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Uma reflexão com o sertão: tecnologias, água e invernos

Agora no finalzinho de agosto saí de Cabedelo [1] com destino a Sousa [2] para uma tarefa um tanto quanto estressante, porém extremamente necessária. Prefiro não falar sobre ela mas sim sobre o objetivo paralelo,  que foi produzir este texto para o #mutsaz inverno [3].

Eu sabia que uma vez estando em Sousa,  na pior das hipóteses, teria uma tarde livre para dar uma volta pela cidade, ver coisas, conversar com as pessoas e assimilar um pouco desse sertão que não conheço em nada além da literatura e de um imaginário popular. A idéia era aproveitar esse tempo para refletir um pouco sobre “local” e tecnologia. Consciente porém de que “local” é sempre construção.

Não li nada sobre Sousa antes da viagem. Sabia da existência do Vale dos Dinossauros [4], mas não era meu foco. Passei por lá rapidamente apenas para atender a um  desejo do meu filho e fiquei um pouco triste com o descaso que vi.   Sabia também que havia uma descoberta recente de petróleo na região, mas não tive tempo de investigar o assunto.

São sete horas de viagem de ônibus para Sousa. Levei coisas para ler e para ouvir, mas sempre acabo curtindo muito a paisagem. O dia estava da cor que eu mais gosto, cinza, nublado, bonito demais pra começar viagem rodoviária. Mas ao tentar fotografar este momento o que me veio imediatamente à cabeça foi o imenso poder daquele  mar verde ao meu lado. Essencialmente cana-de-açúcar [5], até onde a vista  alcança.

Muitas horas depois, já na região do Sertão,  duas coisas me chamaram a atenção. Primeiro a paisagem, deslumbrante,  bela, de uma beleza distinta da que estou acostumado no  litoral. Fiquei imaginando como interagir com aquelas paisagens, que tipo de descobertas e aprendizados estariam por ali para com tempo,  não apenas uma tarde mas alguns anos,  serem vivenciados lenta e proveitosamente? A paisagem parecia me dizer: “aqui há possibilidades e aprendizados que você jamais imaginou. Conhecimentos e práticas cujos significados não lhe são minimamente apreensíveis no momento”.

Cheguei em Sousa já era noite e apenas dormi para comparecer ao meu compromisso na manhã do dia seguinte. À tarde, logo depois do almoço, comecei minha caminhada, acompanhado por um bom camarada que conheci pela manhã, o Léo. Alguns minutos à pé pelas ruas da cidade e chegamos no local que atiçou de imediato meu imaginário tecnológico, a estação ferroviária de Sousa. Pensei logo: “Será que ainda há movimento de trens por aqui? De que tipo? De onde para onde?”

Fomos recebidos na estação pelo Sr. Valdemar,  que conversou bastante conosco sobre a situação atual do transporte ferroviário na região, e o Sr. Manoel Nóbrega, funcionário antigo que ainda pegou na década de 80 do século passado o terminal funcionando para o embarque e desembarque de passageiros. Coisa que não ocorre mais atualmente. Por que  será que o transporte ferroviário de passageiros foi desativado na região? Fiquei muito curioso para entender os motivos que levaram a isto, mesmo antecipadamente imaginando que tudo não passa de articulação política dos interesses corporativos. Não é difícil ver o cenário. Ainda assim, nada posso afirmar. Pesquisando sobre a história e as perspectivas da ferrovia no sertão encontrei o blog Estações Ferroviárias da Paraíba [6] com muito material para começar uma investigação sobre o assunto. Fiquei só pensando em fazer a viagem,  João Pessoa – Sousa, de trem. Será que há justificativa plausível para a desativação desse tipo de transporte neste caso específico? Porque a tecnologia não serve mais?  Segundo o Sr. Manoel os trens de passageiros que passavam por ali eram os que faziam o percurso Fortaleza – Recife e também Mossoró / RN.  O Blog Estações Ferroviárias da Paraíba apresenta mais alguns detalhes [7].

Minha reflexão tecnológica não parou na questão do transporte ferroviário. Aliás, nem começou aí. Ainda na estrada uma imagem havia me chamado a atenção. Vi pela primeira vez uma cisterna de aproveitamento de água da chuva [7]. E aí o pensamento foi a mil. Essas cisternas foram o primeiro exemplo que eu ouvi de “tecnologia social”. Rapidamente lembrei que eu já vinha pensando em me dedicar um pouco mais em vislumbrar possibilidades  em torno dos WaterLabs [9]. E então essa imagem e possibilidades não me saíram mais da cabeça durante estes dias que estive em Sousa.

Falar de água no sertão pode parecer meio cliché, mas, será?   Antes de dizer qualquer coisa sobre água e tecnologia preciso de algumas investigações, mas, de qualquer forma, só o vislumbrar de uma possibilidade já me anima bastante. É que nessa estória de doutorado e as conversas em rede, talvez, por questão das restrições e limitações do trabalho acadêmico, eu esteja próximo a ter que escolher algum tipo de projeto para o centro das atenções. Estabelecer um projeto para poder seguir os atores e vê-los e descrever suas manifestações. Etnografia, essencialmente com as premissas da Actor-Network Theory.

Além das ferrovias e da água outras questões tecnológicas surgiram na minha rápida interação com Sousa. Encontrei com um armazém que não é tão diferente das coisas que ainda posso encontrar na feira de Cabedelo. Mas, alguns dos itens me chamaram a atenção. As celas, os artefatos de sola, as esporas, coisas de montaria, todos ali me transportando para uma viagem no tempo.  Eu não imaginava que ainda se usavam esporas atualmente. Fiquei surpreso. Tão surpreso quanto encantando com as cores e utensílios do local, uma mistura das tradições com a contemporaneidade. Reflexão tecnológica pura! Celeiro de #MetaReciclagem. Agora fico no aguardo do retorno ao sertão em alguns meses. As expectativas prometem, e o tempo parece que vai ser bem maior.

Quanto ao inverno, aqui no litoral era comum eu ver minha vó e alguns mais velhos se referindo a inverno como “período de chuvas, sem que isto tivesse qualquer relação com período que é denominado de inverno aqui no Brasil. Parece que no sertão não é diferente [10]. Foi a primeira coisa que pensei quando em Sousa me falaram que as chuvas importantes são as do final do ano e comecinho do outro, quando elas acontecem (o que não é sempre) temos uma outra paisagem, um outro sertão, por conta de um inverno em pleno verão.

[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Cabedelo

[2] http://pt.wikipedia.org/wiki/Sousa_%28Para%C3%ADba%29

[3] http://mutgamb.org/mutsaz/Chamada-MutSaz-Inverno-2010

[4] http://www.valedosdinossauros.com.br/

[5] http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=1482

[6] http://estacoesferroviariaspb.blogspot.com/

[7] http://estacoesferroviariaspb.blogspot.com/2009/09/estacao-de-sousa.html

[8] http://www.rts.org.br/noticias/destaque-1/cisternas-podem-ajudar-a-atingir-sete-odm

[9] http://wiki.bricolabs.net/index.php/WaterLabs

[10] http://serravermelha.blog.terra.com.br/2010/04/30/o-sertanejo-e-a-caatinga/

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meu trabalho é te traduzir

Já tem uns dias que estou querendo escrever sobre como vejo meu processo pessoal de aprendizado a partir da interação com MetaReciclagem (apesar de pensar que  tem muito que eu não vejo agora, com certeza muito). É que saí da netnografia para algo mais próximo da autoetnografia. Tudo ainda muito superficial, tudo ainda só percepções.  Só que ontem,  enquanto dirigia o  fusquinha 79 pra resolver alguns problemas,  me veio à cabeça essa coisa. A de que quando eu entrei em contato pela primeira vez com a  lista MetaReciclagem eu estava completamente  encantado com alguma coisa relacionada a possibilidades a partir das  interações Web. Era como se na época eu acreditasse que bastava comunicar alguma coisa online que me parecesse razoável e logo haveria um bocado de pessoas conversando comigo sobre a coisa. Se não fosse possível tocar pra frente a idéia, ao menos haveria interações que chegariam a algum outro lugar interessante (em curto prazo, claro).

O que  me levou a essa encantamento? Essa foi a questão para qual despertei no fusquinha. Por que esse encantamento? Em meio a um processo de interações (comigo mesmo na grande maioria das vezes) acho que foi como cair num  conto da Web 2.0. ” Web 2.0  = POWER TO THE PEOPLE!

Translate Icon -  by misterbisson on FlickrNão dá para precisar quando as coisas começam a mudar na sua cabeça. Acho que não. Mas tem um momento recente que marca um outro encantamento meu:  A percepção que me que levou a criar o blog Reacesso e pensar nessas necessidades de “resgate”,  reacesso das coisas. Foi o post  MetaReciclagem: Incertezas, Reacesso, Redes que publiquei no dia seguinte ao meu aniversário de 2009 (épocas próximas ao meu aniversário são sempre horríveis para mim). Daí pra frente algumas coisas tem tido andamentos e percepções,  outras tem tido andamentos e percepções.

Não vou conseguir mais uma vez fazer aquele apanhado sobre a trajetória do pensamento. Canso,  muito antes do meio do caminho. Mas acho legal aproveitar o espaço desta ocasião registrar duas coisas. Primeiro o presente Karmaval do Glerm que chegou aqui em casa esta semana. Meu moleque se divertiu fotografando e fazendo colocações sobre tudo. Quando recebo um trabalho assim cheio de simbolismos fico me perguntando se é preciso buscar decifrações. Outra coisa que penso é por que não me sinto confortável para falar sobre? Acho que tem aí um medo de não saber o que falar, ainda que isso entre em contradição com um outro pensamento meu, o de que ter um pensamento certo de como lidar com arte é algo que não tem a ver com arte. Viagem de quem não entende nada do assunto.

A segunda coisa que quero falar é do Bruno Latour, as leituras têm sido cada vez mais interessantes, no sentido de que me dão uma visão de Rede que sai da mesmice das questões que eu vejo nas conversas de redes sociais, ao mesmo tempo que uma compreensão da construção de fatos e artefatos muito coerente com o que sinto no dia a dia. Só não tenho como justificar nada ainda “intelectualmente”. É tudo sentimento, percepção, encantamento. Isto conta para a Ciência?  Isto conta para as ciências? Recentemente na lista Submidialogia alguém me questionou quanto à pertinência de usar Latour e o pensar sobre caixas-petas. Basicamente foi recrutada uma associação com Grabriel Tarde e a noção de monadologia. Para mim isto ainda é caixa-preta. Ficamos então neste ponto com uma emotiva resposta minha dos motivos que fazem atualmente ver Latour como algo bastante legítimo.

E para fechar, falando em emoções,  a marca aqui é  um grande vazio, apreensão,  com a ausência da Maira nas conversas online. Essas interações online sempre são apreensivas e cheias de expectativas para mim. Essa semana fui pego numa situação entre duas pessoas que não se falam e que estavam falando comigo ao mesmo tempo no Gtalk. O interessante é que a conversa com ambas estava sendo muito boa, ao ponto de eu querer falar sobre uma para a outra. Aí veio a surpresa:”Sim, nos conhecemos. Tivemos problemas e não nos falamos”. Fiquei meio sem chão na hora, mas no final tudo parece que ficou bem. Quanto à Maira, o  que resta é pensar que coisas boas sempre acontecem. PAZ para todos nós!

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onde não queres nada nada falta

COMICS + INFORMATION DESIGN by Austin Kleo on FlickrTenho aqui um bocado de percepções e alguns termos: Internet, inclusão digital, transformação social, information literacy, desenvolvimento, produção, política pública, ciência e tecnologia, tecnociência, organização, sociedade… É tanta coisa que quando busco explicitar os porquês dos meus fazeres atuais sinto dificuldade em começar. Já faz algum tempo que venho tendo vontade de pegar os pedaços de histórias que estou registrando por aí e compor  um corpo, na esperança de que isto vá me mostrar algo. É a esperança do #reacesso.

São muitas dúvidas e uma certeza: trabalhar na idéia de melhoria para algumas realidades. Sistemas, metodologias, práticas, práxis em torno de construção conjunta de oportunidades e desenvolvimento local. Resta escolher ou ser escolhido por alguma destas realidades.   Penso no que vivi e no que gostaria de viver ainda, em como e porque tive e tenho acessos e oportunidades. A Internet tem um papel importante nisto. O que é afinal esta coisa que tenho com a Internet? O que pode partir disto e com isto para o trabalho com as pessoas, as comunidades?

Na Internet tem informação de todo o tipo disponível, mas não só isso,  possibilidades de expressão, de produção, de articulação. É uma coisa sócio-técnica meio que mágica ainda, mística,  ao mesmo tempo que opera numa racionalidade comercial, do consumo, motor e produto da sociedade do consumo. No ciberespaço é muito fácil dispersar,  ficar perdido, desviar de um objetivo inicial, consumir consciente e inconscientemente. O ciberespaço é multitransdimensional psicodélico.

Outro dia tuitei para a @kali_lin sobre o volume que ela compartilha no Google Reader. Tem dias que ela solta mais de 40 itens em sequência, coisas muito legais de todo o tipo: imagens, posts enormes e curtos, vídeos etc. Mas simplesmente não consigo acompanhar. Não posso. Fico pensando se eu olhasse, lê-se, ouvisse um por um dos itens,   quanto tempo esta navegação me consumiria diariamente? Em meio ao conjunto das outras coisas para ver é comum não dar nem para olhar rapidamente por cima e selecionar algumas coisas. Acabo olhando só uns três ou quatro itens e ignorando o restante. Porque este processo,  considerando a dinâmica do hypertexto e a possibilidade de saber mais sobre qualquer coisa a apenas uma googlada de distância, parece que vai te enredando nas diferentes dimensões e entre elas, vai alterando percepções e consciência. Essência do ciberespaço?

overload dasilvaorgHoje já não me incomoda mais deixar coisas sem ver, não tanto quanto incomodava quando começei a interagir e pesquisar com blogs. Atualmente o sentimento é de definir coisas no meio do caos (na falta de uma palavra melhor), ainda que a preocupação com a informação se mantenha, principalmente na questão da interação, o handshake diário e o como lidar com as caixas-pretas.

Joaquim Izidro, que é uma super pessoa, músico, camarada,  me falou recentemente, não pela primeira vez, em uma dificuldade com a quantidade de informação. Era um espécie de feedback que ele estava me dando sobre algumas coisas que lhe mostrei, como o site do Orquestra Organismo ou o post do Brazileiro sobre sua residência lá no Alafin Oyo. Me parece, mas ainda tenho muito que conversar com Izidro sobre isto, que por algum tipo natural de seleção,  em função dos focos dele provavelmente, a coisa aparenta tão carregada ao ponto dele não saber como lidar com ela, a informação,  e então ter que deixar pra lá.

Mas fevereiro está apenas começando. Esta semana quero finalmente assistir algumas coisas que já estão há meses nos planos,   talvez instalar um Debian no desktop e brincar um pouquinho, certamente estudar mais o Latour, tentar ler o resto do The Internet o Things e passar o exemplar impresso que ganhei do @efeefe pra frente. Ah,  e na expectativa do  #karmaval, até o próximo “elemento” #mutsaz.

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[update] quase instantâneo

ao terminar de escrever e publicar fui ler os outros post #mutsaz, olha só o que eu encontrei

Por sorte me contive a tempo e não entrei no google pra descobrir o lugar onde se consertam máquinas de escrever. Por puro medo. Tive receio de achar outras coisas legais sobre esses objetos antigos e me perder nas descobertas, quando ainda tinha um projeto por terminar.

Sobre a comunicação: como funciona essa capacidade humana de se fazer entender, mesmo quando as palavras não são adequadas ou explícitas?… Sobre a relação das pessoas com os objetos e máquinas: que estranho papel exercem em nossas vidas?…. Sobre os pontos de conexão entre pessoas e a formação das redes: seriam aqueles invisíveis para tornar estas inevitáveis desde os primórdios da humanidade?… Sobre os caminhos tortuosos que escolhemos em nossas vidas para chegar ao que nos é bem próximo… Tati Prado

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Resistência em ser Organização

Em 2008 a Fernanda Scur fez a gentileza de dialogar comigo e a lista metareciclagem sobre meu projeto que estava nascendo e o dela que já estava se encaminhando. Coloquei as propostas daquela época em duas páginas de wiki lá no site: PesquisaOrlando e PesquisaFernanda.  No mínimo vai servir para pensar na evolução da coisa.

A seguir trago um trecho interessante da conversa, onde comentando as pretensões da Fernanda  falo da natureza das organizações e de uma característica que passei a entender como fundamental na MetaReciclagem em relação a isto.

Fernanda Scur : Esse meu interesse surgiu durante o meu trabalho de mestrado feito na  Tanzania, onde lidei com as instituicoes de desenvolvimento alemãs, e suas  metodologias de implantacãoo de projetos de desenvolvimento super “top-down”,  onde o que conta em primeiro lugar são os interesses dos doadores, de tais  instituicões, e bem por último, no sentido burocrático da coisa mesmo, a comunidade – digo isso porque as pessoas envolvidas eram pessoas boas – mas  o SISTEMA é tal, que é dificil ocorrer uma mudanca – dai a questão: como  mexer no sistema??

Orlando: Tenho uma “quase certeza” (porque é bom ter dúvidas) de que quando há “organizações” por traz das coisas tudo vira top-down. Porque esta é a natureza da organização como forma de poder. Tem muita prática travestida de “participativa” “bottom-up” por aí, porque há a necessidade de adaptar o discurso. Mas, a “Organização” é uma agressão à subjetividade, uma violência. Essa é outra viagem que eu vou tentar delinear os caminhos também.

Acho que o mais interessante aqui do MetaReciclagem é uma aparente resistência do grupo em ser “Organização”.

Mexer no sistema?!! Acho que a gente está mexendo toda hora. Agora, querer que o sistema reflita nossos ideais de funcionamento. Aí, nem sei se isso é interessante.

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Tava escrevendo isso ontem e de repente achei que tinha a ver com o #mutsaz. Sigamos.


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mutdgamb

No  Mutirão da Gambiarra edição1# (janeiro, 2009)  há algo em torno de propósitos (by Felipe Fonseca)

A idéia inicial do Mutirão partia, entre outras coisas, do receio que sempre tivemos de que, como rede descentralizada e aberta, a MetaReciclagem pudesse eventualmente ser apropriada de maneiras que destoassem das intenções de seus integrantes: estimular a descoberta, a colaboração, a ação em rede voltadas para a transformação social.

Muita coisa mudou nos últimos anos, e os próprios objetivos da MetaReciclagem (se é que existem) também acabaram por se transformar.

… ainda existe, mesmo que de maneiras diferentes daquelas que já conhecíamos, o sentido de uma construção coletiva, de um espaço de conhecimento, convívio, informação, co-inspiração e troca, que é nossa obrigação assegurar que permaneça aberto.

No meu entender, a maneira mais efetiva de garantir que a MetaReciclagem seja entendida na sua abrangência e força, como uma rede aberta, um espaço de sensibilidades compartilhadas, de propriedade coletiva, é expor os processos que nos trouxeram até aqui, destrinchar os interiores da MetaReciclagem como rede, prática, identidade de grupo e influência. (grifo meu)

Num post do Desvio (outubro de 2009) há algo em torno de objetivos (by Felipe Fonseca)

O Mutirão da Gambiarra é um núcleo editorial ligado à rede MetaReciclagem. Tem por objetivo incentivar a produção distribuída de documentação, conteúdo crítico e experimentação de linguagem nas áreas de apropriação de tecnologias, ação social em rede e criatividade. O Weblab atua na definição de pauta, produção de conteúdo e comunicação do Mutirão.

O selinho abaixo do #mutsaz novembro linka para página Sobre_About do atual site do Mutirão.

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MetaReciclagem, MinC, Weblab, Waag, Bricolabs, DesCentro, Orquestra Organismo. História, estórias, história, estórias.  #reacesso.

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Práxis das forças invisíveis

*Turntablism is the art of manipulating sounds and creating music using phonograph turntables or digital turntables and a DJ mixer.  (from wikipedia)

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Feiticeiros ontologia rede: molecada

blogagemmolecadaColocar em post uma sistematização dos pensamentos interações rede é sempre um desafio.

Desde ontem pela manhã que estou tentando escrever este post. Eu queria apenas resumir, descrever, apontar, listar, classificar, blá, blá, blá. Marcar um percurso ontologia rede.
É essa questão do #reacesso, entende? Pense em cada conteúdo que eu tenho que ler para poder dialogar (numa lógica “tradicional”) na hora que me remetem a uma referência. Caixa preta?!

Os feiticeiros que o efefe recorta do Mil Platôs, V4 são talvez um bom ponto de amarração desta conversa. Por que? Para exemplificar. Me obriga leitura. Mas mais, muito mais do que isto. Esse jogo rede é complexo. Porém, o que marca é que a regra da conversa independente da leitura é conflitante para mim, difícil lidar com ela….

Existem estas coisas nos textos que “nunca” irão se “revelar” por inteiro para um indivíduo a menos que seja para aquele que escreve. Mas não, no mesmo instante percebo que se #reacesso estiver fazendo algum sentido há muito mais até para aquele que escreve. No primeiro caso, tudo bem, o tempo pode mostrar a cegueira. Mas e no segundo caso? Ou seja, seria isto uma mensagem do tipo: “desencane com @#$&*! ao escrever?

Tem uma recorrência aqui: A Sociedade Contra o Estado; 1, 2, 3, 4. #reacesso.

The Internet of Things

Apropriação e Apropriação.

Molecada está quebrar “lógica”. A questão indígena ainda está “lógica”, apenas fora de uma hegemonia, mas inserida em outra.

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Rede em Reacesso em Rede

Interdep003Quando vivemos da informação até que ponto podemos fechar os olhos e cair livremente para trás como naquele exercício do teatro?

O que as pessoas de fato falam, manifestam e o que não? Isso importa?

É preciso se deixar ser rede. Repensar o fazer. Refazer o pensar. Práxis.

Encontrei essa necessidade permanente do reacesso quando a práxis é  MetaReciclagem.

O “reacesso” tem a ver com um texto, uma informação que você já havia acessado e que provavelmente já vinha operando com ela de alguma forma meio “subconsciente”. Ou ainda, sabe aquela coisa que quando você lê ou vê tem a impressão de que já conhecia de alguma maneira o conteúdo? Talvez porque você já estivesse lidando  com ela na perspectiva semelhante a do “autor”.

Mas me parece que também há algo de metafísico aí. Ainda sem muitas explicações. Apenas o sentir, reacesso.

Estamos falando  rede. Sentimos rede. Vivemos rede.

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