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Administração, Organização, Organizing e Web 2.0

As iniciativas em torno do conhecimento da Administração na Web 2.0 (ciente de todas as críticas que o termo merece)  estão por aí. É o que se vê no excelente trabalho do @roneileonel com o blog Administração e Organização ,  que encontrei por acaso procurando por livros do Simon.

No blog Administração e Organização a gente  encontra toda uma preocupação em disponibilizar/orientar/aprender informação acadêmica relevante e responsável sobre Administração. De forma sistematizada e organizada,  nas formas que a tal da Web 2.0 supostamente  nos permite produzir/consumir,  mas também para além das determinaçõs do projeto da tecnologia. Ou como tenho gostado de sempre retentarentender na filosofia submidialogia:  ”a arte de re:volver o logos do conhecimento pelas práticas e desorientar as práticas pela imersão no sub-conhecimento”. E assim estamos contruindo a Administração, a  Organização e  o Organizing.

Minha inquietação  com a relação entre a Internet e a construção/translação de uma “nova” concepção da Administração é de sempre. Fica sempre martelando por aqui a visão de que essa expansão da interação pode ajudar a reconstruir esta nossa prática/ciência/ação/ideologia.  Soltei algumas falas ingênuas sobre o assunto em 2008, mas nunca parei para organizar nada especificamente voltado para o conhecimento em Administração na Internet. Apenas uma iniciativa tímida e visualizada para ser colaborativa com o QualisADM.

Nos últimos 6 meses me afastei de quase tudo da intensidade da Internet. Estado em que manterei por mais algum tempo para dar conta das prioridades. Mas tudo está interligado, não é mesmo? E as coisas surgem, independente das nossas procuras,  visões,  vontades.

No final do ano passado dei uma ajustada no texto de 2008 para publicar no mutsaz Janx, mas recentemente comecei a pensar que o caminho precisa ser outro, que esta concepção ingênua precisa sair de um post de blog e virar ação também na própria academia, para ter a academia soprando junto.

Os questionamentos da administração, da nossa formação, dos nossos cursos, como em Nicolini (2003) ou da  práxis, como em Misoczky e Amantino-de-Andrade (2005), parecem ser incipientes. Mas acho que é preciso acreditar que as coisas mudam, lentamente mas mudam.

Referências

CZARNIAWSKA, Barbara. A theory of organizing. Cheltenham, UK; Northampton, USA: Edward Elgar, 2008.

LATOUR, Bruno. What’s organizing? A meditation on the bust of Emilio Bootme in praise of Jim Taylor. Palestra ministrada na Universidade de Montreal em 21 de maio de 2008. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=TZkJg1HsvRs>. Acesso em: 16 jan. 2010.

MISOCZKY, Maria Ceci; AMANTINO-DE-ANDRADE, Jackeline. Tréplica: quem tem medo do fazer acadêmico enquanto práxis?. Rev. adm. contemp.,  Curitiba,  v. 9,  n. 1, Mar.  2005 .

NICOLINI, Alexandre. Qual será o futuro dasfábricas de administradores?. Rev. adm. empres.,  São Paulo,  v. 43,  n. 2, Jun.  2003 .

SUBMIDIALOGIA: A arte de re:volver o logos do conhecimento pelas práticas e desorientar as práticas pela imersão no sub-conhecimento. Diponível em: <http://submidialogia.descentro.org/>. Acesso em: 28 ago. 2010.

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O que é Actor-Network Theory

*Actor network theory (ANT) é uma família de abordagens para a análise social que se apoia em seis pressupostos centrais. Primeiro, trata instituições, práticas e atores como materialmente heterogêneos, compostos não só de pessoas mas também de tecnologias e outros materiais. Segundo, assume que os elementos que constroem as práticas são relacionais, alcançam sua forma e atributos somente na interação com outros elementos. Nada é intrinsecamente fixo ou tem realidade fora da trama de interações. Terceiro, assume que a rede de relações e práticas heterogêneas é um processo. Se as estruturas, instituições ou as realidades não são continuamente representadas então elas desaparecem. Quarto, assume portanto que as realidades e estruturas são incertas, em princípio, se não na prática. Quinto, isto implica que o mundo poderia ser diferente, uma sugestão que abre interessantes possibilidades políticas. E sexto, explora como ao invés de porque realidades são geradas e mantidas. Isto porque até mesmo as causas sociais mais óbvias são efeitos relacionais e, portanto, elas mesmas sujeitas a mudança.

Figura da folha antes do sumário no livro Reassembling The Social (Bruno Latour)

A ANT  desenvolveu-se inicialmente nos anos 1980 em Paris, com o trabalho de autores como Michel Callon, Bruno Latour (Ciência em Ação,  1987) e John Law (Organizing Modernity, 1994). Ela cresceu (e cresce) através de estudos empíricos das tecnologias, práticas das ciências, organizações, mercados, serviços de saúde, práticas espaciais e do mundo natural. De fato não é possível apreciar a ANT sem a exploração de tais estudos de caso. Filosoficamente a ANT deve muito a Michel Serres (1930-5) e é geralmente pós-estruturalista em inspiração. Partilha então com os escritos de Michel Foucault uma preocupação empírica com padrões material-semióticos de relações, embora os padrões que distingua sejam menores em escopo do que aqueles identificados por Foucault.

A abordagem é controversa. Primeiro, uma vez que é não humanista, analiticamente não privilegia nem as pessoas nem o social, o que a diferencia de muito da sociologia em língua inglesa. Segundo, uma vez que oferece relatos de como, em vez de porque instituições tomam forma, é por vezes acusada de fraqueza explicativa. Terceiro, críticos de abordagem política sugeriram que ela é insensível ao “trabalho invisível” de agentes de baixo status. Quarto, tem sido acusada em algumas de suas versões anteriores de um viés para a centralização, ordenação ou mesmo gerencialismo. E quinto, feministas têm observado que a ANT tem mostrado pouca sensibilidade para a corporificação (ver corpo). Se estas queixas são atualmente justificadas é um questão para debate. Na verdade, a ANT e provavelmente melhor vista como um jogo de ferramentas e um conjunto de sensibilidades metodológicas do que como uma única teoria. Recentemente tem havido bastante intercâmbio entre a ANT e as teorias material-semiótica feminista (Donna J. Haraway) e pós-coloniais, e há o trabalho “after-ANT” mais recente que é muito mais sensível à política de dominação, à corporificação, ao “othering”, e à possível multiplicidade e falta de coerência das relações. Uma questão fundamental permanece política. Aqueles escritores “pós-ANT”, como Annemarie Mol (The Body Multiple, 2002) e Helen Verran, argumentam que as relações são não coerentes e produzem versões sobrepostos porém diferentes da realidade, então há espaço para uma política “ôntica” ou “ontológica”sobre o que pode e deve ser tornado real. Isto significa que as realidades preferíveis e alternativas podem ser desempenhadas numa existência ou tornadas mais fortes: a realidade não é destino.

* LAW, JOHN.Actor network theory. In: TURNER, Brian S.(ed.)The Cambridge Dictionary of Sociology. Cambridge: Cambridge University Press, 2006. p. 4-5. * Correções e adaptações minhas a patir da tradução do Google Translator.

A seguir o texto original. Qualquer comentário sobre adequação de termos e sentidos será muito bem vindo!!!!!!!!!!!

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Actor network theory (ANT) is a family of approaches to social analysis that rests on six core assumptions. First, it treats institutions, practices, and actors as materially heterogeneous, composed not only of people but also of technologies and other materials. Second, it assumes that the elements making up practices are relational, achieving their shape and attributes only in interaction with other elements. Nothing is intrinsically fixed or has reality outside the web of interactions. Third, it assumes that the network of heterogeneous relations and practices is a process. If structures, institutions, or realities are not continuously enacted then they disappear. Fourth, it therefore assumes that realities and structures are precarious in principle, if not in practice. Fifth, this implies that the world might be different, a suggestion that opens up interesting political possibilities. And sixth, it explores how rather than why realities are generated and maintained. This is because even the most obvious social causes are relational effects and therefore themselves subject to change.

ANT developed initially in the 1980s in Paris with the work of such authors as Michel Callon, Bruno Latour (Science in Action, 1987), and John Law (Organizing Modernity, 1994). It grew (and grows) through empirical studies of technologies, science practices, organizations, markets, health care, spatial practices, and the natural world. Indeed it is not possible to appreciate ANT without exploring such case studies. Philosophically, it owes much to Michel Serres (1930–5) and is generally poststructuralist in inspiration. It thus shares with the writing of Michel Foucault an empirical concern with material–semiotic patterns of relations, though the patterns that it discerns are smaller in scope than those identified by Foucault.

The approach is controversial. First, since it is non-humanist it analytically privileges neither people nor the social, which sets it apart from much English-language sociology. Second, since it offers accounts of how rather than why institutions take shape, it is sometimes accused of explanatory weakness. Third, political critics have suggested that it is insensitive to the “invisible work” of low-status actors. Fourth, it has been accused in some of its earlier versions of a bias towards centering, ordering, or even managerialism. And fifth, feminists have observed that it has shown little sensitivity to embodiment (see body). Whether these complaints are now justified is a matter for debate. Indeed, ANT is probably better seen as a toolkit and a set of methodological sensibilities rather than as a single theory. Recently there has been much interchange between ANT, feminist material-semiotics (Donna J. Haraway) and postcolonial theory, and there is newer “after-ANT” work that is much more sensitive to the politics of domination, to embodiment, to “othering,” and to the possible multiplicity and non-coherence of relations. A key issue remains politics. Such “after-ANT” writers as Annemarie Mol (The Body Multiple, 2002) and Helen Verran argue that relations are non-coherent and enact overlapping but different versions of reality, so there is space for “ontics,” or an “ontological politics” about what can and should be made real. This means that alternative and preferable realities might be enacted into being or made stronger: reality is not destiny.

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A Rede MetaReciclagem Como Um Ator

A noção inicial era de que as coisas eram feitas de uma maneira bastante espontânea, sem muito planejamento, sem muita formalidade. Mas o que teria  possibilitado construir a crença nesta espontaneidade? As construções textuais em torno da metareciclagem? Ingenuidade? Desejo? Importa nomear?

Agora, à primeira vista, sem verificar os textos que de alguma forma orientaram esta visão, busco resgatar um percurso metareciclagem, de como eu cheguei no site, na lista de discussão, até participar de dois encontros presenciais ( uma semana em janeiro de 2009 na Campus Party em São Paulo e quatro dias e em setembro de 2009 no Bailux Party em Arraial da Ajuda – Bahia)  com algumas pessoas que se autodenominam “metarecicleiros”  e que sempre tenho vontade de grafar  como “metarecicleirxs” para arriscar usar noções simbólicas da práxis.   Além disso, o fato de de que  o que começou como uma pesquisa para se encontrar na práxis continua, atualmente principalmente no mutgamb, me parece requerer apresentar uma auto imagem da minha participação nos processos. Questão de clareza e honestidade para comigo e com os  diversos parceiros.

Comecei em 2008 uma pesquisa, até então ainda informal e bancada com recursos próprios, que tinha como objetivo compreender possibilidades de uso da Internet para o que à época foi chamado de “ação social”.  Os  blogs representavam para mim naquele momento a forma de interação online mais proveitosa para divulgar ideias, estabelecer contato e chegar a novos pensamentos e ações. Eu acreditava que existia um poder nas mídias sociais e neste contexto criei o “netnografando”.

O pouco que eu entendia por  netnografia me  parecia ser o método mais adequado para a investigação na Internet. Desde o começo o que busquei  uma possibilidade de aliar o desenvolvimento de uma pesquisa de doutorado a práticas no contexto Internet e “ação social”. Depois de um tempo vi  que a netnografia, na forma como eu a compreendo,  é incompatível com uma investigação bacana das coisas que venho observando. Simplesmente porque “netnografia”,  na linha do que Kozinets (2002; 2006) propõe,  é numa versão lúdica do pensar só mais um instrumento do imaginário que produz imaginário, ou numa versão mais seca e um tanto dura um passo-a-passo de como dar conta do “conhecimento” de seu “aborígene digital” preferido. O “nome” netnografia em si não quer dizer nada. É usado para se referir a pesquisas de orientação etnográfica na Internet de um modo geral, faz menção ao step-by-step do Kozinets, mas  não problematiza a própria etnografia, suas crenças e pretensões, seus mitos.Por isso se torna pretensão no mínimo ingênua ou “esperta” (no pior dos sentidos).

O mito do antropólogo que vai ao campo e constrói uma descrição cultural (MALINOWSKI, 1932) migra para o “campo Internet”, como se fosse cultura,  mas se esquece pelo menos que trata-se ao mesmo tempo de um artefato cultural,  como  Hine (2000) efetivamente se dedica a mostrar em seu trabalho, chegando a propor inclusive a não distinção entre espaço online e offline como um dos recursos metodológicos necessários  para uma investigação que leve em conta estes dois aspectos simultâneos da Internet, ou  seja, cultura e artefato cultural.

Hine (2000) com  sua etnografia do e no virtual (virtual ethnography) traz uma orientação que mais se aproxima do que eu vejo hoje que  gostaria de alcançar,  que é uma abordagem de investigação com uma proposta antropológica de campo, mas sem  ilusão de que é possível transportar método de “realidade” para “realidades”. Nesse sentido os questionamentos já começam com as propostas de uma  antropologia das ciências (LATOUR, 2000).

Mas, voltando para a questão do fazer  metareciclagem. Lembro que foi um pouco chocante quando finalmente numa discussão sobre o site da rede, no Bailux Party ,  interpretei que existia ali uma alta dose de “planejamento formal”. E mesmo que as pessoas não vejam com esses meus óculos, claro, não quer dizer que isto não exista.  Ainda fico me perguntando até hoje porque o choque. Será que eu vinha querendo fugir de um mundo que está aí, uma discursividade que está aí estabelecida, estabelecendo, em estabelecimento, e sendo apropriada diariamente por todos nós?

As racionalidades da gestão estão atuando no nosso dia-a-dia como agentes nas definições de todos os processos. Tudo é de alguma forma administração e administrado. E as ações trazem as cargas do que já no sentido genérico, percepção geral, foi assimilado da administração, ainda que este nome, na forma do que teoricamente costuma se definir,  não esteja sendo usado ou conscientemente pensado. Mais ou menos isso.

O que vejo  para a administração é que podemos trabalhar em outra sintonia. Entendendo que  isto talvez seja uma impossibilidade prática para a certos setores da  iniciativa privada como operam atualmente. Mas,  ao mesmo tempo, isto é uma necessidade moral paras outros processos de gestão, principalmente aqueles associados às questões públicas.

A questão do público, entretanto, seguindo a orientação que estou assimilando da Actor-Network Theory – ANT, não deveria ser assumida como um macro-ator, um coletivo já estabilizado,  um ser artificial no mesmo sentido que o são Estado e outras instituições ditas sociais. Por que não? Porque desconsideram-se os artificios que criam os atores sociais, as entidades estabelecidas, passa-se a buscar as ações e disputas que ocorrem para este estabelecimento. E para reforçar esta perspectiva uma outra se apresenta que me parece ainda mais coerente. Qual seja, a de que se deve ver logo as  apropriações e usos dessas racionalidades tradicionais da administração em práticas que se propõem inovadoras do nosso tempo, para aí talvez ver o que sobra de inovador nestas gestões. Mas o que eu gostaria mesmo de ver ou de construir nesse processo? Linhas gerais de orientação para os que vem depois? Orientação para fazer o que?

Uma coisa que me parece importante definir de início é o que eu chamo de “a metareciclagem”. A metareciclagem para mim não é apenas uma rede auto organizada nos moldes que se auto apresenta. É rede no sentido que tem o verbo enredar, mas esse enredamento não é  apenas e principalmente de pessoas, há muitos outros elementos socio-ténicos, entidades em disputa, nesse fazer constante de metareciclagem. Metareciclagem é num instante um computador que foi montado de peças que iriam para o lixo, no outro segundo é a metodologia que permite a produção deste computador, para  logo em seguida ser  a filosofia que orienta a reflexão sobre a produção deste computador e uma série de assuntos que gravitam ao seu redor. Ao mesmo tempo dizer isto é muito limitado, é quase a mesma coisa de querer apreender algo com uma netnografia.

Por fim, quero fechar dizendo que até o parágrafo anterior este texto era apenas um rascunho que estava aqui no wordpress esperando para ser complementado,  editado e publicado. Neste momento que estou justamente reconstruindo um percurso,  para tentar definir algo do que pode ser minha pesquisa (acadêmica) e como ela se relaciona com a práxis,  vim buscar auxílio nos blogs. Não está fácil, tem várias coisas na cabeça ao mesmo tempo. Uma das coisas que ando pensando é que,  se eu quiser tentar ver se manifestarem actantes ( noção da semiótica traduzida pela ANT) e como se produzem macro-atores, a rede metareciclagem é apenas um dos macro-atores. Mas, a questão é ver como se produzem macro-atores? Pra quê?  Tenho certeza que os  indícios do que quero / posso fazer de forma a manter a proposta com a qual comecei tudo isso, que é a de não fazer um trabalho apenas acadêmico, estão por aqui e ali nas coisas que tenho escritas e nas que ainda estão por escrever. Há, há, há, dá até pra rir depois dessa frase. Por isso paro por aqui e volto ao meu exercício de tradução.

Referências

CALLON, Michel.; LATOUR, Bruno. Unscrewing the Big Leviathan: How Actors Macro-structure Reality and How Sociologist Help Them to Do So. In: KNORR-CETINA, K.; CICOUREL, A. (eds.).  Advances in Social Theory and Methodology. Boston: Routledge and Keagan Paul, 1981. p. 277-303.

CZARNIAWSKA, Barbara. A theory of organizing. Cheltenham, UK;  Northampton, USA: Edward Elgar, 2008.

DA MATTA, Roberto. Relativizando: uma introdução à antropologia social. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1981.

ESCOBAR, Arturo. Whose Knowlege, Whose Nature? Biodiversity Conservation and Social Movements Political Ecology.  Journal of Political Ecology. 1999.

ESCOBAR, Arturo. Gender, place and networks: a political ecology of cyberculture. In: SCHECH, S.; HAGGIS, J. (eds.). Development: a cultural studies reader. Oxford: Blackwell, 2002.

ESCOBAR, Arturo. Welcome to Cyberia: Notes on the Anthropology of Cyberculture. Welcome to cyberia: Notes on the anthropology of cyberculture, Current Anthropology, v. 35, n. 3, p. 211-231, 1994.

HARAWAY, Donna. Manifesto ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX, In: SILVA, T. T. (org.). Antropologia do ciborgue. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

HINE, Christine. Virtual Ethnography. London: Sage, 2000.

KOZINETS, Robert V. The Field behind the Screen: Using Netnography for Marketing Research in Online Communities. Journal of Marketing Research, v. 39, n. 1, p. 61-72, feb. 2002.

KOZINETS, Robert V. Netnography 2.0 In: BELK, Russell W. (Ed.). Handbook of qualitative research methods in marketing. Northampton, MA: Edward Elgar, 2006.

LATOUR, Bruno.; WOOLGAR, Steve. A vida de laboratório: a produção dos fatos científicos. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1997.

LATOUR, Bruno. A esperança de Pandora:  ensaios sobre a realidade dos estudos científicos. Bauru, SP:  EDUSC, 2001.

LATOUR, Bruno. Ciência em ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora. São Paulo: UNESP, 2000.

LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. São Paulo: Ed. 34, 1994.

LATOUR, Bruno. Reassembling the Social: An Introduction to Actor-Network Theory. Oxford, New York: Oxford Universty Press, 2005.

LATOUR, Bruno. What’s organizing? A meditation on the bust of Emilio Bootme in praise of Jim Taylor. Palestra ministrada na Universidade de Montreal em 21 de maio de 2008. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=TZkJg1HsvRs>. Acesso em: 16 jan. 2010

MALINOWSKI, Bronislaw. Argonauts of the Western Pacific: an account of native enterprise and adventure in the archipelagoes of Melanesian New Guinea. 2nd impression. London: George Routledge & Sons, 1932.

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contralaboratórios

No final de junho agora recente o @samadeu citou a noção do Bruno Latour de que todo laboratório é um contralaboratório. Ainda que eu não tenha entendido o sentido pretendido pelo Sérgio, a menção me fez lembrar que eu estava pensando em algo assim no contexto das conversas RedeLabs.   Daí resolvi primeiro tentar sintetizar aqui uma noção de contralaboratórios para depois, se fosse o caso, pensar nessa relação. Era uma coisa pra ter saído logo na primeira semana de julho, mas… Enfim, está aqui agora.

Laboratórios são importantes locais de trabalho para cientistas e produtores de tecnologia, são os espaços onde se dá vida a fatos e artefatos. Dá pra pensar no contexto das produções de laboratórios associadas a muitas das coisas com as quais convivemos diariamente.  Na microinformática, por exemplo,  a Apple tem seu Ipad (totalmente fechado totalmente proprietário) que pode ser visto como uma produção de laboratório, no sentido de que é fruto de Pesquisa e Desenvolvimento.

Laboratórios são contralaboratórios no sentido de que o que produzem está sempre,  de alguma forma, ao mesmo tempo,   contestando propostas de outros laboratórios. Simplificando, na indústria da microinformática  aqueles que acreditam e apostam no LIVRE (genericamente qualquer iniciativa afinada com a filosofia do software livre) seriam contralaboratórios dos que apostam no proprietário e assim por diante.

Pensar em contralaboratórios desta forma dá uma visão clara, boa pra perceber o cerne da questão, mas que tem um problema: o mundo já não se divide mais no bem e no mal e nos 10 mais elegantes. Provavelmente nunca se dividiu. Estamos todos ligados de alguma forma e é sempre muito complicado fazer distinções. E para complicar um pouquinho mais podemos ainda raciocinar naquela filosofia de HQ,  em que os bandidos se originam de alguma forma a partir do herói e vice-versa.

Laboratórios e contralaboratórios não são empreendimentos de posição, postura, moral, práticas,  óbvias e neutras. Laboratórios geralmente estão performando seus próprios contralaboratórios, que estão performando também seus próprios contralaboratórios em espiral infinito.

A antropologia das ciências propõe que nenhum fato ou artefato pode  ter sua existência creditada à sua “natureza” ou superioridade frente a outros. O que ocorre na verdade  é que  são as associações entre as entidades que tornam vencedor esta ou aquela entidade. Se passarmos a pensar nas associações entre humanos e não-humanos  vamos  ver que  nos laboratórios não discutimos um bom número de “realidades”. Lidamos com  vários fatos e artefatos,   que participam do processo de construção de outros fatos e artefatos,  como entidades fechadas, definidas, de função determinada.  Não questionamos quais as associações que a fizeram se estabelecer como vitoriosa.  As entidades chegam a um ponto de estabilização tão amplamente aceito que parece não fazer mais sentido questioná-las.

Fatos, objetos, artefatos, que não questionamos mais tornam-se  caixas pretas no processo de produção nos laboratórios.  Recebem entradas e produzem saídas, mas ninguém sabe exatamente o que acontece no entre,  os procedimentos  do entre não mais discutidos, o importante é o que ela faz. E no caso da Ciência o não questionar desse fazer é um ponto importante do processo. Alcançar esse não questionar é fechar mais uma  caixa-preta.

Referências

LATOUR, Bruno. Ciência em ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora. São Paulo:  UNESP, 2000.

LATOUR, Bruno. Esperança de Pandora. Bauru, SP: EDUSC, 2001.