Archive for category essências
construindo o local: começando
Posted by dasilvaorg in essências on 14/08/2010
Uma das coisas que de vez em quando me faz sentir mal é minha “desconexão” com o local. Moro num lugar maravilhoso, belo e cheio de coisas e estórias que não conheço, não exploro, não vivencio. Sempre quis me dedicar mais a uma interação com o local. Fico sempre pensando que deve ter um cara ali na esquina super afim de trocar ideias e tocar pra frente coisas em torno das que tenho afinidades, como o software livre, a discussão de tecnologia, Internet etc.
Cabedelo e arredores tem muita coisa pra interagir e certamente gente afinada com um monte de ideias que já estão circulando por aí e outras ideias e práticas que não tenho a mínima noção que existem. Por isso, vou aproveitar que retomei essa semana minhas curtas caminhadas pela praia e tentar sempre trazer alguma coisa do local para cá. Não sei até quando vou poder estar em Cabedelo, mas espero que essa “construção do local”, seja aqui ou ali, possa sempre fazer cada dia mais sentido.
Nesses dias uma das coisas que esteveevidente por aqui é que o mar brincou de mostrar sua força. As especulações resgataram até uma dinamitação de arrecifes na época da pesca da baleia, que seria a suposta causa dos avanços atuais do mar.
O trechinho que percorri na praia ontem e anteontem tava cheio de tocos, galhos e algum lixo, que preocupa, mas ainda não conseguiu tirar a energia do local. Encontrei também, não pela primeira vez, alguns ossos de tartaruga. Inclusive um crânio bem maior que um que já havia encontrado. Intermares é região de desova da tartaruga pente.
Até o próximo “construindo o local”. PAZ!
já é 31
Posted by dasilvaorg in essências on 31/03/2010
Estamos todos ligados. Tá ligado? Máquinas que os imaginários cooptam.
O som da minha fonte relembra, #reacesso.
Em estado xamânico os amigos retornam, #reacesso.
Ainda que possa não parecer para uns legítimo.
Se resume a um estado, mas o que é o estado? Inquietação metafísica.
Na hora do sono… branco… desvínculo. Ligado
cidastemasjarbertos
Posted by dasilvaorg in essências on 24/03/2010
Hoje o compoanheiro Bicarato, que também responde pela sensibilidade do Alfarrábio, resgatou em mim lembranças de um dos melhores contextos que vivi em 2009. Segue um textinho, que tirei do cidastemasjarbertos e é mais ou menos explicativo. Mas se não rolar de entender é só perguntar:
Cida Nogueira e um grupo de 7 estudantes: Ana Beatriz; Fernanda Ferrari; João Ricard; João Villacorta; Joaquim Izidro; Orlando da Silva; Renata Rosa, se empenharam em vivenciar no segundo semestre de 2009 uma série de encontros semanais em torno do imaginário de Sistemas Simbólicos.
Estes momentos, que institucionalmente estavam no contexto de uma disciplina do PPGA/UFPE, não cabem em registros lineares, ou mesmo multimidiáticos, ou qualquer que seja o suporte demonstrável para quem lê estas linhas mas não esteve lá.
De Jarbas pode ser dito que sua presença entre nós não cabe em palavras e nem materialidades, porque estão no complexo de seu viver com Cida, que foi em algumas dimensões generosamente partilhado.
O registro aqui é uma forma de, a partir de um fechamento de ciclo e abertura de inumeráveis outros, a partir da dinâmica que idealizamos com O Livro dos Seres Imaginários como nosso operador cognitivo, mesmo no inominável da aprendizagem e vivência daqueles momentos, deixarmos guardadas algumas falas e imagens produzidas para/em dia muito especial com Cida e Jarbas.
teu caso não é de ver pra crer
Posted by dasilvaorg in essências on 16/02/2010
Ao final do ano passado quando Izidro me presenteou com o DVD de Até onde a vista alcança tive na hora uma sensação assim, difícil de descrever, mas, como tentativa, posso dizer que senti que veria coisas que teriam profunda relação com minha existência, com minha identidade.
Joaquim, já tendo me ouvido falar de alguma coisa sobre a região onde nasci, parece que chegou a dizer na época que achava que existiria alí alguma identificação. Demorei para assistir, não queria ver como passatempo. Tenho essa coisa, às vezes demoro um tempão para assistir algo que sinto que preciso olhar com muito mais que olhos de passatempo. Eu já tinha até escutado as músicas dos extras, mas assistir ao documentário inteiro, só semana passada, como realização de um dos quereres declarados no finalzinho do post anterior (outro querer realizado, aqui ).
A questão da arte “filme” não tenho como avaliar. As imagens , o cadenciamento, tudo me agrada. Mas aí há uma coisa nas imagens que realmente está dentro de mim. Prefiro não tentar explicar agora, mas sei que tem muito a ver com meu pai e este lado da família.
A música fez mais sentido ainda agora. Gosto muito da sensibilidade de Joaquim. E a parceria dele com Publius parece que é certeira, harmônica. E falando em harmônicas, adoro a coisa das harmônicas em “Horizonte”. Acho que alí é o começo da música horizontes. Não estou certo. Em “até onde a vista alcança” a interpretação de Joaquim” e música encaixam perfeitamente nas imagens. Dá gosto de ver. Meu filho ficou até repetindo o refrão aqui em casa, de tanto que eu ouvi – vendo.
Das tantas coisas que esse filme resgata em mim marco aqui uma preocupação que veio com a comunidade. Como ficou essa relação? Apenas contar uma estória com eles? O pessoal que fez tinha alguma outra intenção? Alguém se envolveu mais com os problemas da comunidade?
Aí Izidro me responde que Felipe, o diretor do curta, teve muito envolvimento com a questão quilombola, que buscou uma atuação em outras frentes do problema, de forma ativa. Que talvez hoje não esteja mais envolvido mas à época a entrega era total. Bem, depois achei uma entrevista do Felipe Calheiros que meio que também reforça esse discurso. Como Felipe e Joaquim são parceiros acho que a gente vai acabar se encontrando lá por Recife qualquer hora dessas e aí botar conversas pra frente. Fico feliz em estar colocando este post no ar.
O dia que li Blue Note
Posted by dasilvaorg in essências on 15/11/2009
Quatorze de outubro de dois mil e nove, madrugada. Acabei de ler Blue Note . E aí vejo que as coisas sempre estiveram lá (Insight para as estórias com MetaReciclagem).
Há modos e modos de lidar com os mitos. Alguns, como eu, entram numa racionalidade “mais careta”. Mas estamos falando do mesmo personagem, construído de diferentes maneiras. Biu chama de Lau e eu de Lauro Noboru Akagui.
Interessante me ver de alguma forma naquela estória.
Favela Gambiarra
Posted by dasilvaorg in essências on 18/10/2009
Vi nesta semana que o efeefe soltou um texto que ele e hdhd haviam produzido sobre gambiarra. Mas não li. Tem mais coisas falando por aí de gambiarras, mas também não li.
Partilho aqui uma espontaneidade que acabei de escrever em um doc que a Maira gentilmente está partilhando comigo.
Sofrimento pra alguns é ser feliz, pra quem nunca teve nada um sonho é tudo que sempre quis (O Rappa).
Mas o sonho também é sofrimento. Queremos falar de sofrimento? O que é sofrimento?
Sofrimento “autoetnografado”.
O Rappa tem a ver com a incrustração de pertencimentos. A favela, o Rio de Janeiro. É sofrimento criativo, criador.
A gambiarra aí é biogambiarra, autogambiarra no sentido da adaptação tecnológica do sujeito. A favela é tecnologia, o sujeito é tecnologia e a favela recompõe a tecnologia sujeito que recompõe a tecnologia favela também por meio do sofrimento.
Quando um menino deixa de sair de casa porque tem medo de outro menino isto é preocupante. Mas aí há o domínio / não domínio da tecnologia favela/ tecnologia sujeito como afirmação da subjetividade.
Claro que a favela pode ser vista por diversos olhares, assim como a violência, assim como tudo. Mas, este olhar quase “autoetnográfico” já é a própria gambiarra falando, sem porta-voz, a gambiarra se expressa por si, se mostra e não se mostra. O que sabe e o que não sabe. Mas a gambiarra fala, ainda que o entendimento não seja nem para ela mesma e as interpretações estejam sempre condicionadas a estruturas de autoridades e saberes. Por isso não se deve achar que é possível interpretar a gambiarra falante. Talvez seja mais proveitoso apenas interagir e neste processo, como no handshake do modem, chegar a uma conexão. O que é esta conexão? Quem pode se dar a arrogância de dizer saber?
As gambiarras falantes simplesmente estão.



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