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meu trabalho é te traduzir

Já tem uns dias que estou querendo escrever sobre como vejo meu processo pessoal de aprendizado a partir da interação com MetaReciclagem (apesar de pensar que  tem muito que eu não vejo agora, com certeza muito). É que saí da netnografia para algo mais próximo da autoetnografia. Tudo ainda muito superficial, tudo ainda só percepções.  Só que ontem,  enquanto dirigia o  fusquinha 79 pra resolver alguns problemas,  me veio à cabeça essa coisa. A de que quando eu entrei em contato pela primeira vez com a  lista MetaReciclagem eu estava completamente  encantado com alguma coisa relacionada a possibilidades a partir das  interações Web. Era como se na época eu acreditasse que bastava comunicar alguma coisa online que me parecesse razoável e logo haveria um bocado de pessoas conversando comigo sobre a coisa. Se não fosse possível tocar pra frente a idéia, ao menos haveria interações que chegariam a algum outro lugar interessante (em curto prazo, claro).

O que  me levou a essa encantamento? Essa foi a questão para qual despertei no fusquinha. Por que esse encantamento? Em meio a um processo de interações (comigo mesmo na grande maioria das vezes) acho que foi como cair num  conto da Web 2.0. ” Web 2.0  = POWER TO THE PEOPLE!

Translate Icon -  by misterbisson on FlickrNão dá para precisar quando as coisas começam a mudar na sua cabeça. Acho que não. Mas tem um momento recente que marca um outro encantamento meu:  A percepção que me que levou a criar o blog Reacesso e pensar nessas necessidades de “resgate”,  reacesso das coisas. Foi o post  MetaReciclagem: Incertezas, Reacesso, Redes que publiquei no dia seguinte ao meu aniversário de 2009 (épocas próximas ao meu aniversário são sempre horríveis para mim). Daí pra frente algumas coisas tem tido andamentos e percepções,  outras tem tido andamentos e percepções.

Não vou conseguir mais uma vez fazer aquele apanhado sobre a trajetória do pensamento. Canso,  muito antes do meio do caminho. Mas acho legal aproveitar o espaço desta ocasião registrar duas coisas. Primeiro o presente Karmaval do Glerm que chegou aqui em casa esta semana. Meu moleque se divertiu fotografando e fazendo colocações sobre tudo. Quando recebo um trabalho assim cheio de simbolismos fico me perguntando se é preciso buscar decifrações. Outra coisa que penso é por que não me sinto confortável para falar sobre? Acho que tem aí um medo de não saber o que falar, ainda que isso entre em contradição com um outro pensamento meu, o de que ter um pensamento certo de como lidar com arte é algo que não tem a ver com arte. Viagem de quem não entende nada do assunto.

A segunda coisa que quero falar é do Bruno Latour, as leituras têm sido cada vez mais interessantes, no sentido de que me dão uma visão de Rede que sai da mesmice das questões que eu vejo nas conversas de redes sociais, ao mesmo tempo que uma compreensão da construção de fatos e artefatos muito coerente com o que sinto no dia a dia. Só não tenho como justificar nada ainda “intelectualmente”. É tudo sentimento, percepção, encantamento. Isto conta para a Ciência?  Isto conta para as ciências? Recentemente na lista Submidialogia alguém me questionou quanto à pertinência de usar Latour e o pensar sobre caixas-petas. Basicamente foi recrutada uma associação com Grabriel Tarde e a noção de monadologia. Para mim isto ainda é caixa-preta. Ficamos então neste ponto com uma emotiva resposta minha dos motivos que fazem atualmente ver Latour como algo bastante legítimo.

E para fechar, falando em emoções,  a marca aqui é  um grande vazio, apreensão,  com a ausência da Maira nas conversas online. Essas interações online sempre são apreensivas e cheias de expectativas para mim. Essa semana fui pego numa situação entre duas pessoas que não se falam e que estavam falando comigo ao mesmo tempo no Gtalk. O interessante é que a conversa com ambas estava sendo muito boa, ao ponto de eu querer falar sobre uma para a outra. Aí veio a surpresa:”Sim, nos conhecemos. Tivemos problemas e não nos falamos”. Fiquei meio sem chão na hora, mas no final tudo parece que ficou bem. Quanto à Maira, o  que resta é pensar que coisas boas sempre acontecem. PAZ para todos nós!

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