Archive for category papo metarec
meu trabalho é te traduzir
Posted by dasilvaorg in papo metarec on 25/02/2010
Já tem uns dias que estou querendo escrever sobre como vejo meu processo pessoal de aprendizado a partir da interação com MetaReciclagem (apesar de pensar que tem muito que eu não vejo agora, com certeza muito). É que saí da netnografia para algo mais próximo da autoetnografia. Tudo ainda muito superficial, tudo ainda só percepções. Só que ontem, enquanto dirigia o fusquinha 79 pra resolver alguns problemas, me veio à cabeça essa coisa. A de que quando eu entrei em contato pela primeira vez com a lista MetaReciclagem eu estava completamente encantado com alguma coisa relacionada a possibilidades a partir das interações Web. Era como se na época eu acreditasse que bastava comunicar alguma coisa online que me parecesse razoável e logo haveria um bocado de pessoas conversando comigo sobre a coisa. Se não fosse possível tocar pra frente a idéia, ao menos haveria interações que chegariam a algum outro lugar interessante (em curto prazo, claro).
O que me levou a essa encantamento? Essa foi a questão para qual despertei no fusquinha. Por que esse encantamento? Em meio a um processo de interações (comigo mesmo na grande maioria das vezes) acho que foi como cair num conto da Web 2.0. ” Web 2.0 = POWER TO THE PEOPLE!”
Não dá para precisar quando as coisas começam a mudar na sua cabeça. Acho que não. Mas tem um momento recente que marca um outro encantamento meu: A percepção que me que levou a criar o blog Reacesso e pensar nessas necessidades de “resgate”, reacesso das coisas. Foi o post MetaReciclagem: Incertezas, Reacesso, Redes que publiquei no dia seguinte ao meu aniversário de 2009 (épocas próximas ao meu aniversário são sempre horríveis para mim). Daí pra frente algumas coisas tem tido andamentos e percepções, outras tem tido andamentos e percepções.
Não vou conseguir mais uma vez fazer aquele apanhado sobre a trajetória do pensamento. Canso, muito antes do meio do caminho. Mas acho legal aproveitar o espaço desta ocasião registrar duas coisas. Primeiro o presente Karmaval do Glerm que chegou aqui em casa esta semana. Meu moleque se divertiu fotografando e fazendo colocações sobre tudo. Quando recebo um trabalho assim cheio de simbolismos fico me perguntando se é preciso buscar decifrações. Outra coisa que penso é por que não me sinto confortável para falar sobre? Acho que tem aí um medo de não saber o que falar, ainda que isso entre em contradição com um outro pensamento meu, o de que ter um pensamento certo de como lidar com arte é algo que não tem a ver com arte. Viagem de quem não entende nada do assunto.
A segunda coisa que quero falar é do Bruno Latour, as leituras têm sido cada vez mais interessantes, no sentido de que me dão uma visão de Rede que sai da mesmice das questões que eu vejo nas conversas de redes sociais, ao mesmo tempo que uma compreensão da construção de fatos e artefatos muito coerente com o que sinto no dia a dia. Só não tenho como justificar nada ainda “intelectualmente”. É tudo sentimento, percepção, encantamento. Isto conta para a Ciência? Isto conta para as ciências? Recentemente na lista Submidialogia alguém me questionou quanto à pertinência de usar Latour e o pensar sobre caixas-petas. Basicamente foi recrutada uma associação com Grabriel Tarde e a noção de monadologia. Para mim isto ainda é caixa-preta. Ficamos então neste ponto com uma emotiva resposta minha dos motivos que fazem atualmente ver Latour como algo bastante legítimo.
E para fechar, falando em emoções, a marca aqui é um grande vazio, apreensão, com a ausência da Maira nas conversas online. Essas interações online sempre são apreensivas e cheias de expectativas para mim. Essa semana fui pego numa situação entre duas pessoas que não se falam e que estavam falando comigo ao mesmo tempo no Gtalk. O interessante é que a conversa com ambas estava sendo muito boa, ao ponto de eu querer falar sobre uma para a outra. Aí veio a surpresa:”Sim, nos conhecemos. Tivemos problemas e não nos falamos”. Fiquei meio sem chão na hora, mas no final tudo parece que ficou bem. Quanto à Maira, o que resta é pensar que coisas boas sempre acontecem. PAZ para todos nós!
arte, emoções, encantamento, metareciclagem, mutsaz, pesquisa, Web 2.0
Resistência em ser Organização
Posted by dasilvaorg in papo metarec on 15/12/2009
Em 2008 a Fernanda Scur fez a gentileza de dialogar comigo e a lista metareciclagem sobre meu projeto que estava nascendo e o dela que já estava se encaminhando. Coloquei as propostas daquela época em duas páginas de wiki lá no site: PesquisaOrlando e PesquisaFernanda. No mínimo vai servir para pensar na evolução da coisa.
A seguir trago um trecho interessante da conversa, onde comentando as pretensões da Fernanda falo da natureza das organizações e de uma característica que passei a entender como fundamental na MetaReciclagem em relação a isto.
Fernanda Scur : Esse meu interesse surgiu durante o meu trabalho de mestrado feito na Tanzania, onde lidei com as instituicoes de desenvolvimento alemãs, e suas metodologias de implantacãoo de projetos de desenvolvimento super “top-down”, onde o que conta em primeiro lugar são os interesses dos doadores, de tais instituicões, e bem por último, no sentido burocrático da coisa mesmo, a comunidade – digo isso porque as pessoas envolvidas eram pessoas boas – mas o SISTEMA é tal, que é dificil ocorrer uma mudanca – dai a questão: como mexer no sistema??
Orlando: Tenho uma “quase certeza” (porque é bom ter dúvidas) de que quando há “organizações” por traz das coisas tudo vira top-down. Porque esta é a natureza da organização como forma de poder. Tem muita prática travestida de “participativa” “bottom-up” por aí, porque há a necessidade de adaptar o discurso. Mas, a “Organização” é uma agressão à subjetividade, uma violência. Essa é outra viagem que eu vou tentar delinear os caminhos também.
Acho que o mais interessante aqui do MetaReciclagem é uma aparente resistência do grupo em ser “Organização”.
Mexer no sistema?!! Acho que a gente está mexendo toda hora. Agora, querer que o sistema reflita nossos ideais de funcionamento. Aí, nem sei se isso é interessante.
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Tava escrevendo isso ontem e de repente achei que tinha a ver com o #mutsaz. Sigamos.
Administração, Fernanda Scur, metareciclagem, mutsaz, organizações, Projeto de Pesquisa
andanças na noite e madrugada
Posted by dasilvaorg in papo metarec, pessoas on 08/11/2009
Nestes dias João Pessoa está tendo o prazer de ser visitada por Ricardo Brazileiro.
Ontem nos encontramos e andamos noite e madrugada afora pela cidade transportados pelo fusca 79.
Falamos de muitas coisas, dos projetos recentes, metareciclagem, descentro etc.
Visitamos diferentes tribos em diferentes espaços.
Agradável noite esta de andanças e conversê.
Saúde, Brazileiro.
Brincantes
Posted by dasilvaorg in papo metarec on 15/10/2009
Eu ia fazer uma brincadeira, deu até de aprontar tudinho. Mas aí não entrego assim.
brincar de #reacesso brincantes
Widebiz
Posted by dasilvaorg in papo metarec on 28/09/2009
Que MetaReciclagem nasceu do meta:fora todo mundo sabe.
Mas hoje eu vi referências à lista Widebiz, cujo o nome ainda está ligado a Widesoft só que parece que abandonaram qualquer projeto neste sentido.
Vi que tanto o hdhd, quanto o ff e parece que o Bicarato também já se conversavam por lá em 2001. Fiquei curioso para saber quem mais estava na lista da Widebiz. O que esta lista representava na época?
Vamos ver o que diz o Sr. Marketing Hacker :
Primeiramente, o que é a Widebiz. Em 2000, um dos grandes acontecimentos no mundo dos negócios digital foi a criação de uma lista de debate chamada Widebiz. O moderador era Mário Persona. Um cara muito hábil que soube enfrentar o desafio de gerenciar aproximadamente 700 cabeças numa lista de discussão.
O hdhd fala dele aqui.
E o Bica fala aqui em Lista Comunidade Virtual. Era a mesma?
Muita coisa por hoje. Deixo muitas abas de lado para qualquer outro dia.
felipe fonseca, hernani dimantas, metafora, metareciclagem, paulo bicarato
Um a Um no Bando
Posted by dasilvaorg in papo metarec on 17/09/2009
Ó, vou aproveitar que tô quentinho nos olhares das coisas do passado no wordpress do bando e colocar uma sequencia de imagens “individuais”. É meio que para servir de referência pra mim. Se o “referenciado” não gostar ou não quiser é só falar que eu apago.
Retorno do Encontrão
Posted by dasilvaorg in papo metarec on 15/09/2009
08.40 BH-Confins, na espera do vôo para Recife
Vejo pessoas chorando. Abraços, despedidas.
Tem um senhor com o semblante fechado, introspectivo, daqueles que parecem estar olhando para algo mas não estão olhando para nada.
De repente uma expressão familiar, “Nordeste”. E alguém do meu lado negocia uma proposta que envolve a Odebrecht e a Petrobrás.
As pessoas passam e eu fico imaginando, quem serão estas pessoas?
O que eu vejo nelas? Aí é que talvez seja o ponto. O que eu vejo nelas?
Estereótipos, marcas minhas, algumas que eu próprio consigo associar e muitas que com certeza não.
Consumo de estilo de vida. Me incomodam as aparências elitizadas.
“Este lugar é uma maravilha, mas como é que faz pra sair da ilha? Pela ponte, pela ponte” Lenine.
16.30 Pe-Recife na espera do ônibus para João Pessoa
Sabe quando o cansaço bate. No momento em que começei a escrever este relato já se podiam contar quase quinze horas em deslocamento. Sai do Arraial de mototáxi às 02 da madrugada. Peguei o vôo em Porto Seguro às 04. Desci em Belo Horizonte às 05.30 e fiquei aguardando até 9.20 para sair no segundo vôo, que fez escala em Salvador e depois me deixou no Recife às 13.30. Um café no aeroporto, algumas rápidas conversas na lista, um abraço no Dpádua, na Maira e na Mariel que estavam on no Gtalk e saio para pegar um ônibus urbano e em 40 minutos chegar ao ponto onde pegaria o ônibus para João Pessoa.
21.56 dia 15 Cabedelo – Paraíba
Lembrei hoje que nas vésperas da viagem Deni me perguntou o que justificava todo esse sacrifício. Viajei com menos dinheiro do que daria para passar estes dias por lá. Sem cartão de crédito e apenas uns cheques assinados para a pousada. Na volta, não fosse a minha mãe ter despositado R$ 50,00 na minha conta, não daria nem para ter tomado o café no aeroporto. Mas eu conseguiria ter chegado em casa com R$ 3,00 ainda no bolso. Foi uma vitória.
O que justifica? Não sei, não estou buscando justificativas. Apenas sinto que tem algo “bom” em andamento e vou andando. O andamento me faz enquanto eu faço o andamento.
Que Bom Que Alguns Blogaram
Posted by dasilvaorg in papo metarec on 09/09/2009
A primeira notícia que ví no twitter hoje foi o artigo do hdhd. Então logo pensei na oportunidade de fazer uns comentários e umas ligações com o meu artigo. Mas isto vai ficar para outra hora.
Ainda cedo também me veio uma idéia de reacesso da minha própria conversa online. Basicamente como foi evoluindo o caminho da pesquisa e registro no netnografando até chegar em MetaReciclagem e daí por diante.
Por quê?
É que amanhã provavelmente estarei partindo pro Encontrão e de repente me deu de organizar essa coisa com MetaReciclagem desde as mais remotas conversas. Como cheguei até aqui? Por que ainda estou aqui? Aliás, o que também foi tema de alguns dos In(ter) dependência Posts.
Mas não era por aí toda a minha estória da manhã de hoje não. Tinha alguma coisa também de escrever algo a partir do texto da Lelex. Só que o dia aqui não foi deixando. Tudo essencialmente muito em sintonia com muitos posts do netnografando que eu transportei para cá, onde eu sempre descrevia a minha angústia em estar tentando dar conta ao mesmo tempo de um empreendimento no mundo virtual e outro no mundo real (se é que esta separação existe). E na época, o doutorado era apenas uma aspiração. A ralação era com uma coisa apenas, essencialmente, necessária, marcante, forte, opressora até posso dizer. Bem, reacesso é reacesso. Vamos ver onde isto vai dar. Vou tentar fazer algum resgate deste percurso no próximo post.
Indo pro papo da Lelex. Só pra não deixar de lado. (Lelex, desculpa eu responder por aqui. São questões operacionais. Mas joguei na lista também).
… tá certo que a genter tá tentando tirar tempo prá fazer algumas coisas essenciais aqui prá lista… mas, será que não está a se resistir a essa tarefa? será que a gente no fundo quer mais que essa nossa lista mantenha esse espaço de tempo prá gente poder se falar?
A gente quem? Quando você a fala a gente você está falando de quem?
então, se um, dois, tres, blogaram, já está de bom tamanho, a idéia é se se torne um hábito, um costume, quem sabe, daí, assim vire lei, determinação, hehehehe.
depois de passar uns dias em retiro absoluto, em convívio com pessoas que exercitaram ao máximo seus dotes para aceitação, compreensão, cumplicidade, enfim, exercicios de tolerancia, estratégias de resistência, táticas de permanência… acho que não é prudente eu ficar achando que isso ou aquilo, basta eu reconhecer que: QUE BOM QUE ELGUENS BLOGARAM!!! eu sou interdependente!!!!
Eu vejo a participação da Lelex na lista como uma marcação de território muito interessante. Sempre com textos longos, densos, que puxam a gente pra um reacesso muito amplo antes de falar alguma besteira. Ou, você pode até desconsiderar o texto e falar assim mesmo. Por que não? Quando não é esse o caso, são afirmações contundentes, como esta aí de cima. Dá vontade de continuar o papo, mas ao mesmo tempo da medo.
Lelex, você poderia falar mais pra gente (eu e quem acessar tua mensagem) sobre o que estava passando pela tua cabeça quando você escreveu: “Eu sou interdependente?
****
Update em 22/09/2009
Exemplo Prático de Reacesso
Posted by dasilvaorg in papo metarec on 07/09/2009
Acabei de ler o último post do Hernani no Marketing Hacker: Epistemologia das Redes.
Vejam que ele parte justamente da metafísica.
Bem, ele publicou isto ontem às 20:26. Neste horário eu estava provavelmente tomando uma ar na esquina para bem mais tarde vir para a casa e quebrar a cabeça aqui com a organização desse blog e o post da In(ter)dependência.
O pequeno texto já estava meio que rascunhado no meu moleco. E instalar um blog em wordpress não é trabalho nenhum. Mas, mas, mas… Sacomé. Um pouquinho de lúpulo, um pouquinho de preocupações do dia, falta de grana, dúvida se vai dar pra viajar etc.. etc.. etc.. Aí que para deixar tudo funcionando acabei fazendo umas burradas no FTP e fiquei quase até quatro da matina consertando tudo.
Claro que eu já tinha lido este texto (ou muito semelhante acho) do Hernani. Me parece que está no exemplar de qualificação da tese dele.
Mas aí, só quando você vê novamente o texto, em outro contexto, imediatamente associado a algo que você acabou de respirar. Então… REACESSO.
Tô preparado para que já já alguém diga que não há nada de novo nisto, que isto pode ser entendido como: a, b, c…
Não estou preocupado se é novo. A própria noção do reacesso elimina qualquer possibilidade da novidade ser nova. Confuso?
O mais legal nisso tudo é estar escrevendo, construindo idéias, conversando. O reacesso é evidente, como ontem pela manhã quando joguei na lista do PROPAD a preocupação com o termo reacesso e recebi esta belíssima contribuição da Raquel:
Ainda aguardava alguns outros posts para falar alguma coisa. Desde que você citou outro dia o primeiro filme de ‘matrix’ fiquei incucada com alguns dos meus pensamentos. Inevitavelmente, o reacesso me fez associar o que seria isso na matrix. Reacessar a matrix então seria o ato de entrar novamente naquela ‘realidade’. Experiencia tal que, para Neo, cada vez, era diferente. Cada vez ele, como nós, encaramos a entrada na realidade a partir de uma nova perspectiva, para achar alguma coisa que procuramos mas ainda não sabemos o que é. Nas nossas pesquisas mesmo, buscamos formas que vão além da lógica do capital, novas consciencias sobre as coisas, procurando ver diferente aquilo que estamos diariamente percebendo….enfim.
Assim, minha reflexão promovida por você sobre o reacesso me faz achar que ele nunca é o mesmo acesso de antes. Igual a idéia na frase conhecida de Heráclito “Não é possível descer duas vezes ao mesmo rio, nem tocar duas vezes numa substância mortal, no mesmo estado; pela velocidade do movimento, tudo se dissipa e se recompõe de novo, tudo vem e vai”
Enfim, o reacesso permite sempre uma nova experiÊncia aquele que acessa a partir da percepção que se tem sobre. Acho que vai bem na linha do que você falou de metafísica.
Um pequeno detalhe, este texto chegou às 14.10 do dia 6 de setembro. Portanto, antes do post do Hernani. Acho importante explicar, porque é assim que estou entendendo como mais um exemplo prático de reacesso.
epistemologia das redes, hernani dimantas, marketing hacker, metareciclagem
Rede em Reacesso em Rede
Posted by dasilvaorg in papo metarec on 07/09/2009
Quando vivemos da informação até que ponto podemos fechar os olhos e cair livremente para trás como naquele exercício do teatro?
O que as pessoas de fato falam, manifestam e o que não? Isso importa?
É preciso se deixar ser rede. Repensar o fazer. Refazer o pensar. Práxis.
Encontrei essa necessidade permanente do reacesso quando a práxis é MetaReciclagem.
O “reacesso” tem a ver com um texto, uma informação que você já havia acessado e que provavelmente já vinha operando com ela de alguma forma meio “subconsciente”. Ou ainda, sabe aquela coisa que quando você lê ou vê tem a impressão de que já conhecia de alguma maneira o conteúdo? Talvez porque você já estivesse lidando com ela na perspectiva semelhante a do “autor”.
Mas me parece que também há algo de metafísico aí. Ainda sem muitas explicações. Apenas o sentir, reacesso.
Estamos falando rede. Sentimos rede. Vivemos rede.
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