

Bem, como ela estava em organização de sua vida num sítio e com vários aperreios de ter que ficar indo e vindo até a cidade, fico pensando que é só uma fase de adapatção, de necessidade (até por falta de opção) de ficar off-line. Mas, sei lá, ao mesmo tempo quando penso dá sempre uns medos bestas.

Espero em breve receber boas notícias suas Pi. Alguém sabe de algo?

**UPDATE** 22 de abril Patrícia  deu notícias na lista MetaReciclagem

Salve nação metarecicleira!
Saudades de todos, desculpem o sumiço, mas ando com a cabeça a mil trabalhando pra tentar o doutorado… enfim…
Sitio começando a ficar bacana, esperando vocês para agitar alguma coisa qualquer… consegui 20 maquinas e um server pra colocar um telecentro… quem se habilita?
Como o Ricardo disse, ando mais off da redinha que on, mas antenada de coração e alma em vocês todos.
Prometo tentar entrar no inicio de maio, e documentar umas coisas que andam martelando na mente.
Mil obrigados, beijos e abraços pela lembrança!!!
Pi

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meu trabalho é te traduzir

Já tem uns dias que estou querendo escrever sobre como vejo meu processo pessoal de aprendizado a partir da interação com MetaReciclagem (apesar de pensar que  tem muito que eu não vejo agora, com certeza muito). É que saí da netnografia para algo mais próximo da autoetnografia. Tudo ainda muito superficial, tudo ainda só percepções.  Só que ontem,  enquanto dirigia o  fusquinha 79 pra resolver alguns problemas,  me veio à cabeça essa coisa. A de que quando eu entrei em contato pela primeira vez com a  lista MetaReciclagem eu estava completamente  encantado com alguma coisa relacionada a possibilidades a partir das  interações Web. Era como se na época eu acreditasse que bastava comunicar alguma coisa online que me parecesse razoável e logo haveria um bocado de pessoas conversando comigo sobre a coisa. Se não fosse possível tocar pra frente a idéia, ao menos haveria interações que chegariam a algum outro lugar interessante (em curto prazo, claro).

O que  me levou a essa encantamento? Essa foi a questão para qual despertei no fusquinha. Por que esse encantamento? Em meio a um processo de interações (comigo mesmo na grande maioria das vezes) acho que foi como cair num  conto da Web 2.0. ” Web 2.0  = POWER TO THE PEOPLE!

Translate Icon -  by misterbisson on FlickrNão dá para precisar quando as coisas começam a mudar na sua cabeça. Acho que não. Mas tem um momento recente que marca um outro encantamento meu:  A percepção que me que levou a criar o blog Reacesso e pensar nessas necessidades de “resgate”,  reacesso das coisas. Foi o post  MetaReciclagem: Incertezas, Reacesso, Redes que publiquei no dia seguinte ao meu aniversário de 2009 (épocas próximas ao meu aniversário são sempre horríveis para mim). Daí pra frente algumas coisas tem tido andamentos e percepções,  outras tem tido andamentos e percepções.

Não vou conseguir mais uma vez fazer aquele apanhado sobre a trajetória do pensamento. Canso,  muito antes do meio do caminho. Mas acho legal aproveitar o espaço desta ocasião registrar duas coisas. Primeiro o presente Karmaval do Glerm que chegou aqui em casa esta semana. Meu moleque se divertiu fotografando e fazendo colocações sobre tudo. Quando recebo um trabalho assim cheio de simbolismos fico me perguntando se é preciso buscar decifrações. Outra coisa que penso é por que não me sinto confortável para falar sobre? Acho que tem aí um medo de não saber o que falar, ainda que isso entre em contradição com um outro pensamento meu, o de que ter um pensamento certo de como lidar com arte é algo que não tem a ver com arte. Viagem de quem não entende nada do assunto.

A segunda coisa que quero falar é do Bruno Latour, as leituras têm sido cada vez mais interessantes, no sentido de que me dão uma visão de Rede que sai da mesmice das questões que eu vejo nas conversas de redes sociais, ao mesmo tempo que uma compreensão da construção de fatos e artefatos muito coerente com o que sinto no dia a dia. Só não tenho como justificar nada ainda “intelectualmente”. É tudo sentimento, percepção, encantamento. Isto conta para a Ciência?  Isto conta para as ciências? Recentemente na lista Submidialogia alguém me questionou quanto à pertinência de usar Latour e o pensar sobre caixas-petas. Basicamente foi recrutada uma associação com Grabriel Tarde e a noção de monadologia. Para mim isto ainda é caixa-preta. Ficamos então neste ponto com uma emotiva resposta minha dos motivos que fazem atualmente ver Latour como algo bastante legítimo.

E para fechar, falando em emoções,  a marca aqui é  um grande vazio, apreensão,  com a ausência da Maira nas conversas online. Essas interações online sempre são apreensivas e cheias de expectativas para mim. Essa semana fui pego numa situação entre duas pessoas que não se falam e que estavam falando comigo ao mesmo tempo no Gtalk. O interessante é que a conversa com ambas estava sendo muito boa, ao ponto de eu querer falar sobre uma para a outra. Aí veio a surpresa:”Sim, nos conhecemos. Tivemos problemas e não nos falamos”. Fiquei meio sem chão na hora, mas no final tudo parece que ficou bem. Quanto à Maira, o  que resta é pensar que coisas boas sempre acontecem. PAZ para todos nós!

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teu caso não é de ver pra crer

Ao final do ano passado quando Izidro me presenteou com o DVD de Até onde a vista alcança tive na hora uma sensação assim, difícil de descrever, mas, como tentativa, posso dizer que senti que  veria coisas que teriam profunda relação com minha existência, com minha identidade.

ateondeavistaJoaquim, já tendo me ouvido falar de alguma coisa sobre a região onde nasci,  parece que chegou a dizer na época que achava que existiria alí alguma identificação. Demorei para assistir, não queria ver como passatempo. Tenho essa coisa, às vezes demoro um tempão para assistir algo que sinto que preciso olhar com muito mais que olhos de passatempo. Eu já tinha até escutado as músicas dos extras, mas assistir ao documentário inteiro, só semana passada, como realização de um dos quereres declarados no finalzinho do post anterior (outro querer realizado, aqui ).

A questão da arte “filme” não tenho como avaliar. As imagens , o cadenciamento, tudo me agrada. Mas aí há uma coisa nas imagens que realmente está dentro de mim. Prefiro não tentar explicar agora, mas sei que tem muito a ver com meu pai e este lado da família.

A música fez mais sentido ainda agora. Gosto muito da sensibilidade de Joaquim. E a parceria dele com Publius parece que é certeira, harmônica. E falando em harmônicas, adoro a coisa das harmônicas em “Horizonte”. Acho que alí é o começo da música horizontes. Não estou certo.  Em “até onde a vista alcança” a interpretação de Joaquim” e música  encaixam perfeitamente nas imagens. Dá gosto de ver. Meu filho ficou até repetindo o refrão aqui em casa, de tanto que eu ouvi – vendo.

horizonteDas tantas coisas que esse filme resgata em mim marco aqui uma preocupação que veio com a comunidade. Como ficou essa relação? Apenas contar uma estória com eles? O pessoal que fez tinha alguma outra intenção? Alguém se envolveu mais com os problemas da comunidade?

Aí Izidro me responde que Felipe, o diretor do curta, teve muito envolvimento com a questão quilombola, que buscou uma atuação em outras frentes do problema, de forma ativa. Que talvez hoje não esteja mais envolvido mas à época a entrega era total. Bem, depois achei uma entrevista do Felipe Calheiros que meio que também reforça esse discurso. Como Felipe e Joaquim são parceiros acho que a gente vai acabar se encontrando lá por Recife qualquer hora dessas e aí botar conversas pra frente. Fico feliz em estar colocando este post no ar.

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onde não queres nada nada falta

COMICS + INFORMATION DESIGN by Austin Kleo on FlickrTenho aqui um bocado de percepções e alguns termos: Internet, inclusão digital, transformação social, information literacy, desenvolvimento, produção, política pública, ciência e tecnologia, tecnociência, organização, sociedade… É tanta coisa que quando busco explicitar os porquês dos meus fazeres atuais sinto dificuldade em começar. Já faz algum tempo que venho tendo vontade de pegar os pedaços de histórias que estou registrando por aí e compor  um corpo, na esperança de que isto vá me mostrar algo. É a esperança do #reacesso.

São muitas dúvidas e uma certeza: trabalhar na idéia de melhoria para algumas realidades. Sistemas, metodologias, práticas, práxis em torno de construção conjunta de oportunidades e desenvolvimento local. Resta escolher ou ser escolhido por alguma destas realidades.   Penso no que vivi e no que gostaria de viver ainda, em como e porque tive e tenho acessos e oportunidades. A Internet tem um papel importante nisto. O que é afinal esta coisa que tenho com a Internet? O que pode partir disto e com isto para o trabalho com as pessoas, as comunidades?

Na Internet tem informação de todo o tipo disponível, mas não só isso,  possibilidades de expressão, de produção, de articulação. É uma coisa sócio-técnica meio que mágica ainda, mística,  ao mesmo tempo que opera numa racionalidade comercial, do consumo, motor e produto da sociedade do consumo. No ciberespaço é muito fácil dispersar,  ficar perdido, desviar de um objetivo inicial, consumir consciente e inconscientemente. O ciberespaço é multitransdimensional psicodélico.

Outro dia tuitei para a @kali_lin sobre o volume que ela compartilha no Google Reader. Tem dias que ela solta mais de 40 itens em sequência, coisas muito legais de todo o tipo: imagens, posts enormes e curtos, vídeos etc. Mas simplesmente não consigo acompanhar. Não posso. Fico pensando se eu olhasse, lê-se, ouvisse um por um dos itens,   quanto tempo esta navegação me consumiria diariamente? Em meio ao conjunto das outras coisas para ver é comum não dar nem para olhar rapidamente por cima e selecionar algumas coisas. Acabo olhando só uns três ou quatro itens e ignorando o restante. Porque este processo,  considerando a dinâmica do hypertexto e a possibilidade de saber mais sobre qualquer coisa a apenas uma googlada de distância, parece que vai te enredando nas diferentes dimensões e entre elas, vai alterando percepções e consciência. Essência do ciberespaço?

overload dasilvaorgHoje já não me incomoda mais deixar coisas sem ver, não tanto quanto incomodava quando começei a interagir e pesquisar com blogs. Atualmente o sentimento é de definir coisas no meio do caos (na falta de uma palavra melhor), ainda que a preocupação com a informação se mantenha, principalmente na questão da interação, o handshake diário e o como lidar com as caixas-pretas.

Joaquim Izidro, que é uma super pessoa, músico, camarada,  me falou recentemente, não pela primeira vez, em uma dificuldade com a quantidade de informação. Era um espécie de feedback que ele estava me dando sobre algumas coisas que lhe mostrei, como o site do Orquestra Organismo ou o post do Brazileiro sobre sua residência lá no Alafin Oyo. Me parece, mas ainda tenho muito que conversar com Izidro sobre isto, que por algum tipo natural de seleção,  em função dos focos dele provavelmente, a coisa aparenta tão carregada ao ponto dele não saber como lidar com ela, a informação,  e então ter que deixar pra lá.

Mas fevereiro está apenas começando. Esta semana quero finalmente assistir algumas coisas que já estão há meses nos planos,   talvez instalar um Debian no desktop e brincar um pouquinho, certamente estudar mais o Latour, tentar ler o resto do The Internet o Things e passar o exemplar impresso que ganhei do @efeefe pra frente. Ah,  e na expectativa do  #karmaval, até o próximo “elemento” #mutsaz.

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[update] quase instantâneo

ao terminar de escrever e publicar fui ler os outros post #mutsaz, olha só o que eu encontrei

Por sorte me contive a tempo e não entrei no google pra descobrir o lugar onde se consertam máquinas de escrever. Por puro medo. Tive receio de achar outras coisas legais sobre esses objetos antigos e me perder nas descobertas, quando ainda tinha um projeto por terminar.

Sobre a comunicação: como funciona essa capacidade humana de se fazer entender, mesmo quando as palavras não são adequadas ou explícitas?… Sobre a relação das pessoas com os objetos e máquinas: que estranho papel exercem em nossas vidas?…. Sobre os pontos de conexão entre pessoas e a formação das redes: seriam aqueles invisíveis para tornar estas inevitáveis desde os primórdios da humanidade?… Sobre os caminhos tortuosos que escolhemos em nossas vidas para chegar ao que nos é bem próximo… Tati Prado

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narts em Ação

batistaviroumáquinaEstou relendo o Ciência em Ação do Latour e com a cabeça, dentre outras coisas, numa conversa com algumas pessoas bacanas sobre um projeto na interface  ShikoMetaReciclagem.  A estória tá sendo contada numa TAZ: narts.

O que uma coisa tem a ver com a outra?

É que essa minha tentativa de compreensão da perspectiva do Latour (a de estudar os fatos antes que se tornem fatos, caixas-pretas) não cansa de me parecer poder ser “o que há para fazer” em qualquer coisa de “produção”. Ou seja, quando temos uma “produto final” não vemos ali toda uma interação prévia, as discordâncias, os descaminhos em decisões etc. Então, o que podemos aprender / apreender tentando perceber diferentes nuances neste percurso da construção do fato, do produto?

E se eu considerar que não há diferença entre como se produz uma política pública de um lado e uma peça de arte do outro?

No começo do ano passado me apareceram sinais de fumaça para  direcionar a pesquisa para a interface arte-tecnologia. Teve até sugestão da minha orientadora para um financiamento de projeto. Mas  depois de alguma reflexão sobre o assunto eu descartei. Não me sentia minimamente preparado para começar uma conversa sobre arte. Era uma coisa que assustava (ainda assusta). Quando penso na questão da linguagem e da comunicação, sei não. Confuso e assustador mesmo.

Orquestra OrganismoO outro lado da moeda é como ao longo do ano fui vendo, ouvindo, sentindo na Rede (o que é essa rede é outra questão, mas por enquanto vamos simplificar com o nome de MetaReciclagem) a presença e a força de algumas Coisas-Arte. Isto está nas pessoas, eu sei, mas as “organizações” ajudam… ( Peraí, eu ia dizer que que ajudam a simplificar mas fiquei em dúvida entre simplificar e complicar e enquanto fui escrevendo já pensei em “visualizar”. Mas nenhuma dessas palavras me parece resolver o apego a organizações.) O que eu chamo de Coisas-Arte se refere principalmente à Orquestra Organismo e Descentro (organizações?!).  Mas não vou falar das pessoas agora, deixo para outros posts.

A questão do “em ação” está então em destaque para mim. Ver como é isso nesse trabalho por exemplo, é possível? Com que nível de envolvimento? O que de fato eu estaria acompanhando em ação? Não dá pra ter a mínima idéia do que  #narts  vai dar, ou até mesmo se vai dar em alguma coisa. Mas acho que isso se relaciona de alguma forma com #reacesso? A metáfora do fechar das caixas-pretas serve para arte? Préeeeeeeemmmmm (som de campanhinha de erro). A pergunta tá feita errada, já sei.  Para isso, vou recorrer a outra obra  do Latour, o Políticas da Natureza.

Queremos somente dizer que as outras culturas, posto que elas, justamente, não viveram jamais da natureza, conservaram para nós as instituições conceituais, os reflexos, as rotinas, de que teremos necessidade, nós os Ocidentais, para nos desintoxicar da idéia de natureza.  (LATOUR, 2004, p.82)

Ora, as outras culturas não misturavam, em nada, a ordem social e a ordem natural: elas ignoravam a distinção. Ignorar uma dicotomia, isto não é confundir, de todo, os dois conjuntos em um só – menos ainda “ultrapassá-la”. ( LATOUR, 2004, p. 84)

E então posso voltar à questão.  E se eu considerar que não há diferença entre como se produz uma política pública de um lado e uma peça de arte do outro?

O #reacesso,  com todo respeito ao legado do Dpádua, que mais  me preocupa neste momento é com as coisas do cara chamado Shiko. Preocupa não tratar utilitariamente a relação. Preocupa não fazer disso apenas uma máquina de produzir interesses.  Sei que ainda não sei o que significa ser Sujeito, ser Ser, essas coisas da filosofia. O mais certo é que eu nunca saiba. Pra que saber? O que penso é numa imagem destas palavras que sintonize sentimentos em Shiko nos sentimentos que tenho de tudo isso. Sigamos.

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Resistência em ser Organização

Em 2008 a Fernanda Scur fez a gentileza de dialogar comigo e a lista metareciclagem sobre meu projeto que estava nascendo e o dela que já estava se encaminhando. Coloquei as propostas daquela época em duas páginas de wiki lá no site: PesquisaOrlando e PesquisaFernanda.  No mínimo vai servir para pensar na evolução da coisa.

A seguir trago um trecho interessante da conversa, onde comentando as pretensões da Fernanda  falo da natureza das organizações e de uma característica que passei a entender como fundamental na MetaReciclagem em relação a isto.

Fernanda Scur : Esse meu interesse surgiu durante o meu trabalho de mestrado feito na  Tanzania, onde lidei com as instituicoes de desenvolvimento alemãs, e suas  metodologias de implantacãoo de projetos de desenvolvimento super “top-down”,  onde o que conta em primeiro lugar são os interesses dos doadores, de tais  instituicões, e bem por último, no sentido burocrático da coisa mesmo, a comunidade – digo isso porque as pessoas envolvidas eram pessoas boas – mas  o SISTEMA é tal, que é dificil ocorrer uma mudanca – dai a questão: como  mexer no sistema??

Orlando: Tenho uma “quase certeza” (porque é bom ter dúvidas) de que quando há “organizações” por traz das coisas tudo vira top-down. Porque esta é a natureza da organização como forma de poder. Tem muita prática travestida de “participativa” “bottom-up” por aí, porque há a necessidade de adaptar o discurso. Mas, a “Organização” é uma agressão à subjetividade, uma violência. Essa é outra viagem que eu vou tentar delinear os caminhos também.

Acho que o mais interessante aqui do MetaReciclagem é uma aparente resistência do grupo em ser “Organização”.

Mexer no sistema?!! Acho que a gente está mexendo toda hora. Agora, querer que o sistema reflita nossos ideais de funcionamento. Aí, nem sei se isso é interessante.

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Tava escrevendo isso ontem e de repente achei que tinha a ver com o #mutsaz. Sigamos.


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Escrevendo na hora

Nos fones Alice. (informação só pra contextualizar um dos aspectos da escrita na hora). Aliás, coloquei pra ficar repetindo em loop, até terminar o post.

Tem esse recurso google alerts que eu acho que todo mundo que usa gmail tá de alguma forma familiarizado, não? O que está motivando este post, talvez como gota d’agua,  é justamente um deles que acabou de chegar na minha caixa de e-mail. (Imagem só pra ilustrar porque pode ter alguém que não use).

alerts

O pedido de “alert” para este link foi criado  já tem um tempo para monitorar o outro blog desta forma. É interessante ser avisado se alguém te linkou porque daí sempre se estabele um diálogo. Mais ou menos isso. Sem teorizar muito, certo?

O que foi a gota d’agua para eu vir pra cá escrever na hora?

É que já tem um tempo que observando as recorrências desses  “alerts”  sempre surgem algumas questões interessantes sobre as operações desses algoritmos. Quando este último chegou,  algumas questões retornaram e mais especificamente foi no mínimo interessante ver alguma ligação com o conceito em ação de reacesso.

Não ia ser possível realmente colocar aqui  tudo que conectei mentalmente agora. Na verdade nem eu consigo perceber tudo.

Como deixar alguma coisa que possa ser relevante então?

Bem, tô escrevendo na hora. Antes de parar pra escrever (exatamente no momento que vi o alert) eu tava:

1. Assimilando o super post que expõe a práxis de anos de uma galera a partir da ótica do Dalton e ao mesmoa tempo conversando com ele no Gtalk. Aliás, a vibe que ele  passou na conversa foi muito positiva, bacana, energia muito boa.

2. Interagindo na lista , com a Lelex e  com a Maira nessa questão do problema com a participação da MetaReciclagem no II Fórum de Mídias Livres;

3. …

Finalmente o que realmente chamou minha atenção no alerts?

Primeiro, acho que a chamada para um fichamento em outro dos meus blogs:

blog webnos
Capítulo 2 – Laboratórios. na prática não há muita diferença entre pessoas e coisas: ambas precisam de alguém para falar em seu lugar. [.

Segundo, a recorrência do site  Não Zero, que sempre me vem como algo novo (algoritmos?!);

E isso tudo a partir do que seria uma precupação com o “netnografando”,  que já nem é mais a mesma.

#reacesso

Pra fechar. Uma das coisas que mais me “pegou” no texto do Dalton acho que foi a parte em que ele resgata algum texto da Drica Guzzi, talvez este aí mesmo do link (ele ficou de mandar as referências), onde ela fala sobre capacidade educativa e cultural de uso da Internet.  Talvez porque toca justamente acho que numa das minhas primeiras percepções no assunto.

Seguindo.

*texto sem revisão.

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mutdgamb

No  Mutirão da Gambiarra edição1# (janeiro, 2009)  há algo em torno de propósitos (by Felipe Fonseca)

A idéia inicial do Mutirão partia, entre outras coisas, do receio que sempre tivemos de que, como rede descentralizada e aberta, a MetaReciclagem pudesse eventualmente ser apropriada de maneiras que destoassem das intenções de seus integrantes: estimular a descoberta, a colaboração, a ação em rede voltadas para a transformação social.

Muita coisa mudou nos últimos anos, e os próprios objetivos da MetaReciclagem (se é que existem) também acabaram por se transformar.

… ainda existe, mesmo que de maneiras diferentes daquelas que já conhecíamos, o sentido de uma construção coletiva, de um espaço de conhecimento, convívio, informação, co-inspiração e troca, que é nossa obrigação assegurar que permaneça aberto.

No meu entender, a maneira mais efetiva de garantir que a MetaReciclagem seja entendida na sua abrangência e força, como uma rede aberta, um espaço de sensibilidades compartilhadas, de propriedade coletiva, é expor os processos que nos trouxeram até aqui, destrinchar os interiores da MetaReciclagem como rede, prática, identidade de grupo e influência. (grifo meu)

Num post do Desvio (outubro de 2009) há algo em torno de objetivos (by Felipe Fonseca)

O Mutirão da Gambiarra é um núcleo editorial ligado à rede MetaReciclagem. Tem por objetivo incentivar a produção distribuída de documentação, conteúdo crítico e experimentação de linguagem nas áreas de apropriação de tecnologias, ação social em rede e criatividade. O Weblab atua na definição de pauta, produção de conteúdo e comunicação do Mutirão.

O selinho abaixo do #mutsaz novembro linka para página Sobre_About do atual site do Mutirão.

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MetaReciclagem, MinC, Weblab, Waag, Bricolabs, DesCentro, Orquestra Organismo. História, estórias, história, estórias.  #reacesso.

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Práxis das forças invisíveis

*Turntablism is the art of manipulating sounds and creating music using phonograph turntables or digital turntables and a DJ mixer.  (from wikipedia)

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@dpadua -remember the code

Estivemos juntos fisicamente apenas em dois momentos, os dois encontrões MetaReciclagem.  Mas isto não afere a intensidade da convivênvia.
No aeroporto de BH, dia 10 de setembro a caminho de Arraial, ele me disse que estava para escrever um manifesto “Remember The Code”. O que isto significava, não entrei numas de entrevista na hora. Estava era feliz de estar tomando uma cerveja com uma pessoa por quem não sei como explicar mas eu tinha muito carinho.

Seus  planos para o futuro naqueles dias eram “uma cama”, porque vinha de um período de muito stress e poucas noites dormidas.

Dia 14 de outubro nos falamos no Gtalk e ele me disse do câncer. Fiquei chocado, mas ele estava esperançoso.

Há uma ligação,  um elo  que não sei como explicar que se estabeleceu.  No post abaixo, o link sobre blue note é para o blog dele.  Foi lá, naquele post que ele me trouxe o reencontro com um eu que sempre esteve aqui. No mesmo dia eu vislumbrei isto na minha história  com a MetaReciclagem.

Seguimos.

Siga na LUZ, inspiração, mito, artesão de redes. A gente se vê.

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O dia que li Blue Note

Quatorze de outubro de dois mil e nove, madrugada. Acabei de ler  Blue Note . E aí vejo que as coisas sempre estiveram lá (Insight para as estórias com MetaReciclagem).

Há modos e modos de lidar com os mitos. Alguns,  como eu,   entram numa racionalidade “mais careta”. Mas estamos falando do mesmo personagem, construído de diferentes maneiras. Biu chama de Lau e eu de Lauro Noboru Akagui.

Interessante me ver de alguma forma naquela estória.

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andanças na noite e madrugada

Nestes dias João Pessoa está tendo o prazer de ser visitada por Ricardo Brazileiro.

Ontem nos encontramos e andamos noite e madrugada afora pela cidade transportados pelo  fusca 79.

Falamos de muitas coisas, dos projetos recentes, metareciclagem, descentro etc.
Visitamos diferentes tribos em diferentes espaços.

Agradável noite esta de andanças e conversê.

Saúde, Brazileiro.

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Favela Gambiarra

Cartaz sobre violência infantil - By Bruno O. Barros on FlickrVi nesta semana que o efeefe soltou um texto que ele e hdhd haviam produzido sobre gambiarra. Mas não li. Tem mais coisas falando por aí de gambiarras, mas também não li.

Partilho aqui uma espontaneidade que acabei de escrever em um doc que a Maira gentilmente está partilhando comigo.

Sofrimento pra alguns é ser feliz, pra quem nunca teve nada um sonho é tudo que sempre quis (O Rappa).

Mas o sonho também é sofrimento. Queremos falar de sofrimento? O que é sofrimento?

Sofrimento “autoetnografado”.

O Rappa tem a ver com a incrustração de pertencimentos. A favela, o Rio de Janeiro. É sofrimento criativo, criador.

A gambiarra aí é biogambiarra, autogambiarra no sentido da adaptação tecnológica do sujeito. A favela é tecnologia, o sujeito é tecnologia e a favela recompõe a tecnologia sujeito que recompõe a tecnologia favela também por meio do sofrimento.

Quando um menino deixa de sair de casa porque tem medo de outro menino isto é preocupante. Mas aí há o domínio / não domínio da tecnologia favela/ tecnologia sujeito como afirmação da subjetividade.

Claro que a favela pode ser vista por diversos olhares, assim como a violência, assim como tudo. Mas, este olhar quase “autoetnográfico” já é a própria gambiarra falando, sem porta-voz, a gambiarra se expressa por si, se mostra e não se mostra. O que sabe e o que não sabe. Mas a gambiarra fala, ainda que o entendimento não seja nem para ela mesma e as interpretações estejam sempre condicionadas a estruturas de autoridades e saberes. Por isso não se deve achar que é possível interpretar a gambiarra falante. Talvez seja mais proveitoso apenas interagir e neste processo, como no handshake do modem, chegar a uma conexão. O que é esta conexão? Quem pode se dar a arrogância de dizer saber?

As gambiarras falantes simplesmente estão.

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Brincantes

Eu ia fazer uma brincadeira, deu até de aprontar tudinho. Mas aí não entrego assim.

brincar de #reacesso brincantes

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Feiticeiros ontologia rede: molecada

blogagemmolecadaColocar em post uma sistematização dos pensamentos interações rede é sempre um desafio.

Desde ontem pela manhã que estou tentando escrever este post. Eu queria apenas resumir, descrever, apontar, listar, classificar, blá, blá, blá. Marcar um percurso ontologia rede.
É essa questão do #reacesso, entende? Pense em cada conteúdo que eu tenho que ler para poder dialogar (numa lógica “tradicional”) na hora que me remetem a uma referência. Caixa preta?!

Os feiticeiros que o efefe recorta do Mil Platôs, V4 são talvez um bom ponto de amarração desta conversa. Por que? Para exemplificar. Me obriga leitura. Mas mais, muito mais do que isto. Esse jogo rede é complexo. Porém, o que marca é que a regra da conversa independente da leitura é conflitante para mim, difícil lidar com ela….

Existem estas coisas nos textos que “nunca” irão se “revelar” por inteiro para um indivíduo a menos que seja para aquele que escreve. Mas não, no mesmo instante percebo que se #reacesso estiver fazendo algum sentido há muito mais até para aquele que escreve. No primeiro caso, tudo bem, o tempo pode mostrar a cegueira. Mas e no segundo caso? Ou seja, seria isto uma mensagem do tipo: “desencane com @#$&*! ao escrever?

Tem uma recorrência aqui: A Sociedade Contra o Estado; 1, 2, 3, 4. #reacesso.

The Internet of Things

Apropriação e Apropriação.

Molecada está quebrar “lógica”. A questão indígena ainda está “lógica”, apenas fora de uma hegemonia, mas inserida em outra.

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Conceito em Ação

Não é a primeira vez que isto acontece. Já dá para dizer que está ficando comun, ao ponto de ter me deixado assustado e retraído para escrever mais alguma coisa com o nome “MetaReciclagem”. Mas aí insisto, escrevo , tento (des)organizar, ainda que amanhã já não seja a mesma coisa, que bom que não seja a coisa mesma. Por isso reacesso, recursividade, retorno, reaprendizado, re, re, re, re…

Voltamos sempre a um ponto que já foi visitado. Quer dizer, agora acho que preciso dizer: volto sempre a um ponto que já foi visitado. Mas não é visitado é discutido. Mas não é só discutido é o ponto. Mas não é só o ponto são as essencialidades.

O “reacesso” tem a ver com um texto, uma informação que você já havia acessado e que provavelmente já vinha operando com ela de alguma forma meio “subconsciente”. Ou ainda, sabe aquela coisa que quando você lê ou vê tem a impressão de que já conhecia de alguma maneira o conteúdo? Talvez porque você já estivesse lidando  com ela na perspectiva semelhante a do “autor”.  Mas me parece que também há algo de metafísico aí.

Não estou preocupado se é novo. A própria noção do reacesso elimina qualquer possibilidade da novidade ser nova.

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Daniel Duende Carvalho

Ascension_and_the_clurichaun_by_cluracanQuando se escreve a história do metareciclagem, tenham em mente que estão escrevendo uma lenda. Quando se estrutura a forma de pensar, fazer e multiplicar a ação metarecicleira, está se tecendo uma construção sensível e prática que se assemelha à iniciação dos shamans e guerreiros-sagrados de outrora. Algo que leva a pessoa além de sua vivência comum, apresenta a ela visões e dimensões que estão além daquilo que está em seus cotidianos, apresenta a ela conhecimentos novos, quase esotéricos, e tudo isso se transforma em um poder e uma percepção do próprio poder que é completamente nova para para a pessoa. E então ela é instada pelo grupo a colocar em prática este conhecimento… (Daniel Duende Carvalho)

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e-waste, Brazil, “link in action”

Information is such a terrible thing. The more you dig the more you see it has to dig.

The MetaReciclagem thing. I´ll call it thing because I really don´t know what it is yet.  Or better, let me reformulate,  I really don´t want to name it after the most evident features interpreted by myself now.

Dealing wiht the subject “e-waste” this week  I noticed that we have the world do dig. I am just a “link in action”.

How many? How worth?

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Marcelo Bailux

Marcelo Bailux

um a um no bando

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Bando mobile PSP

A gente começou a questionar na lista por que gmail?  Por que Orkut?

Se o bando não conversa na lista, onde o bando conversa online?

Tem isso? Tem lugares que o bando gosta de interagir online?

Como é isso nos equipamentos que o bando tá usando? Tinha uns celulares lá no encontrão que navegavam com Wi-fi. Quais eram os equipos? De quem eram? Onde a galera tava navegando? Tão usando isso atualmente no novo lab? Como?

E o PSP?

PSP

O bando ficou me devendo uma oficina de PSP.   Era disso que Léo tinha me falado, não? Playstation Portátil (PSP).

Lembro que no começo do ano passado esta foi a dica o @mbezerra para que eu resolvesse minha mobilidade com a Internet.

E  vqv!

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Widebiz

Que MetaReciclagem nasceu do meta:fora todo mundo sabe.
Mas hoje eu vi referências à lista Widebiz, cujo o nome ainda está ligado a Widesoft só que parece que abandonaram qualquer projeto neste sentido.

Vi que tanto o hdhd, quanto o ff e parece que o Bicarato também já se conversavam por lá em 2001. Fiquei curioso para saber quem mais estava na lista da Widebiz. O que esta lista representava na época?

Vamos ver o que diz o Sr. Marketing Hacker :

Primeiramente, o que é a Widebiz. Em 2000, um dos grandes acontecimentos no mundo dos negócios digital foi a criação de uma lista de debate chamada Widebiz. O moderador era Mário Persona. Um cara muito hábil que soube enfrentar o desafio de gerenciar aproximadamente 700 cabeças numa lista de discussão.

Também achei o texto  A Dança das Cabeças.

O hdhd fala dele aqui.

E o Bica  fala aqui em Lista Comunidade Virtual. Era a mesma?

Muita coisa por hoje. Deixo muitas abas de lado para qualquer outro dia.

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Bailux, Cibercultura e Economia Política: Complexidade e Práxis

3819419131_b65721dce1Uma das primeiras coisas que me veio à cabeça quando comecei a “persentir” uma vivência em Arraial foi a complexidade da situação.
A gente tem logo que admitir para si próprio que tem muita coisa, muita coisa mesmo ali que não pode ser capturada individual ou coletivamente em suas significações mais íntimas, mais essenciais.

Falo aqui  também de diferentes adestramentos de olhar. Por exemplo, minha experiência com hotelaria me ajudou a perceber intuitivamente algumas coisas em relação à região que posteriormente foram confirmadas pelo Eduardo e pela Carmem.

Mas, por que isso agora?

É que estudando aqui sobre antropologia da cibercultura me deparo com umas narrativas de 1994 que colocam várias questões sobre o assunto. Mas em algum ponto me atenho no contexto da relação entre informação e capital, regime pós-fordista,  arranjos de novos articulações entre capital global e culturas locais e na afirmativa do autor de que estamos (em 1994 nos E.U.A) testemunhando uma produção de diferença cultural dentro de um sistema estruturado de economia política global, o que leva finalmente aos questionamentos:  De que maneiras específicas  esses processos globais são mediados e constituidos localmente? O que acontece com as noções locais de desenvolvimento e modernidade ao passo que novos mecanismos de interação local-global tomam forma?

Primeiro. Me parece que estas questões são bastante pertinentes também para o contexto atual Arraial d”Ajuda-Bailux-MetaReciclagem. Não?

E então me dei conta que sinto falta de uma sistematização de  conversação que dê conta de uma abordagem em complexidade.  De certa forma a Rede tem um pouco disto,  mas não me parece suficente. No fundo, acho que o que estou pensando é numa sistematização dos discursos ainda nos moldes meio que “modernos”. Não sei.

A forma como a gestão da informação na site metareciclagem está sendo pensada leva a este tipo de questionamento também. Por mais que se fale sem superação das abordagens “modernas” para soluções de gestão, a gestão,  me parece,  continua a ser pensada essencialmente em termos de século XX. Aliás, documentação e especificação de site parece ser uma coisa muito taylorista ainda. E ver isto sendo pensado desta forma para o site da MetaReciclagem foi um pouco desconstrutivo de uma visão mais romântica, mais lúdica com a coisa. Normal.

Lá no encontrão havia muitas visões (e consequentes adestramentos históricos individuais) em interação.  Níveis de gestão pública, abordagens comerciais, artisticas, ideológicas, sentimentais e tudo mais que se possa e não se possa imaginar.Mas, quem, das pessoas que estavam ali, tem algo escrito sobre sua visão dos problemas de Arraial d’Ajuda? Quem tem algo escrito sobre como vê a inserção do Bailux dentro da comunidade local? Sobre as expectativas e visões do que pensa que podem ser articuladas a partir dessa interação do Bailux em Rede?

Eu gostaria de conhecer, ter contato com manifestações da população local neste sentido. Envolvidos ou não com o Bailux. Primeiro, o contexto Arraial, depois o contexto Bailux- Arraial.  E gostaria também de ter um bom grupo com diferentes “pessoas-práxis” para nova práxis com estas interações. Tô querendo muito?

Deixa eu voltar para minha leitura, porque, para fazer jus ao #reacesso, acabei de ver que o próximo tópico é: Rethinking Technology? Anthropology and Complexity. Pode?

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Diego Bailux

Diego Bailux

um a um no bando

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Léo Bailux

Léo Bailux

um a um no bando

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Um a Um no Bando

Ó, vou aproveitar que tô quentinho nos olhares das coisas do passado no wordpress do bando e colocar uma sequencia de imagens “individuais”. É meio que para servir de referência pra mim. Se o “referenciado” não gostar ou não quiser é só falar que eu apago.

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Retorno do Encontrão

08.40 BH-Confins, na espera do vôo  para Recife

Vejo pessoas chorando. Abraços, despedidas.

Tem um senhor com o semblante fechado, introspectivo, daqueles que parecem estar olhando para algo mas não estão olhando para nada.

De repente uma expressão familiar, “Nordeste”. E alguém do meu lado negocia uma proposta que envolve a Odebrecht e a Petrobrás.

As pessoas passam e eu fico imaginando, quem serão estas pessoas?

O que eu vejo nelas? Aí é que talvez seja o ponto. O que eu vejo nelas?

Estereótipos, marcas minhas, algumas que eu próprio consigo associar e muitas que com certeza não.

Consumo de estilo de vida. Me incomodam as aparências elitizadas.

“Este lugar é uma maravilha, mas como é que faz pra sair da ilha? Pela ponte, pela ponte” Lenine.

16.30 Pe-Recife na espera do ônibus para João Pessoa

Sabe quando o cansaço bate. No momento em que começei a escrever este relato já se podiam contar quase quinze horas em deslocamento. Sai do Arraial de mototáxi às 02 da madrugada. Peguei o vôo em Porto Seguro às 04. Desci em Belo Horizonte às 05.30 e fiquei aguardando até 9.20 para sair no segundo vôo, que fez escala em Salvador e depois me deixou no Recife às 13.30. Um café no aeroporto, algumas rápidas conversas na lista, um abraço no Dpádua, na Maira e na Mariel que estavam on no Gtalk e saio para pegar um ônibus urbano e em 40 minutos chegar ao ponto onde pegaria o ônibus para João Pessoa.

21.56 dia 15 Cabedelo – Paraíba

Lembrei hoje que nas vésperas da viagem Deni me perguntou o que justificava todo esse sacrifício. Viajei com menos dinheiro do que daria para passar estes dias por lá.  Sem cartão de crédito e apenas uns cheques assinados para a pousada. Na volta, não fosse a minha mãe ter despositado R$ 50,00 na minha conta, não daria nem para ter tomado o café no aeroporto. Mas eu conseguiria ter chegado em casa com R$ 3,00 ainda no bolso. Foi uma vitória.

O que justifica? Não sei, não estou buscando justificativas. Apenas sinto que tem algo “bom” em andamento e vou andando. O andamento me faz enquanto eu faço o andamento.



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Que Bom Que Alguns Blogaram

A primeira notícia que ví no twitter hoje foi o artigo do hdhd. Então  logo pensei  na oportunidade de  fazer uns comentários e umas ligações com o meu artigo. Mas isto vai ficar para outra hora.

Ainda cedo também me veio uma idéia de reacesso da minha própria conversa online. Basicamente como foi evoluindo o caminho da pesquisa e registro no netnografando até chegar em MetaReciclagem e daí por diante.

Por quê?

É que amanhã provavelmente estarei partindo pro Encontrão e  de repente me deu de organizar essa coisa com MetaReciclagem desde as mais remotas conversas. Como cheguei até aqui? Por que ainda estou aqui?  Aliás, o que também foi tema de alguns dos In(ter) dependência Posts.

Mas não era por aí toda a minha estória da manhã de hoje não.  Tinha alguma coisa também de escrever algo a partir do texto da Lelex. Só que o dia aqui não foi deixando. Tudo essencialmente muito em sintonia  com muitos posts do netnografando que eu transportei para cá (update em 22 dez 2010: os posts foram excluídos daqui e mantidos no netnografando), onde eu sempre descrevia a minha angústia em estar tentando dar conta ao mesmo tempo de um empreendimento no mundo virtual e outro no mundo real (se é que esta separação existe). E na época, o doutorado era apenas uma aspiração.  A ralação era com uma coisa apenas, essencialmente,  necessária, marcante, forte, opressora até posso dizer. Bem,   reacesso é reacesso. Vamos ver onde isto vai dar.  Vou tentar fazer algum resgate deste percurso no próximo post.

Indo pro papo da Lelex. Só pra não deixar de lado. (Lelex, desculpa eu responder por aqui. São questões operacionais. Mas joguei na lista também).

… tá certo que a genter tá tentando tirar tempo prá fazer algumas coisas essenciais aqui prá lista… mas, será que não está a se resistir a essa tarefa? será que a gente no fundo quer mais que essa nossa lista mantenha esse espaço de tempo prá gente poder se falar?

A gente quem? Quando você a fala a gente você está falando de quem?

então, se um, dois, tres, blogaram, já está de bom tamanho, a idéia é se se torne um hábito, um costume, quem sabe, daí, assim vire lei, determinação, hehehehe.

depois de passar uns dias em retiro absoluto, em convívio com pessoas que exercitaram ao máximo seus dotes para aceitação, compreensão, cumplicidade, enfim, exercicios de tolerancia, estratégias de resistência, táticas de permanência… acho que não é prudente eu ficar achando que isso ou aquilo, basta eu reconhecer que: QUE BOM QUE ELGUENS BLOGARAM!!! eu sou interdependente!!!!

Eu vejo a participação da Lelex na lista como uma marcação de território muito interessante. Sempre com textos longos, densos, que puxam a gente pra um reacesso muito amplo antes de falar alguma besteira. Ou, você pode até desconsiderar o texto e falar assim mesmo. Por que não? Quando não é esse o caso, são afirmações  contundentes, como esta aí de cima. Dá vontade de continuar o papo, mas ao mesmo tempo da medo.

Lelex, você poderia falar mais pra gente (eu e quem acessar tua mensagem) sobre o que estava passando pela tua cabeça quando você escreveu: “Eu sou interdependente?

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Update em 22/09/2009

Resposta da Lelex .

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Exemplo Prático de Reacesso

mhackAcabei de ler o último post do Hernani no Marketing Hacker: Epistemologia das Redes.

Vejam que ele parte justamente da metafísica.

Bem, ele publicou isto ontem às 20:26. Neste horário eu estava provavelmente tomando uma ar na esquina para bem mais tarde vir para a casa e quebrar a cabeça aqui com a organização desse blog e o post da In(ter)dependência.

O pequeno texto já estava meio que rascunhado no meu moleco. E instalar um blog em wordpress não é trabalho nenhum. Mas, mas, mas…  Sacomé. Um pouquinho de lúpulo, um pouquinho de preocupações do dia, falta de grana, dúvida se vai dar pra viajar etc.. etc.. etc.. Aí que para  deixar tudo funcionando acabei fazendo umas burradas no FTP e fiquei quase até quatro da matina consertando tudo.

Claro que eu já tinha lido este texto (ou muito semelhante acho) do Hernani. Me parece que está no exemplar de qualificação da tese dele.

Mas aí, só quando você vê novamente o texto, em outro contexto, imediatamente associado a algo que você acabou de respirar. Então… REACESSO.

Tô preparado para que já já alguém diga que não há nada de novo nisto, que isto pode ser entendido como: a, b, c…

Não estou preocupado se é novo. A própria noção do reacesso elimina qualquer possibilidade da novidade ser nova. Confuso?

O mais legal nisso tudo é estar escrevendo, construindo idéias, conversando. O reacesso é evidente, como ontem pela manhã quando joguei na lista do PROPAD a preocupação com o termo reacesso e recebi esta belíssima contribuição da Raquel:

Ainda aguardava alguns outros posts para falar alguma coisa. Desde que você citou outro dia o primeiro filme de ‘matrix’ fiquei incucada com alguns dos meus pensamentos. Inevitavelmente, o reacesso me fez associar o que seria isso na matrix. Reacessar a matrix então seria o ato de entrar novamente naquela ‘realidade’. Experiencia tal que, para Neo, cada vez, era diferente. Cada vez ele, como nós, encaramos a entrada na realidade a partir de uma nova perspectiva, para achar alguma coisa que procuramos mas ainda não sabemos o que é. Nas nossas pesquisas mesmo, buscamos formas que vão além da lógica do capital, novas consciencias sobre as coisas, procurando ver diferente aquilo que estamos diariamente percebendo….enfim.
Assim, minha reflexão promovida por você sobre o reacesso me faz achar que ele nunca é o mesmo acesso de antes. Igual a idéia na frase conhecida de Heráclito “Não é possível descer duas vezes ao mesmo rio, nem tocar duas vezes numa substância mortal, no mesmo estado; pela velocidade do movimento, tudo se dissipa e se recompõe de novo, tudo vem e vai”
Enfim, o reacesso permite sempre uma nova experiÊncia aquele que acessa a partir da percepção que se tem sobre. Acho que vai bem na linha do que você falou de metafísica.

Um pequeno detalhe, este texto chegou às 14.10 do dia 6 de setembro. Portanto, antes do post do Hernani.  Acho importante explicar, porque é assim que estou entendendo como  mais um exemplo prático de reacesso.

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Rede em Reacesso em Rede

Interdep003Quando vivemos da informação até que ponto podemos fechar os olhos e cair livremente para trás como naquele exercício do teatro?

O que as pessoas de fato falam, manifestam e o que não? Isso importa?

É preciso se deixar ser rede. Repensar o fazer. Refazer o pensar. Práxis.

Encontrei essa necessidade permanente do reacesso quando a práxis é  MetaReciclagem.

O “reacesso” tem a ver com um texto, uma informação que você já havia acessado e que provavelmente já vinha operando com ela de alguma forma meio “subconsciente”. Ou ainda, sabe aquela coisa que quando você lê ou vê tem a impressão de que já conhecia de alguma maneira o conteúdo? Talvez porque você já estivesse lidando  com ela na perspectiva semelhante a do “autor”.

Mas me parece que também há algo de metafísico aí. Ainda sem muitas explicações. Apenas o sentir, reacesso.

Estamos falando  rede. Sentimos rede. Vivemos rede.

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