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Produtos, Ações, Redes

Acordo numa véspera de vésperas dessas datas que muitos esperam que mude tudo em nossas vidas, mas que na verdade se tornaram apenas mais daqueles mecanismos da nossa sociedade de consumo. Termo velho aliás esse, sociedade de consumo. Será que ainda é só isso? Posso até dizer que tá ficando cada vez mais difícil de analisar o que ocorre ao nosso redor, principalmente pra esses indivíduos assim como eu que ainda ficam analisando. E não é só a questão do pesquisador não, como poderiam dizer alguns: ahhhh … é a tua pesquisa, né? Não tem nada a ver com a minha pesquisa e tem tudo a ver, porque eu já não venho separando as coisas tem um bom tempo. Aliás, comecei a pesquisa buscando justamente isso, que minha vida, as aspirações, as atuações, as amizades e o querer um mundo menos sacana fossem o fundamental de um processo que para muitos é apenas um processo técnico. Não é meu caso. E aqui, falar desse acordar é trazer a espontaneidade das conversas, com afinidades e percepções que vamos assimilando nas pessoas que nos dizem coisas mais no fundo, que nos falam com um nítido olhar para a além das superficialidades de todas essas dinâmicas de “redes”.

Foi respondendo ao e-mail de uma dessas pessoas hoje, logo após acordar, que senti a necessidade de falar dessa questão dos produtos, das ações e das redes. Inicialmente dos produtos, porque a conversa girava em torno disso, de como essa conversa da cultura digital, das redes na cultura digital, de como os mecanismos pegam um monte de experiências e pessoas como produtos que capitalizam, movimentam, monetizam e constroem as realidades interessantes para diferentes instâncias: empresários, governos, indivíduos e tudo isso misturado, porque no meio do tumulto da produção não dá pra distinguir.

É um processo de produção muito específico esse das redes da cultura digital mas ao mesmo tempo não foge aos princípios básicos daquela lógica da produção-consumo com a qual estamos acostumados nos produtos ditos “tradicionais”. Não vou me estender aqui nas análises das especificidades ou diferenças desses processos, porque é uma ação que merece pesquisa, método e tempo. Mas não poderia deixar de registrar isso, porque parece que não é algo facilmente perceptível por algumas das pessoas envolvidas. O que preocupa, porque as pessoas e suas ações nesse cenário são, quando não o próprio produto, componentes fundamentais dos produtos. O que minha possível futura amiga diz é que uma vez que já se está na feira fica difícil de se perceber como produto nesse processo. Não sei. Tenho difficuldade de ver as pessoas envolvidas nesses processos, especificamente as que me trouxeram o insight inicial dos produtos na feira da cultura digital, como alienadas nesse ponto, como não conscientes, como se isso fosse algo muito difícil de compreender.

Quanto às ações e redes, são a parte mais legal e ao mesmo tempo mais intrigante de falar por aqui, dentro de uma lógica e prática que já venho exercitando tem um tempo. O que acontece quando alguém com quem me relaciono quase que exclusivamente pela Internet me chama a atenção para algo e me faz ter vontade de escrever para o online é buscar imediatamente o link para citar essa pessoa. Só que nesse processo, no resgate dos links, acabo relendo coisas que essas pessoas escreveram e isso vai gerando sentimentos, percepções, novos insights que alguma medida estão associados até à noção de reacesso que gerou este espaço de escrita aqui. Pois bem, no caso de hoje o que reencontrei foi uma análise muito inspirada e sutil de questões entre consumo e redes sociais que me transportaram imediatamente para o nosso contexto de ações e redes. Lendo eu tive o impulso inicial de dizer: “mas não é assim apenas nas redes sociais online, nossas redes analógicas são essencialmente isso também”. Será?

Não vou linkar o conteúdo. Algo me diz hoje que não é para ser linkado. Também não me pergunte o porquê, não saberei responder. Quer dizer, até penso que sei, mas também sei que tem muito mais que escapa (termo que ouvi muito da minha companheira nos últimos anos) a esse saber. O reacesso da noção com redes e ações é uma daquelas serendipidades desses dias das vésperas, não esquecendo claro que, do “real” que haja nisso tudo, essas redes precisam ser consideradas como apenas uma das redes do processo das redes nas práxis metafins. Questão teóricometodológica de abertura de visão e de possibilidades.

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o site brincadeira

Hoje (terça 6 de abril)  fuçando coisas para escrever sobre MetaReciclagem cheguei a mais uma área do site que me lembro de ter visitado rapidamente em algum momento e depois esquecido ( #reacesso ). Bookmarquei. Gosto quando chego nestas páginas de index em algum site. Não sei porque, mas me dá uma impressão de que estou vendo tudo que há alibrincadeira de "pegar" em cima de uma árvore by Robvini on Flickr, diferente de quando tenho as coisas organizadas de outra forma. Poderia pensar em justificativas e escrever um post só sobre isto, mas não é o caso.

O caso é que desde que ouvi o hdhd dizer no Encontrão Intergalático que o site era uma merda eu me pergunto: por que? E tenho uns sentimentos, umas coisas estranhas, meio mistura de preocupação com medo, sei lá.  Depois, quando vi o pessoal discutindo as estratégias da infralógica no Encontrão Transdimensional eu também fiquei com uma sensação parecida. Aí fiquei perturbando, enchendo o saco do pessoal. Foi mal!

Recentemente li algo da Tati Prado sobre uma diferença entre  jogo e brincadeira (Passei um e-mail pra ela me lembrar onde tava,  sacomé… muita coisa e pouco tempo pra procurar agora. Ela não respondeu, deve estar em compromissos de trabalho). Aí fiquei pensando que uma idéia que eu tinha do site, como um jogo, podia ser melhor contextualizada, talvez, como brincadeira. Acho que o medo que eu tenho é que acabe a brincadeira.

Sigamos.

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onde não queres nada nada falta

COMICS + INFORMATION DESIGN by Austin Kleo on FlickrTenho aqui um bocado de percepções e alguns termos: Internet, inclusão digital, transformação social, information literacy, desenvolvimento, produção, política pública, ciência e tecnologia, tecnociência, organização, sociedade… É tanta coisa que quando busco explicitar os porquês dos meus fazeres atuais sinto dificuldade em começar. Já faz algum tempo que venho tendo vontade de pegar os pedaços de histórias que estou registrando por aí e compor  um corpo, na esperança de que isto vá me mostrar algo. É a esperança do #reacesso.

São muitas dúvidas e uma certeza: trabalhar na idéia de melhoria para algumas realidades. Sistemas, metodologias, práticas, práxis em torno de construção conjunta de oportunidades e desenvolvimento local. Resta escolher ou ser escolhido por alguma destas realidades.   Penso no que vivi e no que gostaria de viver ainda, em como e porque tive e tenho acessos e oportunidades. A Internet tem um papel importante nisto. O que é afinal esta coisa que tenho com a Internet? O que pode partir disto e com isto para o trabalho com as pessoas, as comunidades?

Na Internet tem informação de todo o tipo disponível, mas não só isso,  possibilidades de expressão, de produção, de articulação. É uma coisa sócio-técnica meio que mágica ainda, mística,  ao mesmo tempo que opera numa racionalidade comercial, do consumo, motor e produto da sociedade do consumo. No ciberespaço é muito fácil dispersar,  ficar perdido, desviar de um objetivo inicial, consumir consciente e inconscientemente. O ciberespaço é multitransdimensional psicodélico.

Outro dia tuitei para a @kali_lin sobre o volume que ela compartilha no Google Reader. Tem dias que ela solta mais de 40 itens em sequência, coisas muito legais de todo o tipo: imagens, posts enormes e curtos, vídeos etc. Mas simplesmente não consigo acompanhar. Não posso. Fico pensando se eu olhasse, lê-se, ouvisse um por um dos itens,   quanto tempo esta navegação me consumiria diariamente? Em meio ao conjunto das outras coisas para ver é comum não dar nem para olhar rapidamente por cima e selecionar algumas coisas. Acabo olhando só uns três ou quatro itens e ignorando o restante. Porque este processo,  considerando a dinâmica do hypertexto e a possibilidade de saber mais sobre qualquer coisa a apenas uma googlada de distância, parece que vai te enredando nas diferentes dimensões e entre elas, vai alterando percepções e consciência. Essência do ciberespaço?

overload dasilvaorgHoje já não me incomoda mais deixar coisas sem ver, não tanto quanto incomodava quando começei a interagir e pesquisar com blogs. Atualmente o sentimento é de definir coisas no meio do caos (na falta de uma palavra melhor), ainda que a preocupação com a informação se mantenha, principalmente na questão da interação, o handshake diário e o como lidar com as caixas-pretas.

Joaquim Izidro, que é uma super pessoa, músico, camarada,  me falou recentemente, não pela primeira vez, em uma dificuldade com a quantidade de informação. Era um espécie de feedback que ele estava me dando sobre algumas coisas que lhe mostrei, como o site do Orquestra Organismo ou o post do Brazileiro sobre sua residência lá no Alafin Oyo. Me parece, mas ainda tenho muito que conversar com Izidro sobre isto, que por algum tipo natural de seleção,  em função dos focos dele provavelmente, a coisa aparenta tão carregada ao ponto dele não saber como lidar com ela, a informação,  e então ter que deixar pra lá.

Mas fevereiro está apenas começando. Esta semana quero finalmente assistir algumas coisas que já estão há meses nos planos,   talvez instalar um Debian no desktop e brincar um pouquinho, certamente estudar mais o Latour, tentar ler o resto do The Internet o Things e passar o exemplar impresso que ganhei do @efeefe pra frente. Ah,  e na expectativa do  #karmaval, até o próximo “elemento” #mutsaz.

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[update] quase instantâneo

ao terminar de escrever e publicar fui ler os outros post #mutsaz, olha só o que eu encontrei

Por sorte me contive a tempo e não entrei no google pra descobrir o lugar onde se consertam máquinas de escrever. Por puro medo. Tive receio de achar outras coisas legais sobre esses objetos antigos e me perder nas descobertas, quando ainda tinha um projeto por terminar.

Sobre a comunicação: como funciona essa capacidade humana de se fazer entender, mesmo quando as palavras não são adequadas ou explícitas?… Sobre a relação das pessoas com os objetos e máquinas: que estranho papel exercem em nossas vidas?…. Sobre os pontos de conexão entre pessoas e a formação das redes: seriam aqueles invisíveis para tornar estas inevitáveis desde os primórdios da humanidade?… Sobre os caminhos tortuosos que escolhemos em nossas vidas para chegar ao que nos é bem próximo… Tati Prado

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