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Novas Formas de Organizar, Redes e Administração

Uma das minhas principais  preocupações como administrador, e como profissional que atua na formação de administradores, é com a natureza do conhecimento trabalhado em nossa área. Ou melhor, com a pertinência e adequação deste conhecimento para práxis. Principalmente em processos que ensejam possíveis novas formas de organizar e que levam à necessidade de novas formas de compreender.

A formação dos administradores está essencialmente atrelada à gestão empresarial, ou, como já falei em outras ocasiões, à tecnologia de gestão empresarial. As práticas, os conceitos, a ideologia, as construções discursivas, tudo está profundamente enraizado no pensamento de desenvolver empresas, que pode ser resumido à criação e manutenção de vantagens competitivas.  E assim todos os possíveis significados e práxis da administração acabam sendo reduzidos a esta perspectiva.

A redução da administração à perspectiva empresarial preocupa por dois motivos. Primeiro porque há realidades de gestão  em que não faz o mínimo sentido operar nesta lógica. Segundo porque a própria lógica da gestão empresarial parece estar se desgastando, perdendo o fôlego, conforme as pessoas despertam a cada dia para noções como a de comércio justo, economia solidária, autogestão e auto organização.

Neste post me concentro no primeiro motivo, o de que em certas realidades não faz sentido operar com o conhecimento da gestão empresarial. E neste caso a realidade para a qual direciono meu olhar é a das redes auto organizadas. Contexto que propaga-se como novo, com lógicas e características distintas das concepções tradicionais de organização.

Como atuante da rede Meta Reciclagem sempre trabalhei com a ideia de que o  conhecimento da administração, preso na camisa de força da perspectiva empresarial, não dá conta dos processos disso que se convencionou chamar de rede auto organizada.  Simplesmente porque para isso teríamos que de alguma forma relacionar a MetaReciclagem com uma percepção organizacional que entende a organização como uma entidade, como um macro-ator, como um sistema de fronteiras definidas que opera trocas com um ambiente. Vendo desta forma estaríamos sempre lidando com problemas que se apresentariam em função das limitações do objeto “organização”, das características da organização, das contingências que moldam a estrutura e o desempenho de uma organização.

Mas  o  próprio conceito de organização enquanto sistema já não anda muito bem na atualidade. Segundo a pesquisadora polonesa  Barbara Czarniawska nos dias atuais é fácil perceber que a noção de organização vinculada à teoria de sistemas sofre de uma certa inconsistência. O ambiente não pode ser tido como um tipo de conjunto de problemas pré-existentes dentro dos quais uma organização ou um organismo está inserida. As fronteiras, por exemplo, só podem ser vistas quando pensa-se a “organização” de forma estática.  E mesmo no universo empresarial,  nos casos de  fusões, aquisições, outsourcing, insourcing etc, a idéia de fronteiras se torna frágil.

Para sair da armadilha da organização sistema, entidade,  é preciso compreender a organização como um processo contínuo, em permanente construção, sempre incompleto e sendo recriado diariamente. Concepção que forma a base de pensamentos processuais nos estudos organizacionais. Assim, estimulado por algumas discussões que vinham ocorrendo nas últimas semanas na lista metareciclagem, organizei e enviei para a lista  uma proposição em torno das distinções entre conceito, rede e lista no caso MetaReciclagem .

Meu e-mail para a lista resultou em algumas interlocuções interessantes, dentre elas:  a associação da minha percepção de “repetições” à “repetição” na filosofia de Deleuze;  a visualização do “novas iterações” no lugar da “repetição”;  a demarcação do que é um conceito;   a proposição de que estou falando de “prática articulatória e mais alguns questionamentos e colocações que dá para conferir direto lá na thread.

No texto enviado para a lista, e que retomo aqui com alguns ajustes, parto da afirmação feita pelo Adriano Belisário de que o conceito de MetaReciclagem anda muito bem e o que precisamos é fortalecer a rede.  E sigo dizendo que entendo a ideia da distinção entre conceito e rede como uma possibilidade interpretativa e  que de certa maneira concordo com essa possibilidade. Por outro lado,  com base em meu treinamento recente tento não fazer distinção entre rede e conceito, uma vez que o conceito ( e mais adequado seria dizer os conceitos) compõe as redes.

Ao invés de ver a rede como “uma rede”, “a rede”, talvez seja mais interessante ver que MetaReciclagem circula e forma muitas redes, sempre instáveis, sempre incompletas, sempre em formação. A cada associação em que é evocado um conceito/compreensão/ideia de metareciclagem estão se juntando ali redes para a formação de uma outra re de, insisto, todas instáveis e em mutação contínua.

Nossa proposta de desconferência para o FICD.Br mostra  muito claramente essa circulação do conceito. As duas pessoas que aceitaram o desafio de começar a escrever a proposta jamais debateram na lista o conceito de metareciclagem, mesmo assim algum conceito/compreensão/ideia circulante foi convocada para estabilizar uma rede para a desconferência. Esta é apenas uma das redes das diversas redes metareciclagem estabilizadas temporariamente em algum momento para dar conta da interlocução com institucionalidades e com os próprios agentes de formação da rede: conceitos, técnicas, objetos,gente. Tudo agindo, performando uma rede repetidamente, consequentemente lhe dando existência.

A rede existe na repetição da performance de seu componentes, que por outro la do são redes também, estabilizadas em função de uma performance que compõe o desempenho de outras redes. Então os conceitos e as redes metareciclagem nesta perspectiva não podem ser vistos como indo bem separadamente um do outro. Se “o conceito” (que são muitos conceitos) vai bem, o conceito em si é rede e compõe redes, que por extensão vão/estão bem.

E pegando carona na não distinção entre conceito e rede procuro não distinguir também rede de lista. Porque, da mesma forma que os conceitos, as listas compõem as redes. Se aceitarmos o argumento de que as redes são compostas pela associação entre outras redes, a lista MetaReciclagem é a cada mensagem, que pode ser vista como uma rede, uma nova rede. Esta rede que é a lista MetaReciclagem, para a rede digital resumida às rotinas de arquivo e organização de dados dura o tempo da próxima mensagem chegar.

Já para outras associações, extrapolando rotinas e processos eletrônicos, podemos também procurar conexões com a lista metareciclagem. Redes de redes compondo redes. E aí cabe uma pergunta interessante. Como esta percepção se conecta com as “outras redes” do cenário contemporâneo que estão aí sendo colocadas como “novas formas de organizaç ão”?

Uma primeira compreensão possível é a de que a mesma noção de repetição, instabilidade, mutação contínua talvez seja pertinente, com elementos-processos semelhantes mas certamente com  outros completamente diferentes.  Só que aqui se apresenta mais uma vez a limitação do conhecimento da administração essencialmente atrelado à prática empresarial. É ferramenta sem qualquer utilidade neste universo. Nós os administradores ainda precisamos avançar muito nas formas de compreensão do universo da organização distintos do universo empresarial.   As conexões entre as práticas, as redes e o conhecimento da administração  estão ainda muito frouxamente articuladas no nosso espaço de formação.  Essa discussão simplesmente não chegou ainda, não se colocou como horizonte, não  está sendo construída  como realidade de operação do administrador. Logo,  estamos naquele contexto: se você não vê então isto não existe.  Viu?

Nas próximas semanas estarei participando do encontro do MutGamb em Ubatuba-SP e logo em seguida da [Des]conferência.MetaRec>Tecendo Redes no FICD.Br no Rio de Janeiro. Espero ali estar em criações, recriações, repetições de conexões, práticas articulatórias que nos ajudem a avançar neste sentido da práxis da administração no contexto dos processos de organização como os da MetaReciclagem, o que eu muito carinhosamente  chamo de Práxis MetaAfins.

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Para os Administradores do Século XXI

A regulamentação da profissão de administrador no Brasil data 9 de setembro de 1965, por isso a comemoração do dia do administrador. Em minha limitada visão há pelo menos dois pontos de destaque no cenário de regulamentação da profissão e  estabelecimento da área de ensino no Brasil  que se mostram muito interessantes para investigações /discussões da ação de administrar no século XXI. Olhando para trás, para cima, para baixo e para frente ao mesmo tempo.

O primeiro ponto é a presença do termo “técnico” no início das formulações legais da profissão. A profissão foi inicialmente regulamentada como “Técnico em Administração”. Apenas vinte anos depois, 1985, consegue-se a mudança para “Administrador”. Mudança que, segundo o CRA-SP, foi fruto de uma luta de 10 anos.  Uma das  questões que me vem imediatamente quando penso naquela realidade é a de quais eram as denotações e conotações que o termo “técnico” assumia no Brasil na segunda metade do século XX. Mais especificamente, quais eram as compreensões deste “técnico” na disputa que envolveu a mudança de “Técnicos de Administração” para “Administradores”? Se houve luta, quais as motivações dos diferentes lados na disputa? Taí uma investigação histórica que pode ser bem interessante.  Mas quisermos  deixar para trás o passado (como se isto fosse possível) e pensar apenas no futuro ( que está muito mais para presente) podemos pegar um termo similar, derivado mas diferente, que talvez ajude: “tecnólogo“. Já pensou?

O segundo ponto que destaco no cenário brasileiro de estabelecimento do “administrador” é nossa tutoria estadunidense, materializada principalmente no convênio da FGV com a USAID e a Universidade de Michigam. Historinha bacana que você pode conferir, dentre outro lugares, no site do CFA. Depois de assimilar a simbiose entre o  domínio estadunidense, as grandes corporações da segunda metade do século XX e a profissão do administrador, olhe para a situação dos E.U.A hoje, para o histórico de atuação corporativo principalmente pós II G.G. e para a situação do desenvolvimento ao nosso redor e me diga: Como seria se fosse hoje? Ainda criaríamos uma profissão essencialmente atrelada à visão estadunidense e corporativa do mundo?

Comecei  a entender o que chamo hoje de  ”vinculação ideológica dominante na Administração”  depois que tomei contato com a crítica de  Aktouf  ao pensamento porteriano. Isto foi logo no início do meu mestrado e apenas alguns meses depois de ter defendido uma monografia de graduação essencialmente porteriana. Irônico, se não fosse triste. O choque daquele encontro foi certamente o que definiu este meu direcionamento, esta  minha inclinação ideológica que a partir de então só passou a ser reforçada nas buscas  (e encontros)  das minhas interpretações  do fazer acadêmico práxis.

Na práxis dos movimentos, dos fluxos,  das actor-networks que acompanho atualmente  vejo necessidades de administração completamente inadequadas para  pensar /fazer orientadas pelo viés dominante. Ao mesmo tempo infelizmente estas realidades  me parecem impregnadas (principalmente de forma inconsciente acredito eu )  por aqueles significados da administração. E claro, estão também inevitavelmente imbricadas em fluxos onde a vinculação dominante é  a ordem da casa.

A redução de todos os possíveis significados e práxis da Administração à vinculação dominante é algo que se opera muito facilmente em nosso meio,  com poucos questionamentos . Um exemplo bem simples de como isto se dá é o da prática discursiva da “empresa social”, ou “negócio social” etc. Noções que  estão no cerne do que propõem iniciativas como as de  Paul Polak ou do Next Billion.  Para mim este tipo de solução nos desvia da busca por soluções mais apropriadas para cada coisa distinta. Principalmente porque impõe para outros aspectos da vida o padrão cultural da solução “negócios”, da lógica empresarial, de práticas que se por um lado alavancaram certo tipo de crescimento e desenvolvimento, por outro também produziram muito do estado de degradação das atuais sociedades.

Ficam aqui então o meu dois centavos de contribuição para as comemorações nesta data. Enfatizando, de acordo com os dois pontos destacados, primeiro a atenção para importância de uma compreensão mais aprofundada da nossa relação com a técnica, com a tecnologia. Como esta relação se dá? Como fazemos o que fazemos junto com a técnica? O que a técnica faz conosco? Segundo,  relembrando a vinculação ideológica dominante em nossa área, será que realmente é necessário mantermos uma formação ideológica tradicional (leia-se aquela vinculada ao interesses dos E.U.A – ou outros “líderes” mundiais –  e das grandes empresas )  para apenas a partir das pós-graduações abrirmos espaços para as desconstruções? Enfim, que Administradores queremos para o século XXI?

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Filosofia, Antropologia, Sociologia e Administração

Os bacharelados em Administração com os quais tive contato  seguem uma lógica de ofertar disciplinas como Filosofia, Sociologia e Antropologia logo no começo do curso. Disciplinas que cada uma delas, é preciso destacar,  além de ter que cumprir a proeza de dar conta de um mega resumo de toda uma área do conhecimento, deveria trazer à tona relações entre a área em foco e a Administração. Aliás, no caso da minha graduação (e já ouvi falar por aí que em muitos casos) a segunda parte, ou seja, a abordagem da relação destas áreas do conhecimento com a Administração,  simplesmente inexistiu.

O que motivou este post  foi o twitt da flaviansn sobre ser melhor cursar filosofia e sociologia a partir do 5º período do seu curso. Pra mim este é o tipo de conversa que não dá pra ficar só no twitter. Porque tem aí um emaranhado de coisas a serem destrinchadas.

Nem vou buscar agora os históricos  (não dá, a pesquisa pra essas coisas e os achados levam a tantos caminhos que acho que o post não sairia em menos que 5 ou 7 dias) mas tenho aqui uma construção mental  que me diz que esse lance das disciplinas de ciências sociais e/ou humanidades no início do curso deve ter a ver com  uma linha de  pensamento que segue mais ou menos  a noção de que é possível preparar os estudantes , dar-lhes uma base , para compreensões mais adequadas das disciplinas posteriores específicas do foco de formação, no caso a Administração.

Se esta minha construção mental existe ou não é coisa a ser investigada. Se esta  existência for “real” o questionamento fica em torno dos porquês, de onde etc. Por que acredita-se que este tipo de abordagem embasa o estudante? De onde vem essa crença afinal? Existe contraponto a esta suposta crença?

Bem, como estou no fluxo de economia de pesquisas que me tiram do foco  para algumas coisas às quais preciso me ater mais ultimamente, não vou encarar esta investigação agora. Por outro lado não poderia deixar de emitir aqui uma opinião, que tem como fundamento  exclusivamente minha experiência pessoal, portanto precisa ser , e muito, ponderada.

Para mim filosofia, sociologia e antropologia deveriam ser lecionadas não apenas no  começo nem meio do curso, mas durante o  curso inteiro. É uma proposição extremamente complexa, entendo eu, mas será que valeria à pena ser pensada.

Aquí entro  numa proposição que é na verdade um questionamento sobre a pertinência da formatação das nossas graduações atuais em administração. Faz sentido pensar ainda em áreas funcionais? “Ensinar” Marketing, Gestão de Pessoas, Gestão da Produção, Sistemas de Informação etc. Isto faz sentido ainda? Ou será que os clamores sobre as limitações da fragmentação e especialização do conhecimento, como em Capra e Morin, ou a negação do projeto  moderno,  como em Latour, nos permitem querer começar a pensar em outros caminhos?

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Organização, Projeto ou Design?

Design é um termo que me parecia bem outra realidade, nada a ver comigo, até que martelou, martelou, martelou, martelou na minha cabeça e me fez lembrar de coisas  que já me incomodavam faz um tempo mas  eu nunca tinha  parado para falar sobre. O mote para esta conversa é uma tradução de um título de livro que,  desde que tomei contato com, me incomodou. “Organizações: Teoria e Projetos” definitivamente é algo completamente diferente de “Organization Theory and Design“.

by David Armano

De cara, mesmo sem avaliar os pequenos detalhes de tradução do conteúdo (uma empreitada que nem sei se é válida*), podemos ver  um víes e uma distorção que nos aproximam de algo e  nos afastam de outro algo.

O víes nos aproxima de um fluxo, uma tendência, um “paradigma” dominante, enquanto que a distorção nos afasta, ou até elimina, completamente de possibilidades de compreensão bem mais plurais e ricas,  em favor de uma muito mais restrita e tecnicista  compreensão do organizar.  Vou tentar aqui então fazer um resumo da percepçao desta aproximação e afastamento simultâneos.

Primeiro o viés, que  se apresenta quando o termo “Organization Theory” é traduzido para “Organizações: Teoria”. A colocação do termo “organization” no plural e estes dois pontos desnecessários logo após,   enfatizam o viés, a postura ontológica que a teoria de organização abraçou criando seu objeto, as organizações, enquanto entidades com fronteiras delimitadas e uma relação com o “ambiente”.  Esta é uma estória interessante, se pensarmos que organização é em primeiro lugar um verbo. Quando tranformamos organização num substantivo tudo  muda, tudo assume outra conotação. E, segundo algumas pessoinhas interessantes que ando lendo, uma conotação bem mais limitada e restrita.

Segundo, e podemos dizer o principal  motivo deste post, quando traduzem “design” para “projeto” me parece que  eliminam uma boa possibilidade de expansão conceitual. Ora, se o autor estivesse pensando simplesmente em projeto porque utilizaria o termo “design” ao invés de “project“? Quando Daft fala em “organization design” está claramente indo além de projeto. Seu foco é no desenvolvimento e construção dos aspectos internos da organização, nitidamente orientado pelo que aprendemos a chamar de paradigma funcionalista e pelas premissas contingenciais.  Quais nuances, percepções e entendimentos podemos tirar deste uso do termo de design? Que outros  ”design” podemos pensar,  em organização, para além deste quadro de referência?

Questões  amplas que se tivessem que ser trabalhadas “cientificamente” precisariam de uma delimitação muito mais específicica, focada, afunilada na lógica do trabalho acadêmico em teoria de organização, claro. Mas isto aqui é apenas um post de registro de inquietação, percebe?  Seguimos com nossos projetos. Ops, peraí, ou seria com nossos designs?

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* A dúvida na validade de um tipo de avaliação como esta se dá pelo fato de que a hegemonia da teoria de organização funcionalista é tão forte, destacada, estabelecida como verdade, que investigar quaisquer de sua proposições se torna um circular em torno de conceitos e compreensões totalmente destacadas do “mundo da vida”. Tem horas que não dá pra aturar. Só isso.

zemanta

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Administração, Organização, Organizing e Web 2.0

As iniciativas em torno do conhecimento da Administração na Web 2.0 (ciente de todas as críticas que o termo merece)  estão por aí. É o que se vê no excelente trabalho do @roneileonel com o blog Administração e Organização ,  que encontrei por acaso procurando por livros do Simon.

No blog Administração e Organização a gente  encontra toda uma preocupação em disponibilizar/orientar/aprender informação acadêmica relevante e responsável sobre Administração. De forma sistematizada e organizada,  nas formas que a tal da Web 2.0 supostamente  nos permite produzir/consumir,  mas também para além das determinaçõs do projeto da tecnologia. Ou como tenho gostado de sempre retentarentender na filosofia submidialogia:  ”a arte de re:volver o logos do conhecimento pelas práticas e desorientar as práticas pela imersão no sub-conhecimento”. E assim estamos contruindo a Administração, a  Organização e  o Organizing.

Minha inquietação  com a relação entre a Internet e a construção/translação de uma “nova” concepção da Administração é de sempre. Fica sempre martelando por aqui a visão de que essa expansão da interação pode ajudar a reconstruir esta nossa prática/ciência/ação/ideologia.  Soltei algumas falas ingênuas sobre o assunto em 2008, mas nunca parei para organizar nada especificamente voltado para o conhecimento em Administração na Internet. Apenas uma iniciativa tímida e visualizada para ser colaborativa com o QualisADM.

Nos últimos 6 meses me afastei de quase tudo da intensidade da Internet. Estado em que manterei por mais algum tempo para dar conta das prioridades. Mas tudo está interligado, não é mesmo? E as coisas surgem, independente das nossas procuras,  visões,  vontades.

No final do ano passado dei uma ajustada no texto de 2008 para publicar no mutsaz Janx, mas recentemente comecei a pensar que o caminho precisa ser outro, que esta concepção ingênua precisa sair de um post de blog e virar ação também na própria academia, para ter a academia soprando junto.

Os questionamentos da administração, da nossa formação, dos nossos cursos, como em Nicolini (2003) ou da  práxis, como em Misoczky e Amantino-de-Andrade (2005), parecem ser incipientes. Mas acho que é preciso acreditar que as coisas mudam, lentamente mas mudam.

Referências

CZARNIAWSKA, Barbara. A theory of organizing. Cheltenham, UK; Northampton, USA: Edward Elgar, 2008.

LATOUR, Bruno. What’s organizing? A meditation on the bust of Emilio Bootme in praise of Jim Taylor. Palestra ministrada na Universidade de Montreal em 21 de maio de 2008. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=TZkJg1HsvRs>. Acesso em: 16 jan. 2010.

MISOCZKY, Maria Ceci; AMANTINO-DE-ANDRADE, Jackeline. Tréplica: quem tem medo do fazer acadêmico enquanto práxis?. Rev. adm. contemp.,  Curitiba,  v. 9,  n. 1, Mar.  2005 .

NICOLINI, Alexandre. Qual será o futuro dasfábricas de administradores?. Rev. adm. empres.,  São Paulo,  v. 43,  n. 2, Jun.  2003 .

SUBMIDIALOGIA: A arte de re:volver o logos do conhecimento pelas práticas e desorientar as práticas pela imersão no sub-conhecimento. Diponível em: <http://submidialogia.descentro.org/>. Acesso em: 28 ago. 2010.

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Resistência em ser Organização

Em 2008 a Fernanda Scur fez a gentileza de dialogar comigo e a lista metareciclagem sobre meu projeto que estava nascendo e o dela que já estava se encaminhando. Coloquei as propostas daquela época em duas páginas de wiki lá no site: PesquisaOrlando e PesquisaFernanda.  No mínimo vai servir para pensar na evolução da coisa.

A seguir trago um trecho interessante da conversa, onde comentando as pretensões da Fernanda  falo da natureza das organizações e de uma característica que passei a entender como fundamental na MetaReciclagem em relação a isto.

Fernanda Scur : Esse meu interesse surgiu durante o meu trabalho de mestrado feito na  Tanzania, onde lidei com as instituicoes de desenvolvimento alemãs, e suas  metodologias de implantacãoo de projetos de desenvolvimento super “top-down”,  onde o que conta em primeiro lugar são os interesses dos doadores, de tais  instituicões, e bem por último, no sentido burocrático da coisa mesmo, a comunidade – digo isso porque as pessoas envolvidas eram pessoas boas – mas  o SISTEMA é tal, que é dificil ocorrer uma mudanca – dai a questão: como  mexer no sistema??

Orlando: Tenho uma “quase certeza” (porque é bom ter dúvidas) de que quando há “organizações” por traz das coisas tudo vira top-down. Porque esta é a natureza da organização como forma de poder. Tem muita prática travestida de “participativa” “bottom-up” por aí, porque há a necessidade de adaptar o discurso. Mas, a “Organização” é uma agressão à subjetividade, uma violência. Essa é outra viagem que eu vou tentar delinear os caminhos também.

Acho que o mais interessante aqui do MetaReciclagem é uma aparente resistência do grupo em ser “Organização”.

Mexer no sistema?!! Acho que a gente está mexendo toda hora. Agora, querer que o sistema reflita nossos ideais de funcionamento. Aí, nem sei se isso é interessante.

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Tava escrevendo isso ontem e de repente achei que tinha a ver com o #mutsaz. Sigamos.


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Bailux, Cibercultura e Economia Política: Complexidade e Práxis

3819419131_b65721dce1Uma das primeiras coisas que me veio à cabeça quando comecei a “persentir” uma vivência em Arraial foi a complexidade da situação.
A gente tem logo que admitir para si próprio que tem muita coisa, muita coisa mesmo ali que não pode ser capturada individual ou coletivamente em suas significações mais íntimas, mais essenciais.

Falo aqui  também de diferentes adestramentos de olhar. Por exemplo, minha experiência com hotelaria me ajudou a perceber intuitivamente algumas coisas em relação à região que posteriormente foram confirmadas pelo Eduardo e pela Carmem.

Mas, por que isso agora?

É que estudando aqui sobre antropologia da cibercultura me deparo com umas narrativas de 1994 que colocam várias questões sobre o assunto. Mas em algum ponto me atenho no contexto da relação entre informação e capital, regime pós-fordista,  arranjos de novos articulações entre capital global e culturas locais e na afirmativa do autor de que estamos (em 1994 nos E.U.A) testemunhando uma produção de diferença cultural dentro de um sistema estruturado de economia política global, o que leva finalmente aos questionamentos:  De que maneiras específicas  esses processos globais são mediados e constituidos localmente? O que acontece com as noções locais de desenvolvimento e modernidade ao passo que novos mecanismos de interação local-global tomam forma?

Primeiro. Me parece que estas questões são bastante pertinentes também para o contexto atual Arraial d”Ajuda-Bailux-MetaReciclagem. Não?

E então me dei conta que sinto falta de uma sistematização de  conversação que dê conta de uma abordagem em complexidade.  De certa forma a Rede tem um pouco disto,  mas não me parece suficente. No fundo, acho que o que estou pensando é numa sistematização dos discursos ainda nos moldes meio que “modernos”. Não sei.

A forma como a gestão da informação na site metareciclagem está sendo pensada leva a este tipo de questionamento também. Por mais que se fale sem superação das abordagens “modernas” para soluções de gestão, a gestão,  me parece,  continua a ser pensada essencialmente em termos de século XX. Aliás, documentação e especificação de site parece ser uma coisa muito taylorista ainda. E ver isto sendo pensado desta forma para o site da MetaReciclagem foi um pouco desconstrutivo de uma visão mais romântica, mais lúdica com a coisa. Normal.

Lá no encontrão havia muitas visões (e consequentes adestramentos históricos individuais) em interação.  Níveis de gestão pública, abordagens comerciais, artisticas, ideológicas, sentimentais e tudo mais que se possa e não se possa imaginar.Mas, quem, das pessoas que estavam ali, tem algo escrito sobre sua visão dos problemas de Arraial d’Ajuda? Quem tem algo escrito sobre como vê a inserção do Bailux dentro da comunidade local? Sobre as expectativas e visões do que pensa que podem ser articuladas a partir dessa interação do Bailux em Rede?

Eu gostaria de conhecer, ter contato com manifestações da população local neste sentido. Envolvidos ou não com o Bailux. Primeiro, o contexto Arraial, depois o contexto Bailux- Arraial.  E gostaria também de ter um bom grupo com diferentes “pessoas-práxis” para nova práxis com estas interações. Tô querendo muito?

Deixa eu voltar para minha leitura, porque, para fazer jus ao #reacesso, acabei de ver que o próximo tópico é: Rethinking Technology? Anthropology and Complexity. Pode?

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