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Organização, Projeto ou Design?
Posted by dasilvaorg in Administração on 16/07/2011
Design é um termo que me parecia bem outra realidade, nada a ver comigo, até que martelou, martelou, martelou, martelou na minha cabeça e me fez lembrar de coisas que já me incomodavam faz um tempo mas eu nunca tinha parado para falar sobre. O mote para esta conversa é uma tradução de um título de livro que, desde que tomei contato com, me incomodou. “Organizações: Teoria e Projetos” definitivamente é algo completamente diferente de “Organization Theory and Design“.
De cara, mesmo sem avaliar os pequenos detalhes de tradução do conteúdo (uma empreitada que nem sei se é válida*), podemos ver um víes e uma distorção que nos aproximam de algo e nos afastam de outro algo.
O víes nos aproxima de um fluxo, uma tendência, um “paradigma” dominante, enquanto que a distorção nos afasta, ou até elimina, completamente de possibilidades de compreensão bem mais plurais e ricas, em favor de uma muito mais restrita e tecnicista compreensão do organizar. Vou tentar aqui então fazer um resumo da percepçao desta aproximação e afastamento simultâneos.
Primeiro o viés, que se apresenta quando o termo “Organization Theory” é traduzido para “Organizações: Teoria”. A colocação do termo “organization” no plural e estes dois pontos desnecessários logo após, enfatizam o viés, a postura ontológica que a teoria de organização abraçou criando seu objeto, as organizações, enquanto entidades com fronteiras delimitadas e uma relação com o “ambiente”. Esta é uma estória interessante, se pensarmos que organização é em primeiro lugar um verbo. Quando tranformamos organização num substantivo tudo muda, tudo assume outra conotação. E, segundo algumas pessoinhas interessantes que ando lendo, uma conotação bem mais limitada e restrita.
Segundo, e podemos dizer o principal motivo deste post, quando traduzem “design” para “projeto” me parece que eliminam uma boa possibilidade de expansão conceitual. Ora, se o autor estivesse pensando simplesmente em projeto porque utilizaria o termo “design” ao invés de “project“? Quando Daft fala em “organization design” está claramente indo além de projeto. Seu foco é no desenvolvimento e construção dos aspectos internos da organização, nitidamente orientado pelo que aprendemos a chamar de paradigma funcionalista e pelas premissas contingenciais. Quais nuances, percepções e entendimentos podemos tirar deste uso do termo de design? Que outros ”design” podemos pensar, em organização, para além deste quadro de referência?
Questões amplas que se tivessem que ser trabalhadas “cientificamente” precisariam de uma delimitação muito mais específicica, focada, afunilada na lógica do trabalho acadêmico em teoria de organização, claro. Mas isto aqui é apenas um post de registro de inquietação, percebe? Seguimos com nossos projetos. Ops, peraí, ou seria com nossos designs?
—–
* A dúvida na validade de um tipo de avaliação como esta se dá pelo fato de que a hegemonia da teoria de organização funcionalista é tão forte, destacada, estabelecida como verdade, que investigar quaisquer de sua proposições se torna um circular em torno de conceitos e compreensões totalmente destacadas do “mundo da vida”. Tem horas que não dá pra aturar. Só isso.
zemanta
- Remember / Lembre-se (marinices.wordpress.com)
Administração, Organização, Organizing e Web 2.0
Posted by dasilvaorg in Administração, usos das tecnologias on 12/06/2011
As iniciativas em torno do conhecimento da Administração na Web 2.0 (ciente de todas as críticas que o termo merece) estão por aí. É o que se vê no excelente trabalho do @roneileonel com o blog Administração e Organização , que encontrei por acaso procurando por livros do Simon.

No blog Administração e Organização a gente encontra toda uma preocupação em disponibilizar/orientar/aprender informação acadêmica relevante e responsável sobre Administração. De forma sistematizada e organizada, nas formas que a tal da Web 2.0 supostamente nos permite produzir/consumir, mas também para além das determinaçõs do projeto da tecnologia. Ou como tenho gostado de sempre retentarentender na filosofia submidialogia: ”a arte de re:volver o logos do conhecimento pelas práticas e desorientar as práticas pela imersão no sub-conhecimento”. E assim estamos contruindo a Administração, a Organização e o Organizing.
Minha inquietação com a relação entre a Internet e a construção/translação de uma “nova” concepção da Administração é de sempre. Fica sempre martelando por aqui a visão de que essa expansão da interação pode ajudar a reconstruir esta nossa prática/ciência/ação/ideologia. Soltei algumas falas ingênuas sobre o assunto em 2008, mas nunca parei para organizar nada especificamente voltado para o conhecimento em Administração na Internet. Apenas uma iniciativa tímida e visualizada para ser colaborativa com o QualisADM.
Nos últimos 6 meses me afastei de quase tudo da intensidade da Internet. Estado em que manterei por mais algum tempo para dar conta das prioridades. Mas tudo está interligado, não é mesmo? E as coisas surgem, independente das nossas procuras, visões, vontades.
No final do ano passado dei uma ajustada no texto de 2008 para publicar no mutsaz Janx, mas recentemente comecei a pensar que o caminho precisa ser outro, que esta concepção ingênua precisa sair de um post de blog e virar ação também na própria academia, para ter a academia soprando junto.
Os questionamentos da administração, da nossa formação, dos nossos cursos, como em Nicolini (2003) ou da práxis, como em Misoczky e Amantino-de-Andrade (2005), parecem ser incipientes. Mas acho que é preciso acreditar que as coisas mudam, lentamente mas mudam.
Referências
CZARNIAWSKA, Barbara. A theory of organizing. Cheltenham, UK; Northampton, USA: Edward Elgar, 2008.
LATOUR, Bruno. What’s organizing? A meditation on the bust of Emilio Bootme in praise of Jim Taylor. Palestra ministrada na Universidade de Montreal em 21 de maio de 2008. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=TZkJg1HsvRs>. Acesso em: 16 jan. 2010.
MISOCZKY, Maria Ceci; AMANTINO-DE-ANDRADE, Jackeline. Tréplica: quem tem medo do fazer acadêmico enquanto práxis?. Rev. adm. contemp., Curitiba, v. 9, n. 1, Mar. 2005 .
NICOLINI, Alexandre. Qual será o futuro dasfábricas de administradores?. Rev. adm. empres., São Paulo, v. 43, n. 2, Jun. 2003 .
SUBMIDIALOGIA: A arte de re:volver o logos do conhecimento pelas práticas e desorientar as práticas pela imersão no sub-conhecimento. Diponível em: <http://submidialogia.descentro.org/>. Acesso em: 28 ago. 2010.

A formação dos administradores está essencialmente atrelada à gestão empresarial, ou, como já falei em outras ocasiões, à tecnologia de gestão empresarial. As práticas, os conceitos, a ideologia, as construções discursivas, tudo está profundamente enraizado no pensamento de desenvolver empresas, que pode ser resumido à criação e manutenção de vantagens competitivas. E assim todos os possíveis significados e práxis da administração acabam sendo reduzidos a esta perspectiva.
Mas o próprio conceito de organização enquanto sistema já não anda muito bem na atualidade. Segundo a pesquisadora polonesa ![[Des]Conferência.MetaRec>Tecendo Redes](http://reacesso.webnos.org/wp-content/uploads/2011/11/confmetarec-300x147.png)






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