Educação, Transporte e Meio Ambiente
Posted by dasilvaorg in Construindo o Local on 07/02/2012
Biclicleta do Programa “Pedala Paraíba” vista próxima ao Restaurante do Mirante, no Açude de São Gonçalo – Sousa, PB.
Achei a bicicleta legal, principalmente por conta do local em que a encontrei, mas também pelas cores da bandeira da Paraíba que foram bem combinadas e ficaram bonitas na magrela.
Infelizmente por falta de tempo não posso fazer qualquer avaliação sobre o programa cujo enfoque é na falta de transporte, principalmente da zona rural, para o deslocamento de estudantes até as escolas.
No mais acho tem tudo a ver com a CIGAC que se aproxima.
Para os Administradores do Século XXI
Posted by dasilvaorg in Administração on 09/09/2011
A regulamentação da profissão de administrador no Brasil data 9 de setembro de 1965, por isso a comemoração do dia do administrador. Em minha limitada visão há pelo menos dois pontos de destaque no cenário de regulamentação da profissão e estabelecimento da área de ensino no Brasil que se mostram muito interessantes para investigações /discussões da ação de administrar no século XXI. Olhando para trás, para cima, para baixo e para frente ao mesmo tempo.
O primeiro ponto é a presença do termo “técnico” no início das formulações legais da profissão. A profissão foi inicialmente regulamentada como “Técnico em Administração”. Apenas vinte anos depois, 1985, consegue-se a mudança para “Administrador”. Mudança que, segundo o CRA-SP, foi fruto de uma luta de 10 anos. Uma das questões que me vem imediatamente quando penso naquela realidade é a de quais eram as denotações e conotações que o termo “técnico” assumia no Brasil na segunda metade do século XX. Mais especificamente, quais eram as compreensões deste “técnico” na disputa que envolveu a mudança de “Técnicos de Administração” para “Administradores”? Se houve luta, quais as motivações dos diferentes lados na disputa? Taí uma investigação histórica que pode ser bem interessante. Mas quisermos deixar para trás o passado (como se isto fosse possível) e pensar apenas no futuro ( que está muito mais para presente) podemos pegar um termo similar, derivado mas diferente, que talvez ajude: “tecnólogo“. Já pensou?
O segundo ponto que destaco no cenário brasileiro de estabelecimento do “administrador” é nossa tutoria estadunidense, materializada principalmente no convênio da FGV com a USAID e a Universidade de Michigam. Historinha bacana que você pode conferir, dentre outro lugares, no site do CFA. Depois de assimilar a simbiose entre o domínio estadunidense, as grandes corporações da segunda metade do século XX e a profissão do administrador, olhe para a situação dos E.U.A hoje, para o histórico de atuação corporativo principalmente pós II G.G. e para a situação do desenvolvimento ao nosso redor e me diga: Como seria se fosse hoje? Ainda criaríamos uma profissão essencialmente atrelada à visão estadunidense e corporativa do mundo?
Comecei a entender o que chamo hoje de ”vinculação ideológica dominante na Administração” depois que tomei contato com a crítica de Aktouf ao pensamento porteriano. Isto foi logo no início do meu mestrado e apenas alguns meses depois de ter defendido uma monografia de graduação essencialmente porteriana. Irônico, se não fosse triste. O choque daquele encontro foi certamente o que definiu este meu direcionamento, esta minha inclinação ideológica que a partir de então só passou a ser reforçada nas buscas (e encontros) das minhas interpretações do fazer acadêmico práxis.

Na práxis dos movimentos, dos fluxos, das actor-networks que acompanho atualmente vejo necessidades de administração completamente inadequadas para pensar /fazer orientadas pelo viés dominante. Ao mesmo tempo infelizmente estas realidades me parecem impregnadas (principalmente de forma inconsciente acredito eu ) por aqueles significados da administração. E claro, estão também inevitavelmente imbricadas em fluxos onde a vinculação dominante é a ordem da casa.
A redução de todos os possíveis significados e práxis da Administração à vinculação dominante é algo que se opera muito facilmente em nosso meio, com poucos questionamentos . Um exemplo bem simples de como isto se dá é o da prática discursiva da “empresa social”, ou “negócio social” etc. Noções que estão no cerne do que propõem iniciativas como as de Paul Polak ou do Next Billion. Para mim este tipo de solução nos desvia da busca por soluções mais apropriadas para cada coisa distinta. Principalmente porque impõe para outros aspectos da vida o padrão cultural da solução “negócios”, da lógica empresarial, de práticas que se por um lado alavancaram certo tipo de crescimento e desenvolvimento, por outro também produziram muito do estado de degradação das atuais sociedades.
Ficam aqui então o meu dois centavos de contribuição para as comemorações nesta data. Enfatizando, de acordo com os dois pontos destacados, primeiro a atenção para importância de uma compreensão mais aprofundada da nossa relação com a técnica, com a tecnologia. Como esta relação se dá? Como fazemos o que fazemos junto com a técnica? O que a técnica faz conosco? Segundo, relembrando a vinculação ideológica dominante em nossa área, será que realmente é necessário mantermos uma formação ideológica tradicional (leia-se aquela vinculada ao interesses dos E.U.A – ou outros “líderes” mundiais – e das grandes empresas ) para apenas a partir das pós-graduações abrirmos espaços para as desconstruções? Enfim, que Administradores queremos para o século XXI?
Filosofia, Antropologia, Sociologia e Administração
Posted by dasilvaorg in Administração on 06/08/2011
Os bacharelados em Administração com os quais tive contato seguem uma lógica de ofertar disciplinas como Filosofia, Sociologia e Antropologia logo no começo do curso. Disciplinas que cada uma delas, é preciso destacar, além de ter que cumprir a proeza de dar conta de um mega resumo de toda uma área do conhecimento, deveria trazer à tona relações entre a área em foco e a Administração. Aliás, no caso da minha graduação (e já ouvi falar por aí que em muitos casos) a segunda parte, ou seja, a abordagem da relação destas áreas do conhecimento com a Administração, simplesmente inexistiu. 
O que motivou este post foi o twitt da flaviansn sobre ser melhor cursar filosofia e sociologia a partir do 5º período do seu curso. Pra mim este é o tipo de conversa que não dá pra ficar só no twitter. Porque tem aí um emaranhado de coisas a serem destrinchadas.
Nem vou buscar agora os históricos (não dá, a pesquisa pra essas coisas e os achados levam a tantos caminhos que acho que o post não sairia em menos que 5 ou 7 dias) mas tenho aqui uma construção mental que me diz que esse lance das disciplinas de ciências sociais e/ou humanidades no início do curso deve ter a ver com uma linha de pensamento que segue mais ou menos a noção de que é possível preparar os estudantes , dar-lhes uma base , para compreensões mais adequadas das disciplinas posteriores específicas do foco de formação, no caso a Administração.
Se esta minha construção mental existe ou não é coisa a ser investigada. Se esta existência for “real” o questionamento fica em torno dos porquês, de onde etc. Por que acredita-se que este tipo de abordagem embasa o estudante? De onde vem essa crença afinal? Existe contraponto a esta suposta crença?
Bem, como estou no fluxo de economia de pesquisas que me tiram do foco para algumas coisas às quais preciso me ater mais ultimamente, não vou encarar esta investigação agora. Por outro lado não poderia deixar de emitir aqui uma opinião, que tem como fundamento exclusivamente minha experiência pessoal, portanto precisa ser , e muito, ponderada.
Para mim filosofia, sociologia e antropologia deveriam ser lecionadas não apenas no começo nem meio do curso, mas durante o curso inteiro. É uma proposição extremamente complexa, entendo eu, mas será que valeria à pena ser pensada.
Aquí entro numa proposição que é na verdade um questionamento sobre a pertinência da formatação das nossas graduações atuais em administração. Faz sentido pensar ainda em áreas funcionais? “Ensinar” Marketing, Gestão de Pessoas, Gestão da Produção, Sistemas de Informação etc. Isto faz sentido ainda? Ou será que os clamores sobre as limitações da fragmentação e especialização do conhecimento, como em Capra e Morin, ou a negação do projeto moderno, como em Latour, nos permitem querer começar a pensar em outros caminhos?
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from Zemanta
- ¿Donde Esta la Frontera? (learnfrommyfail.failblog.org)
Organização, Projeto ou Design?
Posted by dasilvaorg in Administração on 16/07/2011
Design é um termo que me parecia bem outra realidade, nada a ver comigo, até que martelou, martelou, martelou, martelou na minha cabeça e me fez lembrar de coisas que já me incomodavam faz um tempo mas eu nunca tinha parado para falar sobre. O mote para esta conversa é uma tradução de um título de livro que, desde que tomei contato com, me incomodou. “Organizações: Teoria e Projetos” definitivamente é algo completamente diferente de “Organization Theory and Design“.
De cara, mesmo sem avaliar os pequenos detalhes de tradução do conteúdo (uma empreitada que nem sei se é válida*), podemos ver um víes e uma distorção que nos aproximam de algo e nos afastam de outro algo.
O víes nos aproxima de um fluxo, uma tendência, um “paradigma” dominante, enquanto que a distorção nos afasta, ou até elimina, completamente de possibilidades de compreensão bem mais plurais e ricas, em favor de uma muito mais restrita e tecnicista compreensão do organizar. Vou tentar aqui então fazer um resumo da percepçao desta aproximação e afastamento simultâneos.
Primeiro o viés, que se apresenta quando o termo “Organization Theory” é traduzido para “Organizações: Teoria”. A colocação do termo “organization” no plural e estes dois pontos desnecessários logo após, enfatizam o viés, a postura ontológica que a teoria de organização abraçou criando seu objeto, as organizações, enquanto entidades com fronteiras delimitadas e uma relação com o “ambiente”. Esta é uma estória interessante, se pensarmos que organização é em primeiro lugar um verbo. Quando tranformamos organização num substantivo tudo muda, tudo assume outra conotação. E, segundo algumas pessoinhas interessantes que ando lendo, uma conotação bem mais limitada e restrita.
Segundo, e podemos dizer o principal motivo deste post, quando traduzem “design” para “projeto” me parece que eliminam uma boa possibilidade de expansão conceitual. Ora, se o autor estivesse pensando simplesmente em projeto porque utilizaria o termo “design” ao invés de “project“? Quando Daft fala em “organization design” está claramente indo além de projeto. Seu foco é no desenvolvimento e construção dos aspectos internos da organização, nitidamente orientado pelo que aprendemos a chamar de paradigma funcionalista e pelas premissas contingenciais. Quais nuances, percepções e entendimentos podemos tirar deste uso do termo de design? Que outros ”design” podemos pensar, em organização, para além deste quadro de referência?
Questões amplas que se tivessem que ser trabalhadas “cientificamente” precisariam de uma delimitação muito mais específicica, focada, afunilada na lógica do trabalho acadêmico em teoria de organização, claro. Mas isto aqui é apenas um post de registro de inquietação, percebe? Seguimos com nossos projetos. Ops, peraí, ou seria com nossos designs?
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* A dúvida na validade de um tipo de avaliação como esta se dá pelo fato de que a hegemonia da teoria de organização funcionalista é tão forte, destacada, estabelecida como verdade, que investigar quaisquer de sua proposições se torna um circular em torno de conceitos e compreensões totalmente destacadas do “mundo da vida”. Tem horas que não dá pra aturar. Só isso.
zemanta
- Remember / Lembre-se (marinices.wordpress.com)
Administração, Organização, Organizing e Web 2.0
Posted by dasilvaorg in Administração, usos das tecnologias on 12/06/2011
As iniciativas em torno do conhecimento da Administração na Web 2.0 (ciente de todas as críticas que o termo merece) estão por aí. É o que se vê no excelente trabalho do @roneileonel com o blog Administração e Organização , que encontrei por acaso procurando por livros do Simon.

No blog Administração e Organização a gente encontra toda uma preocupação em disponibilizar/orientar/aprender informação acadêmica relevante e responsável sobre Administração. De forma sistematizada e organizada, nas formas que a tal da Web 2.0 supostamente nos permite produzir/consumir, mas também para além das determinaçõs do projeto da tecnologia. Ou como tenho gostado de sempre retentarentender na filosofia submidialogia: ”a arte de re:volver o logos do conhecimento pelas práticas e desorientar as práticas pela imersão no sub-conhecimento”. E assim estamos contruindo a Administração, a Organização e o Organizing.
Minha inquietação com a relação entre a Internet e a construção/translação de uma “nova” concepção da Administração é de sempre. Fica sempre martelando por aqui a visão de que essa expansão da interação pode ajudar a reconstruir esta nossa prática/ciência/ação/ideologia. Soltei algumas falas ingênuas sobre o assunto em 2008, mas nunca parei para organizar nada especificamente voltado para o conhecimento em Administração na Internet. Apenas uma iniciativa tímida e visualizada para ser colaborativa com o QualisADM.
Nos últimos 6 meses me afastei de quase tudo da intensidade da Internet. Estado em que manterei por mais algum tempo para dar conta das prioridades. Mas tudo está interligado, não é mesmo? E as coisas surgem, independente das nossas procuras, visões, vontades.
No final do ano passado dei uma ajustada no texto de 2008 para publicar no mutsaz Janx, mas recentemente comecei a pensar que o caminho precisa ser outro, que esta concepção ingênua precisa sair de um post de blog e virar ação também na própria academia, para ter a academia soprando junto.
Os questionamentos da administração, da nossa formação, dos nossos cursos, como em Nicolini (2003) ou da práxis, como em Misoczky e Amantino-de-Andrade (2005), parecem ser incipientes. Mas acho que é preciso acreditar que as coisas mudam, lentamente mas mudam.
Referências
CZARNIAWSKA, Barbara. A theory of organizing. Cheltenham, UK; Northampton, USA: Edward Elgar, 2008.
LATOUR, Bruno. What’s organizing? A meditation on the bust of Emilio Bootme in praise of Jim Taylor. Palestra ministrada na Universidade de Montreal em 21 de maio de 2008. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=TZkJg1HsvRs>. Acesso em: 16 jan. 2010.
MISOCZKY, Maria Ceci; AMANTINO-DE-ANDRADE, Jackeline. Tréplica: quem tem medo do fazer acadêmico enquanto práxis?. Rev. adm. contemp., Curitiba, v. 9, n. 1, Mar. 2005 .
NICOLINI, Alexandre. Qual será o futuro dasfábricas de administradores?. Rev. adm. empres., São Paulo, v. 43, n. 2, Jun. 2003 .
SUBMIDIALOGIA: A arte de re:volver o logos do conhecimento pelas práticas e desorientar as práticas pela imersão no sub-conhecimento. Diponível em: <http://submidialogia.descentro.org/>. Acesso em: 28 ago. 2010.
O que é Actor-Network Theory
Posted by dasilvaorg in ANT on 21/12/2010
*Actor network theory (ANT) é uma família de abordagens para a análise social que se apoia em seis pressupostos centrais. Primeiro, trata instituições, práticas e atores como materialmente heterogêneos, compostos não só de pessoas mas também de tecnologias e outros materiais. Segundo, assume que os elementos que constroem as práticas são relacionais, alcançam sua forma e atributos somente na interação com outros elementos. Nada é intrinsecamente fixo ou tem realidade fora da trama de interações. Terceiro, assume que a rede de relações e práticas heterogêneas é um processo. Se as estruturas, instituições ou as realidades não são continuamente representadas então elas desaparecem. Quarto, assume portanto que as realidades e estruturas são incertas, em princípio, se não na prática. Quinto, isto implica que o mundo poderia ser diferente, uma sugestão que abre interessantes possibilidades políticas. E sexto, explora como ao invés de porque realidades são geradas e mantidas. Isto porque até mesmo as causas sociais mais óbvias são efeitos relacionais e, portanto, elas mesmas sujeitas a mudança.

A ANT desenvolveu-se inicialmente nos anos 1980 em Paris, com o trabalho de autores como Michel Callon, Bruno Latour (Ciência em Ação, 1987) e John Law (Organizing Modernity, 1994). Ela cresceu (e cresce) através de estudos empíricos das tecnologias, práticas das ciências, organizações, mercados, serviços de saúde, práticas espaciais e do mundo natural. De fato não é possível apreciar a ANT sem a exploração de tais estudos de caso. Filosoficamente a ANT deve muito a Michel Serres (1930-5) e é geralmente pós-estruturalista em inspiração. Partilha então com os escritos de Michel Foucault uma preocupação empírica com padrões material-semióticos de relações, embora os padrões que distingua sejam menores em escopo do que aqueles identificados por Foucault.
A abordagem é controversa. Primeiro, uma vez que é não humanista, analiticamente não privilegia nem as pessoas nem o social, o que a diferencia de muito da sociologia em língua inglesa. Segundo, uma vez que oferece relatos de como, em vez de porque instituições tomam forma, é por vezes acusada de fraqueza explicativa. Terceiro, críticos de abordagem política sugeriram que ela é insensível ao “trabalho invisível” de agentes de baixo status. Quarto, tem sido acusada em algumas de suas versões anteriores de um viés para a centralização, ordenação ou mesmo gerencialismo. E quinto, feministas têm observado que a ANT tem mostrado pouca sensibilidade para a corporificação (ver corpo). Se estas queixas são atualmente justificadas é um questão para debate. Na verdade, a ANT e provavelmente melhor vista como um jogo de ferramentas e um conjunto de sensibilidades metodológicas do que como uma única teoria. Recentemente tem havido bastante intercâmbio entre a ANT e as teorias material-semiótica feminista (Donna J. Haraway) e pós-coloniais, e há o trabalho “after-ANT” mais recente que é muito mais sensível à política de dominação, à corporificação, ao “othering”, e à possível multiplicidade e falta de coerência das relações. Uma questão fundamental permanece política. Aqueles escritores “pós-ANT”, como Annemarie Mol (The Body Multiple, 2002) e Helen Verran, argumentam que as relações são não coerentes e produzem versões sobrepostos porém diferentes da realidade, então há espaço para uma política “ôntica” ou “ontológica”sobre o que pode e deve ser tornado real. Isto significa que as realidades preferíveis e alternativas podem ser desempenhadas numa existência ou tornadas mais fortes: a realidade não é destino.
* LAW, JOHN.Actor network theory. In: TURNER, Brian S.(ed.)The Cambridge Dictionary of Sociology. Cambridge: Cambridge University Press, 2006. p. 4-5. * Correções e adaptações minhas a patir da tradução do Google Translator.
A seguir o texto original. Qualquer comentário sobre adequação de termos e sentidos será muito bem vindo!!!!!!!!!!!
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Actor network theory (ANT) is a family of approaches to social analysis that rests on six core assumptions. First, it treats institutions, practices, and actors as materially heterogeneous, composed not only of people but also of technologies and other materials. Second, it assumes that the elements making up practices are relational, achieving their shape and attributes only in interaction with other elements. Nothing is intrinsically fixed or has reality outside the web of interactions. Third, it assumes that the network of heterogeneous relations and practices is a process. If structures, institutions, or realities are not continuously enacted then they disappear. Fourth, it therefore assumes that realities and structures are precarious in principle, if not in practice. Fifth, this implies that the world might be different, a suggestion that opens up interesting political possibilities. And sixth, it explores how rather than why realities are generated and maintained. This is because even the most obvious social causes are relational effects and therefore themselves subject to change.
ANT developed initially in the 1980s in Paris with the work of such authors as Michel Callon, Bruno Latour (Science in Action, 1987), and John Law (Organizing Modernity, 1994). It grew (and grows) through empirical studies of technologies, science practices, organizations, markets, health care, spatial practices, and the natural world. Indeed it is not possible to appreciate ANT without exploring such case studies. Philosophically, it owes much to Michel Serres (1930–5) and is generally poststructuralist in inspiration. It thus shares with the writing of Michel Foucault an empirical concern with material–semiotic patterns of relations, though the patterns that it discerns are smaller in scope than those identified by Foucault.
The approach is controversial. First, since it is non-humanist it analytically privileges neither people nor the social, which sets it apart from much English-language sociology. Second, since it offers accounts of how rather than why institutions take shape, it is sometimes accused of explanatory weakness. Third, political critics have suggested that it is insensitive to the “invisible work” of low-status actors. Fourth, it has been accused in some of its earlier versions of a bias towards centering, ordering, or even managerialism. And fifth, feminists have observed that it has shown little sensitivity to embodiment (see body). Whether these complaints are now justified is a matter for debate. Indeed, ANT is probably better seen as a toolkit and a set of methodological sensibilities rather than as a single theory. Recently there has been much interchange between ANT, feminist material-semiotics (Donna J. Haraway) and postcolonial theory, and there is newer “after-ANT” work that is much more sensitive to the politics of domination, to embodiment, to “othering,” and to the possible multiplicity and non-coherence of relations. A key issue remains politics. Such “after-ANT” writers as Annemarie Mol (The Body Multiple, 2002) and Helen Verran argue that relations are non-coherent and enact overlapping but different versions of reality, so there is space for “ontics,” or an “ontological politics” about what can and should be made real. This means that alternative and preferable realities might be enacted into being or made stronger: reality is not destiny.
Related articles
- What is it like to be Bruno Latour? (orgtheory.wordpress.com)
- viviana zelizer on gifts and money in the NYT (orgtheory.wordpress.com)
construindo o local: começando
Posted by dasilvaorg in Construindo o Local on 14/08/2010
Uma das coisas que de vez em quando me faz sentir mal é minha “desconexão” com o local. Moro num lugar maravilhoso, belo e cheio de coisas e estórias que não conheço, não exploro, não vivencio. Sempre quis me dedicar mais a uma interação com o local. Fico sempre pensando que deve ter um cara ali na esquina super afim de trocar ideias e tocar pra frente coisas em torno das que tenho afinidades, como o software livre, a discussão de tecnologia, Internet etc.
Cabedelo e arredores tem muita coisa pra interagir e certamente gente afinada com um monte de ideias que já estão circulando por aí e outras ideias e práticas que não tenho a mínima noção que existem. Por isso, vou aproveitar que retomei essa semana minhas curtas caminhadas pela praia e tentar sempre trazer alguma coisa do local para cá. Não sei até quando vou poder estar em Cabedelo, mas espero que essa “construção do local”, seja aqui ou ali, possa sempre fazer cada dia mais sentido.
Nesses dias uma das coisas que esteveevidente por aqui é que o mar brincou de mostrar sua força. As especulações resgataram até uma dinamitação de arrecifes na época da pesca da baleia, que seria a suposta causa dos avanços atuais do mar.
O trechinho que percorri na praia ontem e anteontem tava cheio de tocos, galhos e algum lixo, que preocupa, mas ainda não conseguiu tirar a energia do local. Encontrei também, não pela primeira vez, alguns ossos de tartaruga. Inclusive um crânio bem maior que um que já havia encontrado. Intermares é região de desova da tartaruga pente.
Até o próximo “construindo o local”. PAZ!
contralaboratórios
Posted by dasilvaorg in ANT on 03/08/2010
No final de junho agora recente o @samadeu citou a noção do Bruno Latour de que todo laboratório é um contralaboratório. Ainda que eu não tenha entendido o sentido pretendido pelo Sérgio, a menção me fez lembrar que eu estava pensando em algo assim no contexto das conversas RedeLabs. Daí resolvi primeiro tentar sintetizar aqui uma noção de contralaboratórios para depois, se fosse o caso, pensar nessa relação. Era uma coisa pra ter saído logo na primeira semana de julho, mas… Enfim, está aqui agora.
Laboratórios são importantes locais de trabalho para cientistas e produtores de tecnologia, são os espaços onde se dá vida a fatos e artefatos. Dá pra pensar no contexto das produções de laboratórios associadas a muitas das coisas com as quais convivemos diariamente. Na microinformática, por exemplo, a Apple tem seu Ipad (totalmente fechado totalmente proprietário) que pode ser visto como uma produção de laboratório, no sentido de que é fruto de Pesquisa e Desenvolvimento.
Laboratórios são contralaboratórios no sentido de que o que produzem está sempre, de alguma forma, ao mesmo tempo, contestando propostas de outros laboratórios. Simplificando, na indústria da microinformática aqueles que acreditam e apostam no LIVRE (genericamente qualquer iniciativa afinada com a filosofia do software livre) seriam contralaboratórios dos que apostam no proprietário e assim por diante.
Pensar em contralaboratórios desta forma dá uma visão clara, boa pra perceber o cerne da questão, mas que tem um problema: o mundo já não se divide mais no bem e no mal e nos 10 mais elegantes. Provavelmente nunca se dividiu. Estamos todos ligados de alguma forma e é sempre muito complicado fazer distinções. E para complicar um pouquinho mais podemos ainda raciocinar naquela filosofia de HQ, em que os bandidos se originam de alguma forma a partir do herói e vice-versa.
Laboratórios e contralaboratórios não são empreendimentos de posição, postura, moral, práticas, óbvias e neutras. Laboratórios geralmente estão performando seus próprios contralaboratórios, que estão performando também seus próprios contralaboratórios em espiral infinito.
A antropologia das ciências propõe que nenhum fato ou artefato pode ter sua existência creditada à sua “natureza” ou superioridade frente a outros. O que ocorre na verdade é que são as associações entre as entidades que tornam vencedor esta ou aquela entidade. Se passarmos a pensar nas associações entre humanos e não-humanos vamos ver que nos laboratórios não discutimos um bom número de “realidades”. Lidamos com vários fatos e artefatos, que participam do processo de construção de outros fatos e artefatos, como entidades fechadas, definidas, de função determinada. Não questionamos quais as associações que a fizeram se estabelecer como vitoriosa. As entidades chegam a um ponto de estabilização tão amplamente aceito que parece não fazer mais sentido questioná-las.
Fatos, objetos, artefatos, que não questionamos mais tornam-se caixas pretas no processo de produção nos laboratórios. Recebem entradas e produzem saídas, mas ninguém sabe exatamente o que acontece no entre, os procedimentos do entre não mais discutidos, o importante é o que ela faz. E no caso da Ciência o não questionar desse fazer é um ponto importante do processo. Alcançar esse não questionar é fechar mais uma caixa-preta.
Referências
LATOUR, Bruno. Ciência em ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora. São Paulo: UNESP, 2000.
LATOUR, Bruno. Esperança de Pandora. Bauru, SP: EDUSC, 2001.
#ficeu
Posted by dasilvaorg in technology on 21/06/2010
Entre 8 de janeiro e 20 de maio deste ano experimentei uma forma de escrever ficcionalmente no twitter. Foi uma curtição, uma maneira de expor e não expor ao mesmo tempo. Inicialmente imaginei um viajante no tempo, vindo de um futuro próximo para os dias atuais (é, eu sei, não é muito original, mas…). Um futuro onde a integração homem / computadores é uma realidade indivisível, uma única entidade de partes não distinguíveis, não perceptíveis. Um ser orgânico com propriedades de processamento e ligações periféricas de um computador.
——————#ficeu———————————–
no meu tempo não sabemos mais o que é dormir, não existem pausas para descanso, descanso é uma permanente da ação #ficeu
quando olho para máquina separada de mim penso em coisas que nunca penso no meu tempo. Ter sono, cansaço, acentua esse pensar #ficeu
olhos queimando, cansaço. Não lembro de nada parecido com isso. Aliás, não lembro de nada parecido com o peso deste corpo. #ficeu
essa ideía de opções, de escolha, de pensar no que fazer é algo que repentinamente me veio como fabulosa #ficeu
dores e pensar no que fazer, tão estranho, incômodo e desagradável #ficeu
em horas que até parece que vai ficar tudo bem, que as coisas podem seguir assim. Mas dá um cansaço de repente, um desânimo #ficeu
@FurtaaCor este é um corpo vindo do futuro apresentando percepções e sensações do hoje. #ficeu in reply to FurtaaCor
fazer, refazer, observar, ver, testar, pensar, observar, ver, fazer diferente, fazer, cansar #ficeu
essa questão da comida é outra coisa muito estranha #ficeu
Levantar, sair do micro. Diferente. A não integração às vezes parece boa, outras ruim. Este não é o ponto, bem ou mal. #ficeu
a música precisa desses artefatos engraçados. Fones de ouvidos. hehe #ficeu
surpresas interessantes. Sempre. #ficeu
estados, sentidos. Existe tudo que é perceptível. #ficeu
paro pra pensar, procuro algo que não sei ainda o que é. #ficeu
dor #ficeu
sei lá, mais perto de uma coisa que chamam de humano. Percebendo o que é isso #humano #ficeu
distinguir não-humanos como tal #ficeu
incompletudes, sentimentos, esperanças, mas pra quê? Bom talvez fosse ter o botão de desliga e nunca mais liga. #ficeu
dor de cabeça #ficeu
agua, passagens, procuras #ficeu
apenas precisando registrar para cumprir objetivo #ficeu
sorrisos não são mais coisas a serem assimiladas digitalmente, como todas as outras coisas… #ficeu
sentidos #ficeu
como fazer quando não queremos contrariar, magoar? #ficeu
suor, café, suor, cerveja #ficeu
imagens, reações, noções e para não ficar em três: dor #ficeu
re tra ção, risos, noite #ficeu
então não há certeza do certo ou errado #ficeu
nos entremeios das percepções muito não tem correspondente nos coletivos #ficeu
confusões de sentimentos pelos doutrinamentos de constituição dos sujeitos #ficeu
comer, beber, ter medo de engordar. hihi Que engraçado! Uhhh??!! Graça?!!! O que é mesmo isso? #searching #ficeu
Dizer as percepções e se preocupar ao mesmo tempo em não magoar, não preocupar #ficeu
hábitos nos envelhecem, envelhecemos com eles #ficeu
gente, mulher, imagem, óculos, cigarro #ficeu
dor mais uma vez. Atrapalha pensar. Ainda estranho pensar sobre pensar e dor, sempre. #ficeu
três gatos mortos, vejo sangue, tudo leva à reflexão neste tempo #ficeu
de repente, não saber, buscar uma alternativa, ver o tempo passando #ficeu
às vezes tenho a sensação de que voltaria ao meu tempo desenvolvendo algum dispositivo, mas isto requer dispositivos criadores #ficeu
cronos, philos, prefixos, linguagem #ficeu
sistematização por conta de consciência e restrições desse conceito de indivíduo, humano deste tempo #ficeu
fios, copos, suportes diversos, nada cansa de me surpreender neste tempo #ficeu
porque simplesmente fico num esforço de comparação de busca de alternativas de regresso #ficeu
Descubro a palavra “saudosismo” e as conexões que ela estabelece. #ficeu
De repente essa coisa. Ao pensar que imagino as conexões, elas se restabelecem em tempos não mensuráveis. Incrível é a palavra. #ficeu
Exatamente. Se é que posso usar essa palavra. Confuso com a linguagem. Exatamente, Imaginário. #ficeu
mais um dia, cada vez mais distante do amanhã #ficeu
às vezes consigo conectar algumas coisas que parecem fazer sentido naquele momento, mas apenas naquele momento #ficeu
parar, desligar #ficeu
saindo de um compartimento de gente e indo pra espaço mais aberto, mas ainda indexando #ficeu
calor, vontades, explicações, contextos, fita adesiva?! como foi parar aqui? #ficeu
nossa!! quando os controles não tem uma automatização rotineira tanta coisa dá errada #ficeu
ai! #ficeu
tenho livros ao redor, monitores à frente… Os artefatos desse tempo me remetem a questionamentos #ficeu
os artefatos, que saco! #ficeu
- corre! corre!
- Tô correndo!
- Então tá tão rápido que ficou parado. #ficeu
me preparando pras interações fora do workbox e pensando em coisas di…. hum, é divertidas o termo. #ficeu
residual, em movimentação #ficeu
os sentimentos, ou melhor, as sensações. As mesmas, mas diferentes. Tempo, situação. #ficeu
quando me vejo incompleto correndo nesses becos #ficeu
então, olha! Heim?! Olha!!! Tá, mas vou tentar ver também. #ficeu
aqui, alí. Parando umas coisas para ficar em outras. Não deve, diz algo interno. Difícil de assimilar. #ficeu
tudo do mesmo agora #ficeu
coragem, huh?! #ficeu
ahh, coragem. Tudo bem. Bem?! #ficeu
menos um ou mais um. Ainda não sei precisar #ficeu
voltando ao passo 2 que é paralelo #ficeu
coisas, coisas, coisas, coisas. Quatro é um “bom” número. #ficeu
os ventos esporádicos na porta do escritório e o céu cinza que olhei momentos atrás #ficeu
Desconcentrando com uma novidade e voltando ao ritmo máquina. #ficeu
Questões “emocionais” (as aspas são porque ainda não me sinto seguro com palavras relativas a sentimentos) e me atenho à Web. #ficeu
erro…. erro… indisrenfrysfhifih erro… TO MUCH TIME SPENT errro… shut down #ficeu
Pontuo relevâncias e volto ao estado máquina utilitarista. #ficeu
Não resisto, diferentes canais me cooptam. Tento apenas uma rápida reação e depois voltar à minha própria ação. #ficeu
Mais um. Outro. Outro. GET OUT!!!!!!! #ficeu
Temos tempo, alguns dizem. Não consigo nem uma compilação satisfatória de “tempo”, entretanto. #ficeu
Tem as procuras e as esperas. Aparências e nada mais. #ficeu
cor de laranja #ficeu
Quereres, egoismo. Escolhas, condicionamentos. #ficeu
agora parece que o tempo parou para algumas coisas, mas só para algumas coisas #ficeu
Resistir é outra palavra interessante. Aliás, interessante também é uma palavra. #ficeu
Estranho sempre lançar a palavra e ficar procurando o sentido, que também é uma palavra. #ficeu
re-vi-ra-vol-ta, palavra #ficeu
Dimensões e compassos, entendimentos enviesados. Realidade criada, sempre. #ficeu
vi em algum lugar, de um tempo remoto: “tudo, ao mesmo tempo, de uma só vez, agora” #ficeu
Retomando as anotações. Este estado transitório apresenta situações de caos. Palavra – caos. #ficeu
O interessante – palavra = interessante – é voltar ao ponto depois das percepções – palavra = percepção. #ficeu
fiiiiishró fieieieieieieiei #ficeu
shiprat shiiiiiprat shiiiiiiprrat ship chip chiprat chiiiiiiiprat chip xip ship chip #lingua #ficeu
eita, mergulhei tanto #ficeu
trilhas, resgate das trilhas, esperando fechar provisoriamente um processo – palavra: processo. #ficeu
momentos de decisão e/ou ação, sempre. decisão = palavra #ficeu
As coisas caminham de uma forma completamente descontrolada. “Engraçada” essa percepção da #linguagem que enfatizo nas #palavras #ficeu
Preciso não “enlouquecer”. Hehe, muito engraçado! Arrumar uma forma de usar as palavras sem ficar refletindo nas palavras. #ficeu
Parece agora que as questões das diferenças/semelhanças entre o tempo que eu chamava de meu e este estão desaparecendo. Será? #ficeu
unhhh, idéias, #mutsaz #ficeu – Engraçadíssimo. Graça. Filologia? (volte ao raciocínio anterior e não se empolgue diz uma voz interior)
O cotidiano presente vai apagando alguma coisa de um cotidiano passado. Registros. #formas #ficeu Paro por aqui.
já é 31
Posted by dasilvaorg in essências on 31/03/2010
Estamos todos ligados. Tá ligado? Máquinas que os imaginários cooptam.
O som da minha fonte relembra, #reacesso.
Em estado xamânico os amigos retornam, #reacesso.
Ainda que possa não parecer para uns legítimo.
Se resume a um estado, mas o que é o estado? Inquietação metafísica.
Na hora do sono… branco… desvínculo. Ligado
cidastemasjarbertos
Posted by dasilvaorg in essências on 24/03/2010
Hoje o compoanheiro Bicarato, que também responde pela sensibilidade do Alfarrábio, resgatou em mim lembranças de um dos melhores contextos que vivi em 2009. Segue um textinho, que tirei do cidastemasjarbertos e é mais ou menos explicativo. Mas se não rolar de entender é só perguntar:
Cida Nogueira e um grupo de 7 estudantes: Ana Beatriz; Fernanda Ferrari; João Ricard; João Villacorta; Joaquim Izidro; Orlando da Silva; Renata Rosa, se empenharam em vivenciar no segundo semestre de 2009 uma série de encontros semanais em torno do imaginário de Sistemas Simbólicos.
Estes momentos, que institucionalmente estavam no contexto de uma disciplina do PPGA/UFPE, não cabem em registros lineares, ou mesmo multimidiáticos, ou qualquer que seja o suporte demonstrável para quem lê estas linhas mas não esteve lá.
De Jarbas pode ser dito que sua presença entre nós não cabe em palavras e nem materialidades, porque estão no complexo de seu viver com Cida, que foi em algumas dimensões generosamente partilhado.
O registro aqui é uma forma de, a partir de um fechamento de ciclo e abertura de inumeráveis outros, a partir da dinâmica que idealizamos com O Livro dos Seres Imaginários como nosso operador cognitivo, mesmo no inominável da aprendizagem e vivência daqueles momentos, deixarmos guardadas algumas falas e imagens produzidas para/em dia muito especial com Cida e Jarbas.
XX5 em 2019: Saúde Pública
Posted by dasilvaorg in gestão on 22/03/2010
Seu XX5, um velhinho de 70 anos, aposentado com um SM, de repente necessita de cuidados médicos especializados e se dirige a um suposto centro de atendimento público para o caso.
Neste ano o sistema de saúde pública já está tão caótico e desmantelado que seu XX5 é apenas um número, na verdade mais um ativador das micro-receitas que só fazem sentido num sistema de produtividade.
O médico “atendende” 300 velhinhos ao mesmo tempo, “olha-os” um a um sequencialmente em uma sala minúscula e registra “twitts” de diagnósticos em seu “diagcaptor”. São mais ou menos 5 segundos para cada velhinho e mais 5 para cada twit. Enquanto isso pelo menos mais 3000 velhinhos estão do lado de fora, num corredor apertadíssmo e mal iluminado, esperando para entrar…. Corta.
Já é mais ou menos a décima vez no mês que seu XX5 e seu clone acompanhante vão ao serviço de saúde. O clone ciborgue tem uma uma sensação de que algo está errado, mas, o que eles podem fazer? Essa é a única alternativa que têem.
Mas os sensores ciborgues do clone acompanhante captam o método. Esses velhinhos passam por alí o máximo de vezes legalmente possíveis em um determinado período, para que cada passagem gere uma nova parcela de receita. Aliás, o sistema todo é orientado para isto, o que os velhinhos estão fazendo lá e que está registrado em seus protocolos está cheio de desencontros. Mas isso não importa. Corta
Alguns meses depois….
XX5 clone está em uma lista do cibermundo tentando colaborativamente chegar a um meio de lidar com o sistema. Desmascarar injustiças, divulgar opções etc Mas isto tem que ser feito com muita cautela. Porque nesse tempo, os preconceitos e privilégios estão ainda mais presentes nas relações sociais. Ainda que tudo agite para todos os lados a bandeira da liberdade….
continua….
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Originalmente publicado em 06/08/2009, como comentário a uma discussão sobre Ideologia X Grana no site MetaReciclagem: http://ow.ly/1pmOW
Representação e Natureza MetaReciclagem
Posted by dasilvaorg in ontologia on 09/03/2010
Acho que a minha própria experiência MetaReciclagem já é algo que soma mais uma resposta nos breves questionamentos do Hernani. Breves porque quem já viu questionários, formulários de pesquisa acadêmica por aí, sabe que o povo perde a noção. Vou acrescentar minhas respostas, com o máximo de detalhes que conseguir, mas, por enquanto, ainda estou pensando aqui: por que não há um volume de respondentes perto do nível que meu imaginário projeta? O que me dá essa referência de que há muito, muito mais pessoas que podem vir aqui e responder? Sempre fico matutando sobre isso com a lista também, ou com os #mutsaz. Quem responde e quem não responde a determinadas conversas. Por que? Esse foi o pensamento principal por trás do meu post: Representar e Ser MetaReciclagem, Rede.
Ligo Hernani, Felipe e Dalton (tem mais gente, claro, como o Felipe me lembrou no seu reply, Glauco Paiva. Sim, o Glauco também me parece um nome importante no contexto Origens Metareciclagem / Weblab, mas talvez por alguns detalhes de interações on e off-line me fixei em três. É como se aqui, à distância, conforme eu fosse lendo, vendo, ouvindo interagindo com as coisas MetaReciclagem, os nomes Felipe, Dalton e Hernani estivessem mais acentuados na minha tag cloud, entende?). Aponto para a Weblab porque o contexto “Inclusão Digital” é minha preocupação central desde que comecei as interações em rede. E neste ponto a tag cloud está mais acentuada para a Weblab. Assim, acho que acabo diferenciando as noções de “representação” e “natureza” MetaReciclagem.
A “natureza” MetaReciclagem não é alcançável, mas as “representações” MetaReciclagem podem ser contextualizadas. O que quer dizer que são sempre provisórias e incompletas. Por exemplo, se essa fosse uma pesquisa do Ricardo Ruiz, eu apontaria para outro “agrupamento”, provavelmente veria uma outra força de associações e também provavelmente com outras pessoas e não-pessoas associadas (Ainda que o Felipe me pareça presença constante). É complicado de explicar, mas, pelo tanto que eu escrevo por aí e aqui das minhas percepções, o que não pode ser dito é que eu não estou me esforçando.
Para fechar em quatro parágrafos, e não perder o foco do trabalho do Hernani, quero falar de algumas percepções de “representações” MetaReciclagem e como elas criam, para mim, a expectativa de conversas nesta ação. Umas das “representações” mais fortes para mim é Bailux, que bom que pude estar por lá agora em setembro (e espero voltar). Quando o Régis respondeu ali naqueles questionamentos do hdhd, e ainda mais da forma como ele respondeu, marcou para mim uma noção de pertencimento, de “tamo junto”, que é de certa forma o que eu gostaria de ver de muito mais gente. Como eu disse no meu post, independente das posições políticas e ideológicas de cada um. Depois teve o Hudson respondendo. Hudson é força discursiva online MetaReciclagem. Tem muito, muito valor nesse sentido. Enfim, as emoções e expectativas sempre estão aí. Alguém conhece o Ian Lawrence? Saudações metarecicleiras!
teu caso não é de ver pra crer
Posted by dasilvaorg in essências on 16/02/2010
Ao final do ano passado quando Izidro me presenteou com o DVD de Até onde a vista alcança tive na hora uma sensação assim, difícil de descrever, mas, como tentativa, posso dizer que senti que veria coisas que teriam profunda relação com minha existência, com minha identidade.
Joaquim, já tendo me ouvido falar de alguma coisa sobre a região onde nasci, parece que chegou a dizer na época que achava que existiria alí alguma identificação. Demorei para assistir, não queria ver como passatempo. Tenho essa coisa, às vezes demoro um tempão para assistir algo que sinto que preciso olhar com muito mais que olhos de passatempo. Eu já tinha até escutado as músicas dos extras, mas assistir ao documentário inteiro, só semana passada, como realização de um dos quereres declarados no finalzinho do post anterior (outro querer realizado, aqui ).
A questão da arte “filme” não tenho como avaliar. As imagens , o cadenciamento, tudo me agrada. Mas aí há uma coisa nas imagens que realmente está dentro de mim. Prefiro não tentar explicar agora, mas sei que tem muito a ver com meu pai e este lado da família.
A música fez mais sentido ainda agora. Gosto muito da sensibilidade de Joaquim. E a parceria dele com Publius parece que é certeira, harmônica. E falando em harmônicas, adoro a coisa das harmônicas em “Horizonte”. Acho que alí é o começo da música horizontes. Não estou certo. Em “até onde a vista alcança” a interpretação de Joaquim” e música encaixam perfeitamente nas imagens. Dá gosto de ver. Meu filho ficou até repetindo o refrão aqui em casa, de tanto que eu ouvi – vendo.
Das tantas coisas que esse filme resgata em mim marco aqui uma preocupação que veio com a comunidade. Como ficou essa relação? Apenas contar uma estória com eles? O pessoal que fez tinha alguma outra intenção? Alguém se envolveu mais com os problemas da comunidade?
Aí Izidro me responde que Felipe, o diretor do curta, teve muito envolvimento com a questão quilombola, que buscou uma atuação em outras frentes do problema, de forma ativa. Que talvez hoje não esteja mais envolvido mas à época a entrega era total. Bem, depois achei uma entrevista do Felipe Calheiros que meio que também reforça esse discurso. Como Felipe e Joaquim são parceiros acho que a gente vai acabar se encontrando lá por Recife qualquer hora dessas e aí botar conversas pra frente. Fico feliz em estar colocando este post no ar.
onde não queres nada nada falta
Posted by dasilvaorg in ontologia on 02/02/2010
Tenho aqui um bocado de percepções e alguns termos: Internet, inclusão digital, transformação social, information literacy, desenvolvimento, produção, política pública, ciência e tecnologia, tecnociência, organização, sociedade… É tanta coisa que quando busco explicitar os porquês dos meus fazeres atuais sinto dificuldade em começar. Já faz algum tempo que venho tendo vontade de pegar os pedaços de histórias que estou registrando por aí e compor um corpo, na esperança de que isto vá me mostrar algo. É a esperança do #reacesso.
São muitas dúvidas e uma certeza: trabalhar na idéia de melhoria para algumas realidades. Sistemas, metodologias, práticas, práxis em torno de construção conjunta de oportunidades e desenvolvimento local. Resta escolher ou ser escolhido por alguma destas realidades. Penso no que vivi e no que gostaria de viver ainda, em como e porque tive e tenho acessos e oportunidades. A Internet tem um papel importante nisto. O que é afinal esta coisa que tenho com a Internet? O que pode partir disto e com isto para o trabalho com as pessoas, as comunidades?
Na Internet tem informação de todo o tipo disponível, mas não só isso, possibilidades de expressão, de produção, de articulação. É uma coisa sócio-técnica meio que mágica ainda, mística, ao mesmo tempo que opera numa racionalidade comercial, do consumo, motor e produto da sociedade do consumo. No ciberespaço é muito fácil dispersar, ficar perdido, desviar de um objetivo inicial, consumir consciente e inconscientemente. O ciberespaço é multitransdimensional psicodélico.
Outro dia tuitei para a @kali_lin sobre o volume que ela compartilha no Google Reader. Tem dias que ela solta mais de 40 itens em sequência, coisas muito legais de todo o tipo: imagens, posts enormes e curtos, vídeos etc. Mas simplesmente não consigo acompanhar. Não posso. Fico pensando se eu olhasse, lê-se, ouvisse um por um dos itens, quanto tempo esta navegação me consumiria diariamente? Em meio ao conjunto das outras coisas para ver é comum não dar nem para olhar rapidamente por cima e selecionar algumas coisas. Acabo olhando só uns três ou quatro itens e ignorando o restante. Porque este processo, considerando a dinâmica do hypertexto e a possibilidade de saber mais sobre qualquer coisa a apenas uma googlada de distância, parece que vai te enredando nas diferentes dimensões e entre elas, vai alterando percepções e consciência. Essência do ciberespaço?
Hoje já não me incomoda mais deixar coisas sem ver, não tanto quanto incomodava quando começei a interagir e pesquisar com blogs. Atualmente o sentimento é de definir coisas no meio do caos (na falta de uma palavra melhor), ainda que a preocupação com a informação se mantenha, principalmente na questão da interação, o handshake diário e o como lidar com as caixas-pretas.
Joaquim Izidro, que é uma super pessoa, músico, camarada, me falou recentemente, não pela primeira vez, em uma dificuldade com a quantidade de informação. Era um espécie de feedback que ele estava me dando sobre algumas coisas que lhe mostrei, como o site do Orquestra Organismo ou o post do Brazileiro sobre sua residência lá no Alafin Oyo. Me parece, mas ainda tenho muito que conversar com Izidro sobre isto, que por algum tipo natural de seleção, em função dos focos dele provavelmente, a coisa aparenta tão carregada ao ponto dele não saber como lidar com ela, a informação, e então ter que deixar pra lá.
Mas fevereiro está apenas começando. Esta semana quero finalmente assistir algumas coisas que já estão há meses nos planos, talvez instalar um Debian no desktop e brincar um pouquinho, certamente estudar mais o Latour, tentar ler o resto do The Internet o Things e passar o exemplar impresso que ganhei do @efeefe pra frente. Ah, e na expectativa do #karmaval, até o próximo “elemento” #mutsaz.
……………………
[update] quase instantâneo
ao terminar de escrever e publicar fui ler os outros post #mutsaz, olha só o que eu encontrei
Por sorte me contive a tempo e não entrei no google pra descobrir o lugar onde se consertam máquinas de escrever. Por puro medo. Tive receio de achar outras coisas legais sobre esses objetos antigos e me perder nas descobertas, quando ainda tinha um projeto por terminar.
Sobre a comunicação: como funciona essa capacidade humana de se fazer entender, mesmo quando as palavras não são adequadas ou explícitas?… Sobre a relação das pessoas com os objetos e máquinas: que estranho papel exercem em nossas vidas?…. Sobre os pontos de conexão entre pessoas e a formação das redes: seriam aqueles invisíveis para tornar estas inevitáveis desde os primórdios da humanidade?… Sobre os caminhos tortuosos que escolhemos em nossas vidas para chegar ao que nos é bem próximo… Tati Prado
@dpadua -remember the code
Posted by dasilvaorg in pessoas on 21/11/2009
Estivemos juntos fisicamente apenas em dois momentos, os dois encontrões MetaReciclagem. Mas isto não afere a intensidade da convivênvia.
No aeroporto de BH, dia 10 de setembro a caminho de Arraial, ele me disse que estava para escrever um manifesto “Remember The Code”. O que isto significava, não entrei numas de entrevista na hora. Estava era feliz de estar tomando uma cerveja com uma pessoa por quem não sei como explicar mas eu tinha muito carinho.
Seus planos para o futuro naqueles dias eram “uma cama”, porque vinha de um período de muito stress e poucas noites dormidas.
Dia 14 de outubro nos falamos no Gtalk e ele me disse do câncer. Fiquei chocado, mas ele estava esperançoso.
Há uma ligação, um elo que não sei como explicar que se estabeleceu. No post abaixo, o link sobre blue note é para o blog dele. Foi lá, naquele post que ele me trouxe o reencontro com um eu que sempre esteve aqui. No mesmo dia eu vislumbrei isto na minha história com a MetaReciclagem.
Seguimos.
Siga na LUZ, inspiração, mito, artesão de redes. A gente se vê.
O dia que li Blue Note
Posted by dasilvaorg in essências on 15/11/2009
Quatorze de outubro de dois mil e nove, madrugada. Acabei de ler Blue Note . E aí vejo que as coisas sempre estiveram lá (Insight para as estórias com MetaReciclagem).
Há modos e modos de lidar com os mitos. Alguns, como eu, entram numa racionalidade “mais careta”. Mas estamos falando do mesmo personagem, construído de diferentes maneiras. Biu chama de Lau e eu de Lauro Noboru Akagui.
Interessante me ver de alguma forma naquela estória.
Favela Gambiarra
Posted by dasilvaorg in essências on 18/10/2009
Vi nesta semana que o efeefe soltou um texto que ele e hdhd haviam produzido sobre gambiarra. Mas não li. Tem mais coisas falando por aí de gambiarras, mas também não li.
Partilho aqui uma espontaneidade que acabei de escrever em um doc que a Maira gentilmente está partilhando comigo.
Sofrimento pra alguns é ser feliz, pra quem nunca teve nada um sonho é tudo que sempre quis (O Rappa).
Mas o sonho também é sofrimento. Queremos falar de sofrimento? O que é sofrimento?
Sofrimento “autoetnografado”.
O Rappa tem a ver com a incrustração de pertencimentos. A favela, o Rio de Janeiro. É sofrimento criativo, criador.
A gambiarra aí é biogambiarra, autogambiarra no sentido da adaptação tecnológica do sujeito. A favela é tecnologia, o sujeito é tecnologia e a favela recompõe a tecnologia sujeito que recompõe a tecnologia favela também por meio do sofrimento.
Quando um menino deixa de sair de casa porque tem medo de outro menino isto é preocupante. Mas aí há o domínio / não domínio da tecnologia favela/ tecnologia sujeito como afirmação da subjetividade.
Claro que a favela pode ser vista por diversos olhares, assim como a violência, assim como tudo. Mas, este olhar quase “autoetnográfico” já é a própria gambiarra falando, sem porta-voz, a gambiarra se expressa por si, se mostra e não se mostra. O que sabe e o que não sabe. Mas a gambiarra fala, ainda que o entendimento não seja nem para ela mesma e as interpretações estejam sempre condicionadas a estruturas de autoridades e saberes. Por isso não se deve achar que é possível interpretar a gambiarra falante. Talvez seja mais proveitoso apenas interagir e neste processo, como no handshake do modem, chegar a uma conexão. O que é esta conexão? Quem pode se dar a arrogância de dizer saber?
As gambiarras falantes simplesmente estão.



O que nos une? A pergunta foi feita para o “coletivo editorial
A formação dos administradores está essencialmente atrelada à gestão empresarial, ou, como já falei em outras ocasiões, à tecnologia de gestão empresarial. As práticas, os conceitos, a ideologia, as construções discursivas, tudo está profundamente enraizado no pensamento de desenvolver empresas, que pode ser resumido à criação e manutenção de vantagens competitivas. E assim todos os possíveis significados e práxis da administração acabam sendo reduzidos a esta perspectiva.
Mas o próprio conceito de organização enquanto sistema já não anda muito bem na atualidade. Segundo a pesquisadora polonesa ![[Des]Conferência.MetaRec>Tecendo Redes](http://reacesso.webnos.org/wp-content/uploads/2011/11/confmetarec-300x147.png)



































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