Posts Tagged Tecnologia

menos estrangeiro no lugar que no momento

Nossas ações na Internet tem alguns resultados percebidos imediatamente, pontualmente,  e muitos não.  O que estamos fazendo com estas tecnologias e neste lugar é um processo cujo melhor termo que minhas limitações encontram agora é “complexo”, no sentido de conjunto de ações, de diversidade, de múltiplas possibilidades aparentando um todo, uma unidade.1022720488_0a1b779fc8

Ao mesmo tempo o que as tecnologias fazem conosco vai no mesmo raciocínio. Tecnologia enquanto cultura e artefato cultural (HINE, 2000), homem enquanto ser político e ciborgue (HARAWAY, 2000). Por isso não podemos assumir certezas unilaterais. Ainda que essa “complexidade” precise ser melhor entendida e certamente superada, pensar em dualismos e em certezas é morte vivificada em aparências. Para “ondes” olhar, ouvir, cheirar, sentir, degustar e, e, e, e….(DELEUZE; GUATTARI, 1995)?

Referências

DELEUZE, G. GUATTARI, F.. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia vol.1, Rio de Janeiro: Editora 34, 1995.

HARAWAY, D. Manifesto ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX, In: SILVA, T. T. (org.). Antropologia do ciborgue. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

HINE, Christine. Virtual Ethnography. London: Sage, 2000.

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Favela Gambiarra

Cartaz sobre violência infantil - By Bruno O. Barros on FlickrVi nesta semana que o efeefe soltou um texto que ele e hdhd haviam produzido sobre gambiarra. Mas não li. Tem mais coisas falando por aí de gambiarras, mas também não li.

Partilho aqui uma espontaneidade que acabei de escrever em um doc que a Maira gentilmente está partilhando comigo.

Sofrimento pra alguns é ser feliz, pra quem nunca teve nada um sonho é tudo que sempre quis (O Rappa).

Mas o sonho também é sofrimento. Queremos falar de sofrimento? O que é sofrimento?

Sofrimento “autoetnografado”.

O Rappa tem a ver com a incrustração de pertencimentos. A favela, o Rio de Janeiro. É sofrimento criativo, criador.

A gambiarra aí é biogambiarra, autogambiarra no sentido da adaptação tecnológica do sujeito. A favela é tecnologia, o sujeito é tecnologia e a favela recompõe a tecnologia sujeito que recompõe a tecnologia favela também por meio do sofrimento.

Quando um menino deixa de sair de casa porque tem medo de outro menino isto é preocupante. Mas aí há o domínio / não domínio da tecnologia favela/ tecnologia sujeito como afirmação da subjetividade.

Claro que a favela pode ser vista por diversos olhares, assim como a violência, assim como tudo. Mas, este olhar quase “autoetnográfico” já é a própria gambiarra falando, sem porta-voz, a gambiarra se expressa por si, se mostra e não se mostra. O que sabe e o que não sabe. Mas a gambiarra fala, ainda que o entendimento não seja nem para ela mesma e as interpretações estejam sempre condicionadas a estruturas de autoridades e saberes. Por isso não se deve achar que é possível interpretar a gambiarra falante. Talvez seja mais proveitoso apenas interagir e neste processo, como no handshake do modem, chegar a uma conexão. O que é esta conexão? Quem pode se dar a arrogância de dizer saber?

As gambiarras falantes simplesmente estão.

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