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Para os Administradores do Século XXI
Posted by dasilvaorg in Administração on 09/09/2011
A regulamentação da profissão de administrador no Brasil data 9 de setembro de 1965, por isso a comemoração do dia do administrador. Em minha limitada visão há pelo menos dois pontos de destaque no cenário de regulamentação da profissão e estabelecimento da área de ensino no Brasil que se mostram muito interessantes para investigações /discussões da ação de administrar no século XXI. Olhando para trás, para cima, para baixo e para frente ao mesmo tempo.
O primeiro ponto é a presença do termo “técnico” no início das formulações legais da profissão. A profissão foi inicialmente regulamentada como “Técnico em Administração”. Apenas vinte anos depois, 1985, consegue-se a mudança para “Administrador”. Mudança que, segundo o CRA-SP, foi fruto de uma luta de 10 anos. Uma das questões que me vem imediatamente quando penso naquela realidade é a de quais eram as denotações e conotações que o termo “técnico” assumia no Brasil na segunda metade do século XX. Mais especificamente, quais eram as compreensões deste “técnico” na disputa que envolveu a mudança de “Técnicos de Administração” para “Administradores”? Se houve luta, quais as motivações dos diferentes lados na disputa? Taí uma investigação histórica que pode ser bem interessante. Mas quisermos deixar para trás o passado (como se isto fosse possível) e pensar apenas no futuro ( que está muito mais para presente) podemos pegar um termo similar, derivado mas diferente, que talvez ajude: “tecnólogo“. Já pensou?
O segundo ponto que destaco no cenário brasileiro de estabelecimento do “administrador” é nossa tutoria estadunidense, materializada principalmente no convênio da FGV com a USAID e a Universidade de Michigam. Historinha bacana que você pode conferir, dentre outro lugares, no site do CFA. Depois de assimilar a simbiose entre o domínio estadunidense, as grandes corporações da segunda metade do século XX e a profissão do administrador, olhe para a situação dos E.U.A hoje, para o histórico de atuação corporativo principalmente pós II G.G. e para a situação do desenvolvimento ao nosso redor e me diga: Como seria se fosse hoje? Ainda criaríamos uma profissão essencialmente atrelada à visão estadunidense e corporativa do mundo?
Comecei a entender o que chamo hoje de ”vinculação ideológica dominante na Administração” depois que tomei contato com a crítica de Aktouf ao pensamento porteriano. Isto foi logo no início do meu mestrado e apenas alguns meses depois de ter defendido uma monografia de graduação essencialmente porteriana. Irônico, se não fosse triste. O choque daquele encontro foi certamente o que definiu este meu direcionamento, esta minha inclinação ideológica que a partir de então só passou a ser reforçada nas buscas (e encontros) das minhas interpretações do fazer acadêmico práxis.

Na práxis dos movimentos, dos fluxos, das actor-networks que acompanho atualmente vejo necessidades de administração completamente inadequadas para pensar /fazer orientadas pelo viés dominante. Ao mesmo tempo infelizmente estas realidades me parecem impregnadas (principalmente de forma inconsciente acredito eu ) por aqueles significados da administração. E claro, estão também inevitavelmente imbricadas em fluxos onde a vinculação dominante é a ordem da casa.
A redução de todos os possíveis significados e práxis da Administração à vinculação dominante é algo que se opera muito facilmente em nosso meio, com poucos questionamentos . Um exemplo bem simples de como isto se dá é o da prática discursiva da “empresa social”, ou “negócio social” etc. Noções que estão no cerne do que propõem iniciativas como as de Paul Polak ou do Next Billion. Para mim este tipo de solução nos desvia da busca por soluções mais apropriadas para cada coisa distinta. Principalmente porque impõe para outros aspectos da vida o padrão cultural da solução “negócios”, da lógica empresarial, de práticas que se por um lado alavancaram certo tipo de crescimento e desenvolvimento, por outro também produziram muito do estado de degradação das atuais sociedades.
Ficam aqui então o meu dois centavos de contribuição para as comemorações nesta data. Enfatizando, de acordo com os dois pontos destacados, primeiro a atenção para importância de uma compreensão mais aprofundada da nossa relação com a técnica, com a tecnologia. Como esta relação se dá? Como fazemos o que fazemos junto com a técnica? O que a técnica faz conosco? Segundo, relembrando a vinculação ideológica dominante em nossa área, será que realmente é necessário mantermos uma formação ideológica tradicional (leia-se aquela vinculada ao interesses dos E.U.A – ou outros “líderes” mundiais – e das grandes empresas ) para apenas a partir das pós-graduações abrirmos espaços para as desconstruções? Enfim, que Administradores queremos para o século XXI?
Filosofia, Antropologia, Sociologia e Administração
Posted by dasilvaorg in Administração on 06/08/2011
Os bacharelados em Administração com os quais tive contato seguem uma lógica de ofertar disciplinas como Filosofia, Sociologia e Antropologia logo no começo do curso. Disciplinas que cada uma delas, é preciso destacar, além de ter que cumprir a proeza de dar conta de um mega resumo de toda uma área do conhecimento, deveria trazer à tona relações entre a área em foco e a Administração. Aliás, no caso da minha graduação (e já ouvi falar por aí que em muitos casos) a segunda parte, ou seja, a abordagem da relação destas áreas do conhecimento com a Administração, simplesmente inexistiu. 
O que motivou este post foi o twitt da flaviansn sobre ser melhor cursar filosofia e sociologia a partir do 5º período do seu curso. Pra mim este é o tipo de conversa que não dá pra ficar só no twitter. Porque tem aí um emaranhado de coisas a serem destrinchadas.
Nem vou buscar agora os históricos (não dá, a pesquisa pra essas coisas e os achados levam a tantos caminhos que acho que o post não sairia em menos que 5 ou 7 dias) mas tenho aqui uma construção mental que me diz que esse lance das disciplinas de ciências sociais e/ou humanidades no início do curso deve ter a ver com uma linha de pensamento que segue mais ou menos a noção de que é possível preparar os estudantes , dar-lhes uma base , para compreensões mais adequadas das disciplinas posteriores específicas do foco de formação, no caso a Administração.
Se esta minha construção mental existe ou não é coisa a ser investigada. Se esta existência for “real” o questionamento fica em torno dos porquês, de onde etc. Por que acredita-se que este tipo de abordagem embasa o estudante? De onde vem essa crença afinal? Existe contraponto a esta suposta crença?
Bem, como estou no fluxo de economia de pesquisas que me tiram do foco para algumas coisas às quais preciso me ater mais ultimamente, não vou encarar esta investigação agora. Por outro lado não poderia deixar de emitir aqui uma opinião, que tem como fundamento exclusivamente minha experiência pessoal, portanto precisa ser , e muito, ponderada.
Para mim filosofia, sociologia e antropologia deveriam ser lecionadas não apenas no começo nem meio do curso, mas durante o curso inteiro. É uma proposição extremamente complexa, entendo eu, mas será que valeria à pena ser pensada.
Aquí entro numa proposição que é na verdade um questionamento sobre a pertinência da formatação das nossas graduações atuais em administração. Faz sentido pensar ainda em áreas funcionais? “Ensinar” Marketing, Gestão de Pessoas, Gestão da Produção, Sistemas de Informação etc. Isto faz sentido ainda? Ou será que os clamores sobre as limitações da fragmentação e especialização do conhecimento, como em Capra e Morin, ou a negação do projeto moderno, como em Latour, nos permitem querer começar a pensar em outros caminhos?
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from Zemanta
- ¿Donde Esta la Frontera? (learnfrommyfail.failblog.org)
Organização, Projeto ou Design?
Posted by dasilvaorg in Administração on 16/07/2011
Design é um termo que me parecia bem outra realidade, nada a ver comigo, até que martelou, martelou, martelou, martelou na minha cabeça e me fez lembrar de coisas que já me incomodavam faz um tempo mas eu nunca tinha parado para falar sobre. O mote para esta conversa é uma tradução de um título de livro que, desde que tomei contato com, me incomodou. “Organizações: Teoria e Projetos” definitivamente é algo completamente diferente de “Organization Theory and Design“.
De cara, mesmo sem avaliar os pequenos detalhes de tradução do conteúdo (uma empreitada que nem sei se é válida*), podemos ver um víes e uma distorção que nos aproximam de algo e nos afastam de outro algo.
O víes nos aproxima de um fluxo, uma tendência, um “paradigma” dominante, enquanto que a distorção nos afasta, ou até elimina, completamente de possibilidades de compreensão bem mais plurais e ricas, em favor de uma muito mais restrita e tecnicista compreensão do organizar. Vou tentar aqui então fazer um resumo da percepçao desta aproximação e afastamento simultâneos.
Primeiro o viés, que se apresenta quando o termo “Organization Theory” é traduzido para “Organizações: Teoria”. A colocação do termo “organization” no plural e estes dois pontos desnecessários logo após, enfatizam o viés, a postura ontológica que a teoria de organização abraçou criando seu objeto, as organizações, enquanto entidades com fronteiras delimitadas e uma relação com o “ambiente”. Esta é uma estória interessante, se pensarmos que organização é em primeiro lugar um verbo. Quando tranformamos organização num substantivo tudo muda, tudo assume outra conotação. E, segundo algumas pessoinhas interessantes que ando lendo, uma conotação bem mais limitada e restrita.
Segundo, e podemos dizer o principal motivo deste post, quando traduzem “design” para “projeto” me parece que eliminam uma boa possibilidade de expansão conceitual. Ora, se o autor estivesse pensando simplesmente em projeto porque utilizaria o termo “design” ao invés de “project“? Quando Daft fala em “organization design” está claramente indo além de projeto. Seu foco é no desenvolvimento e construção dos aspectos internos da organização, nitidamente orientado pelo que aprendemos a chamar de paradigma funcionalista e pelas premissas contingenciais. Quais nuances, percepções e entendimentos podemos tirar deste uso do termo de design? Que outros ”design” podemos pensar, em organização, para além deste quadro de referência?
Questões amplas que se tivessem que ser trabalhadas “cientificamente” precisariam de uma delimitação muito mais específicica, focada, afunilada na lógica do trabalho acadêmico em teoria de organização, claro. Mas isto aqui é apenas um post de registro de inquietação, percebe? Seguimos com nossos projetos. Ops, peraí, ou seria com nossos designs?
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* A dúvida na validade de um tipo de avaliação como esta se dá pelo fato de que a hegemonia da teoria de organização funcionalista é tão forte, destacada, estabelecida como verdade, que investigar quaisquer de sua proposições se torna um circular em torno de conceitos e compreensões totalmente destacadas do “mundo da vida”. Tem horas que não dá pra aturar. Só isso.
zemanta
- Remember / Lembre-se (marinices.wordpress.com)
Administração, Organização, Organizing e Web 2.0
Posted by dasilvaorg in Administração, usos das tecnologias on 12/06/2011
As iniciativas em torno do conhecimento da Administração na Web 2.0 (ciente de todas as críticas que o termo merece) estão por aí. É o que se vê no excelente trabalho do @roneileonel com o blog Administração e Organização , que encontrei por acaso procurando por livros do Simon.

No blog Administração e Organização a gente encontra toda uma preocupação em disponibilizar/orientar/aprender informação acadêmica relevante e responsável sobre Administração. De forma sistematizada e organizada, nas formas que a tal da Web 2.0 supostamente nos permite produzir/consumir, mas também para além das determinaçõs do projeto da tecnologia. Ou como tenho gostado de sempre retentarentender na filosofia submidialogia: ”a arte de re:volver o logos do conhecimento pelas práticas e desorientar as práticas pela imersão no sub-conhecimento”. E assim estamos contruindo a Administração, a Organização e o Organizing.
Minha inquietação com a relação entre a Internet e a construção/translação de uma “nova” concepção da Administração é de sempre. Fica sempre martelando por aqui a visão de que essa expansão da interação pode ajudar a reconstruir esta nossa prática/ciência/ação/ideologia. Soltei algumas falas ingênuas sobre o assunto em 2008, mas nunca parei para organizar nada especificamente voltado para o conhecimento em Administração na Internet. Apenas uma iniciativa tímida e visualizada para ser colaborativa com o QualisADM.
Nos últimos 6 meses me afastei de quase tudo da intensidade da Internet. Estado em que manterei por mais algum tempo para dar conta das prioridades. Mas tudo está interligado, não é mesmo? E as coisas surgem, independente das nossas procuras, visões, vontades.
No final do ano passado dei uma ajustada no texto de 2008 para publicar no mutsaz Janx, mas recentemente comecei a pensar que o caminho precisa ser outro, que esta concepção ingênua precisa sair de um post de blog e virar ação também na própria academia, para ter a academia soprando junto.
Os questionamentos da administração, da nossa formação, dos nossos cursos, como em Nicolini (2003) ou da práxis, como em Misoczky e Amantino-de-Andrade (2005), parecem ser incipientes. Mas acho que é preciso acreditar que as coisas mudam, lentamente mas mudam.
Referências
CZARNIAWSKA, Barbara. A theory of organizing. Cheltenham, UK; Northampton, USA: Edward Elgar, 2008.
LATOUR, Bruno. What’s organizing? A meditation on the bust of Emilio Bootme in praise of Jim Taylor. Palestra ministrada na Universidade de Montreal em 21 de maio de 2008. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=TZkJg1HsvRs>. Acesso em: 16 jan. 2010.
MISOCZKY, Maria Ceci; AMANTINO-DE-ANDRADE, Jackeline. Tréplica: quem tem medo do fazer acadêmico enquanto práxis?. Rev. adm. contemp., Curitiba, v. 9, n. 1, Mar. 2005 .
NICOLINI, Alexandre. Qual será o futuro dasfábricas de administradores?. Rev. adm. empres., São Paulo, v. 43, n. 2, Jun. 2003 .
SUBMIDIALOGIA: A arte de re:volver o logos do conhecimento pelas práticas e desorientar as práticas pela imersão no sub-conhecimento. Diponível em: <http://submidialogia.descentro.org/>. Acesso em: 28 ago. 2010.

A formação dos administradores está essencialmente atrelada à gestão empresarial, ou, como já falei em outras ocasiões, à tecnologia de gestão empresarial. As práticas, os conceitos, a ideologia, as construções discursivas, tudo está profundamente enraizado no pensamento de desenvolver empresas, que pode ser resumido à criação e manutenção de vantagens competitivas. E assim todos os possíveis significados e práxis da administração acabam sendo reduzidos a esta perspectiva.
Mas o próprio conceito de organização enquanto sistema já não anda muito bem na atualidade. Segundo a pesquisadora polonesa ![[Des]Conferência.MetaRec>Tecendo Redes](http://reacesso.webnos.org/wp-content/uploads/2011/11/confmetarec-300x147.png)






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