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XX5 em 2019: Saúde Pública

marcha da morteSeu XX5, um velhinho de 70 anos, aposentado com um SM, de repente necessita de cuidados médicos especializados e se dirige a um suposto centro de atendimento público para o caso.

Neste ano o sistema de saúde pública já está tão caótico e desmantelado que seu XX5 é apenas um número, na verdade mais um ativador das micro-receitas que só fazem sentido num sistema de produtividade.

O médico “atendende” 300 velhinhos ao mesmo tempo, “olha-os” um a um sequencialmente em uma sala minúscula e registra “twitts” de diagnósticos em seu “diagcaptor”. São mais ou menos 5 segundos para cada velhinho e mais 5 para cada twit. Enquanto isso pelo menos mais 3000 velhinhos estão do lado de fora, num corredor apertadíssmo e mal iluminado, esperando para entrar…. Corta.

Já é mais ou menos a décima vez no mês que seu XX5 e seu clone acompanhante vão ao serviço de saúde. O clone ciborgue tem uma uma sensação de que algo está errado, mas, o que eles podem fazer? Essa é a única alternativa que têem.

Mas os sensores ciborgues do clone acompanhante captam o método. Esses velhinhos passam por alí o máximo de vezes legalmente possíveis em um determinado período, para que cada passagem gere uma nova parcela de receita. Aliás, o sistema todo é orientado para isto, o que os velhinhos estão fazendo lá e que está registrado em seus protocolos está cheio de desencontros. Mas isso não importa. Corta

Alguns meses depois….

XX5 clone está em uma lista do cibermundo tentando colaborativamente chegar a um meio de lidar com o sistema. Desmascarar injustiças, divulgar opções etc Mas isto tem que ser feito com muita cautela. Porque nesse tempo, os preconceitos e privilégios estão ainda mais presentes nas relações sociais. Ainda que tudo agite para todos os lados a bandeira da liberdade….

continua….

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Originalmente publicado em 06/08/2009, como comentário a uma discussão sobre Ideologia X Grana no site MetaReciclagem: http://ow.ly/1pmOW

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Bailux, Cibercultura e Economia Política: Complexidade e Práxis

3819419131_b65721dce1Uma das primeiras coisas que me veio à cabeça quando comecei a “persentir” uma vivência em Arraial foi a complexidade da situação.
A gente tem logo que admitir para si próprio que tem muita coisa, muita coisa mesmo ali que não pode ser capturada individual ou coletivamente em suas significações mais íntimas, mais essenciais.

Falo aqui  também de diferentes adestramentos de olhar. Por exemplo, minha experiência com hotelaria me ajudou a perceber intuitivamente algumas coisas em relação à região que posteriormente foram confirmadas pelo Eduardo e pela Carmem.

Mas, por que isso agora?

É que estudando aqui sobre antropologia da cibercultura me deparo com umas narrativas de 1994 que colocam várias questões sobre o assunto. Mas em algum ponto me atenho no contexto da relação entre informação e capital, regime pós-fordista,  arranjos de novos articulações entre capital global e culturas locais e na afirmativa do autor de que estamos (em 1994 nos E.U.A) testemunhando uma produção de diferença cultural dentro de um sistema estruturado de economia política global, o que leva finalmente aos questionamentos:  De que maneiras específicas  esses processos globais são mediados e constituidos localmente? O que acontece com as noções locais de desenvolvimento e modernidade ao passo que novos mecanismos de interação local-global tomam forma?

Primeiro. Me parece que estas questões são bastante pertinentes também para o contexto atual Arraial d”Ajuda-Bailux-MetaReciclagem. Não?

E então me dei conta que sinto falta de uma sistematização de  conversação que dê conta de uma abordagem em complexidade.  De certa forma a Rede tem um pouco disto,  mas não me parece suficente. No fundo, acho que o que estou pensando é numa sistematização dos discursos ainda nos moldes meio que “modernos”. Não sei.

A forma como a gestão da informação na site metareciclagem está sendo pensada leva a este tipo de questionamento também. Por mais que se fale sem superação das abordagens “modernas” para soluções de gestão, a gestão,  me parece,  continua a ser pensada essencialmente em termos de século XX. Aliás, documentação e especificação de site parece ser uma coisa muito taylorista ainda. E ver isto sendo pensado desta forma para o site da MetaReciclagem foi um pouco desconstrutivo de uma visão mais romântica, mais lúdica com a coisa. Normal.

Lá no encontrão havia muitas visões (e consequentes adestramentos históricos individuais) em interação.  Níveis de gestão pública, abordagens comerciais, artisticas, ideológicas, sentimentais e tudo mais que se possa e não se possa imaginar.Mas, quem, das pessoas que estavam ali, tem algo escrito sobre sua visão dos problemas de Arraial d’Ajuda? Quem tem algo escrito sobre como vê a inserção do Bailux dentro da comunidade local? Sobre as expectativas e visões do que pensa que podem ser articuladas a partir dessa interação do Bailux em Rede?

Eu gostaria de conhecer, ter contato com manifestações da população local neste sentido. Envolvidos ou não com o Bailux. Primeiro, o contexto Arraial, depois o contexto Bailux- Arraial.  E gostaria também de ter um bom grupo com diferentes “pessoas-práxis” para nova práxis com estas interações. Tô querendo muito?

Deixa eu voltar para minha leitura, porque, para fazer jus ao #reacesso, acabei de ver que o próximo tópico é: Rethinking Technology? Anthropology and Complexity. Pode?

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