Em 2008 a Fernanda Scur fez a gentileza de dialogar comigo e a lista metareciclagem sobre meu projeto que estava nascendo e o dela que já estava se encaminhando. Coloquei as propostas daquela época em duas páginas de wiki lá no site: PesquisaOrlando e PesquisaFernanda. No mínimo vai servir para pensar na evolução da coisa.
A seguir trago um trecho interessante da conversa, onde comentando as pretensões da Fernanda falo da natureza das organizações e de uma característica que passei a entender como fundamental na MetaReciclagem em relação a isto.
Fernanda Scur : Esse meu interesse surgiu durante o meu trabalho de mestrado feito na Tanzania, onde lidei com as instituicoes de desenvolvimento alemãs, e suas metodologias de implantacãoo de projetos de desenvolvimento super “top-down”, onde o que conta em primeiro lugar são os interesses dos doadores, de tais instituicões, e bem por último, no sentido burocrático da coisa mesmo, a comunidade – digo isso porque as pessoas envolvidas eram pessoas boas – mas o SISTEMA é tal, que é dificil ocorrer uma mudanca – dai a questão: como mexer no sistema??
Orlando: Tenho uma “quase certeza” (porque é bom ter dúvidas) de que quando há “organizações” por traz das coisas tudo vira top-down. Porque esta é a natureza da organização como forma de poder. Tem muita prática travestida de “participativa” “bottom-up” por aí, porque há a necessidade de adaptar o discurso. Mas, a “Organização” é uma agressão à subjetividade, uma violência. Essa é outra viagem que eu vou tentar delinear os caminhos também.
Acho que o mais interessante aqui do MetaReciclagem é uma aparente resistência do grupo em ser “Organização”.
Mexer no sistema?!! Acho que a gente está mexendo toda hora. Agora, querer que o sistema reflita nossos ideais de funcionamento. Aí, nem sei se isso é interessante.
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Tava escrevendo isso ontem e de repente achei que tinha a ver com o #mutsaz. Sigamos.

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