Tenho aqui um bocado de percepções e alguns termos: Internet, inclusão digital, transformação social, information literacy, desenvolvimento, produção, política pública, ciência e tecnologia, tecnociência, organização, sociedade… É tanta coisa que quando busco explicitar os porquês dos meus fazeres atuais sinto dificuldade em começar. Já faz algum tempo que venho tendo vontade de pegar os pedaços de histórias que estou registrando por aí e compor um corpo, na esperança de que isto vá me mostrar algo. É a esperança do #reacesso.
São muitas dúvidas e uma certeza: trabalhar na idéia de melhoria para algumas realidades. Sistemas, metodologias, práticas, práxis em torno de construção conjunta de oportunidades e desenvolvimento local. Resta escolher ou ser escolhido por alguma destas realidades. Penso no que vivi e no que gostaria de viver ainda, em como e porque tive e tenho acessos e oportunidades. A Internet tem um papel importante nisto. O que é afinal esta coisa que tenho com a Internet? O que pode partir disto e com isto para o trabalho com as pessoas, as comunidades?
Na Internet tem informação de todo o tipo disponível, mas não só isso, possibilidades de expressão, de produção, de articulação. É uma coisa sócio-técnica meio que mágica ainda, mística, ao mesmo tempo que opera numa racionalidade comercial, do consumo, motor e produto da sociedade do consumo. No ciberespaço é muito fácil dispersar, ficar perdido, desviar de um objetivo inicial, consumir consciente e inconscientemente. O ciberespaço é multitransdimensional psicodélico.
Outro dia tuitei para a @kali_lin sobre o volume que ela compartilha no Google Reader. Tem dias que ela solta mais de 40 itens em sequência, coisas muito legais de todo o tipo: imagens, posts enormes e curtos, vídeos etc. Mas simplesmente não consigo acompanhar. Não posso. Fico pensando se eu olhasse, lê-se, ouvisse um por um dos itens, quanto tempo esta navegação me consumiria diariamente? Em meio ao conjunto das outras coisas para ver é comum não dar nem para olhar rapidamente por cima e selecionar algumas coisas. Acabo olhando só uns três ou quatro itens e ignorando o restante. Porque este processo, considerando a dinâmica do hypertexto e a possibilidade de saber mais sobre qualquer coisa a apenas uma googlada de distância, parece que vai te enredando nas diferentes dimensões e entre elas, vai alterando percepções e consciência. Essência do ciberespaço?
Hoje já não me incomoda mais deixar coisas sem ver, não tanto quanto incomodava quando começei a interagir e pesquisar com blogs. Atualmente o sentimento é de definir coisas no meio do caos (na falta de uma palavra melhor), ainda que a preocupação com a informação se mantenha, principalmente na questão da interação, o handshake diário e o como lidar com as caixas-pretas.
Joaquim Izidro, que é uma super pessoa, músico, camarada, me falou recentemente, não pela primeira vez, em uma dificuldade com a quantidade de informação. Era um espécie de feedback que ele estava me dando sobre algumas coisas que lhe mostrei, como o site do Orquestra Organismo ou o post do Brazileiro sobre sua residência lá no Alafin Oyo. Me parece, mas ainda tenho muito que conversar com Izidro sobre isto, que por algum tipo natural de seleção, em função dos focos dele provavelmente, a coisa aparenta tão carregada ao ponto dele não saber como lidar com ela, a informação, e então ter que deixar pra lá.
Mas fevereiro está apenas começando. Esta semana quero finalmente assistir algumas coisas que já estão há meses nos planos, talvez instalar um Debian no desktop e brincar um pouquinho, certamente estudar mais o Latour, tentar ler o resto do The Internet o Things e passar o exemplar impresso que ganhei do @efeefe pra frente. Ah, e na expectativa do #karmaval, até o próximo “elemento” #mutsaz.
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[update] quase instantâneo
ao terminar de escrever e publicar fui ler os outros post #mutsaz, olha só o que eu encontrei
Por sorte me contive a tempo e não entrei no google pra descobrir o lugar onde se consertam máquinas de escrever. Por puro medo. Tive receio de achar outras coisas legais sobre esses objetos antigos e me perder nas descobertas, quando ainda tinha um projeto por terminar.
Sobre a comunicação: como funciona essa capacidade humana de se fazer entender, mesmo quando as palavras não são adequadas ou explícitas?… Sobre a relação das pessoas com os objetos e máquinas: que estranho papel exercem em nossas vidas?…. Sobre os pontos de conexão entre pessoas e a formação das redes: seriam aqueles invisíveis para tornar estas inevitáveis desde os primórdios da humanidade?… Sobre os caminhos tortuosos que escolhemos em nossas vidas para chegar ao que nos é bem próximo… Tati Prado

#1 by Joaquim Izidro on 03/02/2010 - 12:41
Acabo de acessar o link. Começando minha leitura tive a percepção de que o texto era teu, pelo estilo… Aí fui no final ver o nome do “culpado” e não encontrei, então continuei minha leitura… No final vejo meu nome, e aí tive a confirmação de que, realmente, era coisa do meu querido amigo. Interessante como reflexões como as nossas podem ajudar a ilustrar um texto na internet, é como se essa rede fosse tua casa e no quintal vc refletisse em voz alta, olhando pra um céu estrelado… Quem sou diante de tudo isso? Quais meus sonhos e minhas vontades? O que não mais combina comigo? Qual o passo que preciso dar nesse instante? Tudo isso diante do mundo, olhando pra o céu e dizendo: QUERO ME ENCONTRAR! Quando mudamos alguns rumos em nossa vida é preciso coragem. Ao dizer para o mundo virtual/real que algo foi modificado, você diz a si mesmo, se convence de que a mudança foi necessária. Eu, no quintal de minha casa (que as vezes têm conexão com a internet), leio essas linhas e vibro. Sempre que mudamos um ponto de vista e nos sentimos melhor com isso é motivo de alegria. No meu modo de entender, acredito que situações assim são importantes para cuidar de nós e conseqüentemente do mundo. E o mundo agradece nossa coragem e sinceridade, afinal ele tá dentro de nós.
E que nossa conversa continue…
Forte abraço, amigo
Joaquim Izidro